
Após os 50 anos, muitas mulheres passam a conviver com dores frequentes, perda de força, dificuldade de movimento e uma sensação crescente de fragilidade corporal, mesmo sem grandes mudanças na alimentação ou na rotina. O que poucas sabem é que esses sinais não são “normais da idade”, mas consequências diretas da perda acelerada de massa muscular. Nesse cenário, exercícios de força deixam de ser opcionais e passam a ser uma ferramenta central de saúde. Entre eles, a flexão de braço se destaca como um dos movimentos mais completos, acessíveis e eficazes para as 50+.
Segundo Monalyse Dantas, personal trainer, professora universitária e especialista em educação física e medicina do esporte, o treino de força funciona como um verdadeiro freio no envelhecimento e pode ser iniciado em qualquer fase da vida — inclusive por quem nunca se exercitou.

O que muda no corpo da mulher após os 50
A partir dessa fase, o organismo feminino entra em um processo biológico de perda muscular acelerada, conhecido como sarcopenia. Essa redução não afeta apenas a estética corporal. Com menos massa magra, a mulher perde força, estabilidade e proteção articular, tornando movimentos simples mais difíceis e aumentando o risco de quedas e lesões.
“Quando a mulher não faz nenhum tipo de treino de força, o corpo passa a responder com mais dores, mais dificuldade para se mover, ganho de gordura mesmo comendo pouco e, principalmente, perda de confiança no próprio corpo”, explica Monalyse.
O exercício de força atua tanto na prevenção quanto na manutenção da massa muscular, o que impacta diretamente a mobilidade, o metabolismo e a qualidade de vida ao longo dos anos.

Por que exercícios de força são indispensáveis nessa fase
Diferentemente do que muitos pensam, caminhar ou fazer atividades leves não é suficiente para combater a perda muscular após os 50. O corpo precisa de estímulos específicos para preservar músculo e osso. É exatamente isso que o treino de força oferece.
De acordo com a especialista, manter a massa magra ajuda a evitar uma série de problemas associados ao envelhecimento, como dores crônicas, instabilidade articular e maior dependência física.
“Ter músculo é o que garante que o corpo continue funcionando bem. É ele que sustenta articulações, protege a coluna e mantém a mulher ativa e independente”, afirma.

O papel da flexão na autonomia da mulher 50+
Entre os exercícios indicados para essa faixa etária, a flexão ocupa um lugar de destaque. Para Monalyse, trata-se de um dos melhores movimentos que mulheres acima dos 50 podem realizar, desde que respeitando suas condições físicas e progressões adequadas.
A flexão trabalha simultaneamente braços, peito, ombros e core — regiões essenciais para postura, equilíbrio e proteção da coluna. Além disso, fortalece os membros superiores, fundamentais para prevenir quedas e auxiliar na recuperação de desequilíbrios no dia a dia.
“Quando a mulher aprende a sustentar o próprio peso corporal, ela está treinando autonomia. A flexão é isso: força aplicada à vida real”, resume a especialista.

Adaptações tornam o exercício possível para qualquer mulher
Um dos maiores mitos em torno da flexão é a ideia de que ela só serve para quem já está em boa forma. Na prática, o segredo está nas progressões, que permitem que qualquer mulher comece com segurança.
Monalyse explica que o corpo precisa apenas do estímulo correto. Iniciar com flexões na parede, no banco ou com os joelhos apoiados no chão prepara músculos e articulações de forma gradual. Esse processo fortalece o corpo, reduz o risco de lesões e, principalmente, constrói confiança, o que é um fator decisivo para a mulher 50+ manter a constância nos treinos.
Com o tempo, essas adaptações podem evoluir naturalmente até a flexão tradicional no solo, sempre respeitando o ritmo individual.
Força também protege os ossos
Outro benefício pouco conhecido do treino de força está na saúde óssea. Embora o cálcio seja importante, ele não age sozinho. “O osso só fica forte quando é usado”, destaca Monalyse.
O estímulo mecânico gerado pelos exercícios de força ativa células responsáveis pela formação óssea, aumenta a densidade mineral e reduz o risco de fraturas. Músculos fortes exercem tração sobre os ossos, e o corpo responde tornando essa estrutura mais resistente — um mecanismo essencial na prevenção da osteopenia e da osteoporose.

Frequência ideal: regularidade acima de intensidade
Para mulheres acima dos 50, a resposta do corpo está muito mais ligada à regularidade do que à intensidade extrema. Segundo a especialista, treinar força pelo menos duas vezes por semana já traz benefícios significativos, enquanto três sessões semanais representam o cenário ideal. Em alguns casos, é possível chegar a quatro treinos, desde que haja boa recuperação.
Sessões entre 30 e 50 minutos são suficientes para estimular músculos e ossos de forma eficiente, sem sobrecarregar o organismo.

Nunca é tarde para começar
Mesmo quem nunca se exercitou pode, e deve, iniciar o treino de força após os 50. Monalyse reforça que o corpo humano responde ao estímulo em qualquer idade e que começar nessa fase é uma decisão estratégica para o futuro.
“A mulher 50+ já tem maturidade para entender a importância de priorizar a própria saúde e escutar os sinais do corpo. Começar agora é investir em autonomia, independência e qualidade de vida até o fim”, afirma.
Mais do que estética ou desempenho, o treino de força nessa etapa é sobre garantir um corpo capaz de sustentar a mulher ao longo dos anos. Nesse processo, a flexão se consolida como um exercício simples, poderoso e transformador.
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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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