
Em ano de eleição no país, a direita brasileira se fragmenta entre bolsonaristas e moderados para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Sob o cenário de um eventual 2º turno, figuras políticas alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falam sobre uma união no espectro político baseada no modelo eleitoral do Chile para cercar o concorrente petista.
Diferentemente da esquerda, que conta com uma candidatura única com mais destaque até o momento, a direita é um tabuleiro com múltiplas peças, o que relembra a eleição do Chile no ano passado: Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) [ala bolsonarista], Ronaldo Caiado (PSD), Ratinho Jr. (PSD), Eduardo Leite (PSD) e Renan Santos (Missão) [ala moderada].
O que aconteceu nas eleições de 2025 no Chile?
A comparação ganhou notoriedade após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha. Segundo Tarcísio, Bolsonaro não vê problema em novas candidaturas da direita e sim as enxerga como uma “grande força” em prol da união no 2º turno.
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam para dois cenários distintos quando o xadrez político do Brasil é comparado com o do Chile: a fragmentação da direita é estratégica e o 1º turno serve para o eleitor escolher o melhor gestor para o embate com Lula; a polarização no Brasil, dividido entre Lula e o herdeiro do bolsonarismo, esmaga candidatos de terceira via, tendo uma relevância inexpressiva no apoio.
Adjacência ideológica na direita
Para Antônio Lavareda, doutor em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), o eleitor de direita tende a votar em candidatos adjacentes às suas noções ideológicas. Ou seja, o 1º turno funcionaria como uma espécie de eleição “primária embutida” (votação que acontece antes da oficial) que funciona como uma “seletiva” da direita.
“Por conta do critério de voto e adjacência ideológica, a divisão faz a força. O que vamos ter na direita esse ano é uma coisa parecida com as eleições municipais em 2024, uma espécie de primária, como nos EUA. O campo da direita definirá qual é o candidato do 2º turno e, pela adjacência, a maioria significativa tende a se inclinar para o escolhido contra Lula”, disse.
A escolha do ex-presidente da República, ao nomear Flávio como seu sucessor e descartar Tarcísio, ocasionou divergências entre os eleitores conservadores que ficaram receosos quanto ao preterido para herdar o bolsonarismo. No entanto, mesmo com uma rejeição parcial, Lavareda aponta que Flávio receberia uma transferência de votos da maior parte dos direitistas.
A polarização como barreira para o modelo chileno
O mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) Lucio Rennó explica que a polarização atropela candidatos de terceira via que não herdam o nome do bolsonarismo.
Segundo ele, este fator inviabiliza a “aplicação do modelo chileno” em razão do Brasil ter mais divisão política do que no Chile, onde, na nação sul-americana, os votos foram mais distribuídos, enquanto no nosso país, a hegemonia do petismo e do bolsonarismo se mantém.
“Não haverá múltiplas candidaturas relevantes – o bolsonarismo domina a direita e isso não mudará até outubro. A terceira via terá o mesmo desempenho medíocre que teve em 2022. Haverá um segundo turno entre Lula, que é hegemônico na esquerda, e uma candidatura bolsonarista na direita, tudo indica, encabeçada por Flávio Bolsonaro”, pontuou Rennó.
O especialista político também não descarta eventual desistência das pré-candidaturas do PSD, ao afirmar que o mais provável é que Ratinho Jr e Eduardo Leite se candidatem ao Senado, deixando um 2º turno entre Lula e Flávio ainda mais previsível. Ele mencionou que Caiado pode insistir na disputa, no entanto, devido à polarização, a chance de exercer influência sobre o eleitorado é mínima.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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