Do Olimpo à cela de 9 metros e a saia justa do STF

Fábio Vieira/Especial Metrópoles
Transferência para presídio federal acontece após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O caso do Banco Master deixou de ser uma investigação financeira para se tornar um teste de estresse para a cúpula do Judiciário. A transferência de Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília, onde dividirá o espaço com a cúpula do PCC, não é apenas uma medida de segurança; é um isolamento estratégico. A Polícia Federal teme que o banqueiro, com sua “vasta capacidade de articulação” possa interferir nas provas se mantido em celas comuns.

Mas o que realmente faz Brasília ferver não é o destino de Vorcaro, e sim o que saiu do celular dele. O vazamento de supostas mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes colocou o STF em uma saia justa sem precedentes.

Embora o tribunal negue que as mensagens de “visualização única” tivessem Moraes como destinatário real, a simples existência desses diálogos no dia da prisão do banqueiro cria uma névoa de suspeição que as notas oficiais não conseguem dissipar.

André Mendonça, o atual relator, agora opera em um campo minado. Ao mesmo tempo em que autoriza o isolamento de Vorcaro, precisa abrir inquéritos para apurar quem vazou dados que deveriam estar sob sigilo. É o sistema tentando investigar a si mesmo sob o olhar atento de uma CPMI que não pretende largar o osso.

Se o inquérito seguir as provas, mesmo que atinja o Olimpo do Judiciário, a República terá que lidar com o tamanho do estrago.

A situação é de um pragmatismo cruel: enquanto o banqueiro dorme em uma cela de nove metros quadrados, o Supremo tenta acordar de um pesadelo de possíveis rastros.

Para quem prega a transparência, o silêncio e as negativas técnicas soam como um drible mal executado.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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