
O dólar registrou queda de 0,28% frente ao real, cotado a R$ 5,24, nesta sexta-feira (27/3). Como a variação foi relativamente pequena, ela indicou estabilidade da cotação. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também fechou em baixa, mas um pouco mais acentuada: ele baixou 0,64%, aos 181,5 mil pontos.
Desde 28 de fevereiro, com a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a guerra no Oriente Médio tem sido o principal vetor dos mercados. Nesta sexta-feira, não foi diferente.
Diversas noticias sobre o conflito mantiveram os agentes econômicos em alerta e levaram a fortes oscilações do câmbio e das ações. Uma delas disse respeito a um ataque de forças israelenses contra instalações nucleares iranianas. A outra mencionou o fato de o Pentágono cogitar o envio de mais 10 mil soldados americanos para uma ação terrestre no Oriente Médio.
Bolsas
Diante dessas informações, que representaram um agravamento dos combates na região, o clima de aversão ao risco contaminou, mais uma vez, as bolsas globais. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países da Europa, caiu 0,95%. O DAX, de Frankfurt, anotou perda de 1,38%. O FTSE 100, de Londres, resistiu um pouco mais. Ele recuou 0,05%, mantendo a estabilidade em relação ao pregão da véspera.
Perto do fechamento, Wall Street também operava no vermelho. Os principais índices da bolsas americanas caíam em bloco, com baixa de 1,87 do S&P 500; 1,86% do Dow Jones; e 2,05% do Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Petróleo
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã. Ele observa, porém, que esse movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário.
“Ao longo do dia, o fluxo foi ficando mais equilibrado, com menor convicção direcional, especialmente diante da proximidade do fim de semana”, diz o analista. “Nesse contexto, o câmbio passou a oscilar em faixa mais estreita, convergindo para um fechamento próximo à estabilidade.”
Shahini observa que o real se beneficiou no pregão desta sexta-feira, mantendo-se estável em relação ao dólar. “O prêmio de risco associado ao cenário geopolítico tem sido mais absorvido pelas bolsas globais e pela curva de juros do que pelo câmbio, o que ajuda a explicar a menor sensibilidade do real”, diz. “Além disso, a alta do petróleo tem efeitos positivos sobre os termos de troca e a balança comercial brasileira, sendo um fundamento de sustentação do real. O resultado é um câmbio estável, mesmo em um ambiente global ainda pressionado.”
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário