Dólar e Bolsa sobem em dia de pânico no mercado com guerra EUA-Irã

Imagem de notas de dólar - Metrópoles

Os mercados de câmbio e de ações viveram momentos de pânico nesta segunda-feira (2/3), com a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no sábado (28/2). Nesse contexto, e depois de fortes solavancos, o dólar registrou alta de 0,62%, cotado a R$ 5,16. Às 11 horas, ele chegou a R$ 5,21.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), mergulhou em forte queda no início da manhã, em recuo que superou 1%, aos 188 mil pontos. Às 16h30, porém, ele já havia dado uma guinada. Nesse horário, operava em alta de quase 0,70%, aos 190.017 pontos. A mudança foi impulsionada, notadamente, pela valorização das ações da Petrobras, puxadas pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional.

O tom dos mercados globais foi ditado nesta segunda-feira pela guerra no Irã. Ela surpreendeu os investidores. Na sexta-feira (27/2), havia indicações de menor tensão entre EUA e Irã, com a definição de uma nova data para a quarta reunião das negociações entre os dois países de um acordo nuclear. Tudo ruiu no dia seguinte, com os ataques promovidos por americanos e israelenses, seguidos pelas represálias do Irã.

Medo

Com o conflito, o “termômetro do medo” de Wall Street, como é conhecido o índice VIX, desembestou pela manhã, à medida que a aversão ao risco passou a dominar os investidores. O indicador chegou a apresentar alta de 18,33%, aos 23,5 pontos.

Com isso, o indicador atingiu o maior patamar desde 19 de janeiro, quando subiu 18,79%, também em um contexto de tensão geopolítica. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou os países europeus com novas tarifas, como forma de pressioná-los em relação à venda da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. Mas, às 17h15, a elevação do VIX era bem menor: de 8,96%, com 21,64 pontos.

Consequências

Há múltiplas possibilidades de impacto da guerra na economia, quer no mundo, quer no Brasil. Um dos fatores de risco é o preço do petróleo. Para André Valério, economista do Banco Inter, não resta dúvida que a elevação da commodity pressiona o custo dos combustíveis no mercado doméstico.

“Por outro lado, o Brasil é exportador líquido de commodities e tende a se beneficiar do aumento no preço do petróleo”, diz. “Portanto, podemos ver uma apreciação do real que compense a elevação da commodity.”

Corte de juros

Com a guerra, os juros futuros também subiram, o que provocou preocupação entre especialistas sobre um eventual adiamento do início do ciclo de cortes da taxa básica de juros do país, a Selic, previsto para ocorrer ainda em março. “Nesse caso, acreditamos que nada muda a princípio”, afirma Valério. “Mas a incerteza causada pelo conflito pode levar o Copom (o Comitê de Política Monetária, do Banco Central) a encerrar o ciclo de cortes antes da hora. Mas isso dependerá da duração e amplitude do conflito.”

O eventual aumento do custo dos combustíveis, acrescenta o economista, também depende dessa dinâmica. “A Petrobrás opera com paridade com o preço internacional do petróleo e, neste momento, há baixíssima defasagem entre o preço cobrado nas refinarias e o internacional,”, afirma. “A Petrobrás pode optar por segurar o eventual repasse, como já foi feito em outras oportunidades, até ter uma perspectiva mais clara sobre a tendência do preço internacional.”

Note-se que, a cada aumento de 1% no preço da gasolina, há uma elevação de 0,05 ponto percentual no Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA). “A eventual apreciação do real ajudará a compensar o impacto do aumento da gasolina e, a depender da resposta do câmbio, até mesmo compensar”, diz o especialista.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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