Uma rede que começa no campo e chega à indústria tem mudado a realidade de centenas de famílias no Acre. A cadeia produtiva formada pelas empresas Dom Porquito e Acreaves reúne pequenos produtores rurais, trabalhadores da indústria e técnicos especializados, gerando emprego, renda e movimentando a economia especialmente na região de Brasileia e Epitaciolândia.
Durante visitas às unidades industriais e propriedades rurais integradas ao sistema de produção, o videomaker do ac24horas, Kennedy Santos, acompanhou de perto o funcionamento dessa estrutura produtiva que envolve desde a criação de suínos e aves até o processamento industrial dos alimentos. O material resultou em dois vídeos, disponíveis abaixo.
Segundo o CEO das empresas Dom Porquito e Acreaves, Paulo Santoyo, o modelo de integração com pequenos produtores tem forte impacto social. Ele explica que a iniciativa não se limita à compra da produção, mas inclui apoio técnico, transferência de tecnologia e acompanhamento constante das famílias envolvidas.
Santoyo afirma que muitos produtores precisavam apenas de oportunidade para desenvolver a atividade. “Não é só levar tecnologia. É levar conhecimento, apoio e segurança para que o produtor possa crescer”, destacou.
Hoje, a Dom Porquito produz cerca de 1.400 toneladas de carne suína por mês, sendo aproximadamente 70% destinadas ao mercado internacional e 30% ao mercado interno. O crescimento da produção tem atraído novos investidores rurais.
Um deles é o produtor Landoaldo Xavier, que decidiu apostar na suinocultura após investir cerca de meio milhão de reais na construção de galpões para criação de suínos em sua propriedade no ramal do Jarinal. A expectativa é ampliar gradualmente a estrutura.
“Outros produtores que começaram antes dizem que não se arrependem. Então estamos iniciando e esperando ver os resultados no futuro”, relatou.
Na cadeia produtiva das aves, o avanço também é significativo. Na Acreaves, segundo o gerente de produção Gleiciano Lopes, atualmente são abatidas cerca de 20 mil aves por dia, com a meta de chegar a 35 mil aves diárias até o fim do ano.
A indústria também tem se destacado pela forte presença feminina no quadro de trabalhadores. Mais de 60% dos colaboradores são mulheres, muitas delas em busca do primeiro emprego ou de novas oportunidades de crescimento profissional.
A supervisora de produção Rayane Nascimento conta que começou na empresa na área de controle de qualidade e, após dois anos, foi promovida. “Quero continuar crescendo, alcançar novos níveis dentro da empresa”, afirmou.
Para muitas trabalhadoras, a indústria representa uma mudança de perspectiva de vida. Evelen Vitória, operadora de linha de produção, afirma que o emprego trouxe novas possibilidades. “Essa oportunidade significa muito para mim, porque não ajuda só a mim, mas também outras pessoas a aprender e crescer”, disse.
Larissa Rufino, também da linha de produção, planeja avançar profissionalmente dentro da empresa. “Meu objetivo é me tornar técnica de segurança do trabalho”, contou.
No campo, o crescimento da atividade também tem transformado histórias de famílias produtoras. Em uma propriedade rural visitada pela equipe, o jovem José Arlindo divide a rotina entre o trabalho na granja da família e o curso de medicina.
Pela manhã, ele ajuda nas atividades da propriedade e, à tarde, segue para a faculdade na cidade. “Eu ajudo até cerca de 11 horas da manhã, depois almoço e vou para a faculdade. Saio por volta das 18h30 e volto de moto todos os dias”, relatou.
A família começou na agricultura familiar e hoje investe na criação de suínos. Quando os três galpões estiverem concluídos, a propriedade terá capacidade para colocar até três mil animais no mercado a cada três meses.
De acordo com o engenheiro agrônomo Francismax Araújo, o crescimento da suinocultura no Acre demonstra a confiança dos produtores no modelo produtivo. “O produtor cresce junto com a empresa. Não é apenas a empresa que se desenvolve”, explicou.
Outro exemplo é o produtor Itamar Tolentino, que iniciou na atividade em 2013. Antes, trabalhava como empilhadeiro. Hoje, com a produção de aves na propriedade familiar, conseguiu melhorar significativamente as condições de vida.
“Antes morávamos em uma casa de madeira. Hoje conseguimos construir uma casa de alvenaria e melhorar nosso conforto”, contou.
Apesar do crescimento da cadeia produtiva, um desafio ainda persiste: a falta de mão de obra no campo. Segundo produtores, encontrar trabalhadores dispostos a atuar nas granjas tem sido cada vez mais difícil, o que muitas vezes obriga as famílias a assumirem as atividades.
Mesmo assim, os investimentos continuam avançando. Muitos produtores têm adotado novas tecnologias, como sistemas de climatização e energia solar, que permitem melhorar a produtividade e reduzir custos.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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