
Na rotina de quem convive com problemas na tireoide, tomar o medicamento corretamente é uma etapa essencial do tratamento. No entanto, um detalhe muitas vezes ignorado pode comprometer o efeito da terapia: a alimentação.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a endocrinologista Érika Fernanda de Faria explicou que alguns alimentos e bebidas comuns no dia a dia podem interferir na absorção de alguns medicamentos e reduzir sua eficácia — a exemplo da levotiroxina, um dos mais utilizados para regular a função da glândula em casos de hipotireoidismo.
“No caso da levotiroxina, as diretrizes recomendam, inclusive, que o medicamento seja tomado em jejum, apenas com água, e que se aguarde cerca de 30 minutos a uma hora antes de ingerir qualquer alimento”, orienta a especialista.
Alimentos que podem interferir no remédio da tireoide
De acordo com Érika de Faria, alguns itens comuns na alimentação diária dos brasileiros merecem atenção quando consumidos próximos ao horário da medicação.
“Entre os principais itens estão os alimentos ricos em fibras, cálcio e ferro. Soja e café também estão no radar de alerta, especialmente quando ingeridos com o remédio”, assegura a endocrinologista.
Outro grupo frequentemente citado quando se fala em tireoide são os chamados alimentos goitrogênicos, como couve, brócolis, repolho, couve-flor.
“Esses alimentos podem interferir no aproveitamento do iodo pela glândula quando consumidos em grandes quantidades, especialmente crus. No entanto, se o paciente tiver uma dieta equilibrada, não é necessário eliminá-los da alimentação, uma vez que são nutricionalmente muito saudáveis”, avalia.
O consumo excessivo de alimentos ricos em iodo também merecem atenção. “Apesar de ser essencial para a produção hormonal, tanto a falta quanto o excesso do mineral podem provocar alterações na função da tireoide. Isso pode ocorrer, por exemplo, com o uso indiscriminado de suplementos ou ingestão frequente de algas ricas em iodo“, alerta a especialista.
A dieta varia em cada caso
Os principais problemas na tireoide envolvem desequilíbrios na produção hormonal, como no caso do hipotireoidismo e hipertireoidismo. Além dos mais conhecidos, há também a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico ataca a tireoide, sendo a principal causa de hipotireoidismo.
Segundo a endocrinologista, cada condição precisa de um tratamento específico e isso também se reflete na alimentação. “No hipotireoidismo, por exemplo, o metabolismo pode ficar mais lento. Logo, pode existir uma dificuldade no trânsito do trato gastrointestinal, podendo causar constipação. Nesse caso, uma dieta em fibras para ajudar no funcionamento do intestino”, avalia Érica de Faria.
Além do cuidado com o intestino, a especialista chama a atenção para uma alimentação equilibrada, a fim de evitar o ganho de peso e garantir nutrientes essenciais para o bom funcionamento hormonal. “É preciso dispor de um bom aporte de selênio, zinco e iodo em quantidades adequadas”, complementa.

Já no hipertireoidismo, Érica explica que normalmente as pessoas possuem um metabolismo mais acelerado, podendo levar a perder peso e massa muscular. “O ideal é priorizar uma dieta com um adequado aporte calórico e proteico. Além disso, é preciso monitorar os níveis de cálcio e vitamina D, já que o hipertireoidismo descompensado pode favorecer a perda de massa óssea”, alerta.
Quando se trata da síndrome de Hashimoto, Érica reflete que a alimentação não é capaz de curar a condição. Contudo, a dieta ajuda no controle do processo inflamatório e na manutenção do equilíbrio metabólico.
“Alguns estudos sugerem que padrões alimentares anti-inflamatórios, ricos em frutas, vegetais e gorduras saudáveis, podem ser benéficos”, reitera Érica de Faria.
Alimentação ajuda, mas não substitui tratamento
Embora a dieta tenha influência no funcionamento da tireoide, Érica reflete que ela não é capaz de substituir o tratamento médico quando já existe uma doença diagnosticada.
“A alimentação funciona como um suporte para a saúde da tireoide, mas não substitui acompanhamento médico, exames laboratoriais e um tratamento adequado quando necessário”, conclui a endocrinologista.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário