
Em um mundo onde a preocupação ambiental cresce a cada dia, o Distrito Federal tem se destacado em um aspecto importante: a energia solar. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), apontam que
Veja:
Ainda segundo o levantamento, nos últimos 10 anos, o DF passou de 92 conexões de energia solar em 2016, para 31.782 projetos em funcionamento em 2025, um aumento exponencial de 34.445%.
Atualmente, de acordo com os dados, são mais de 33 mil consumidores que contam o sistema e, desde 2012, a modalidade já proporcionou ao DF a atração de R$ 2,4 bilhões em investimentos, geração de mais de 15,7 mil empregos e a arrecadação de mais de R$ 700 milhões aos cofres públicos.
O presidente executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia afirmou que o uso da energia solar amplia o protagonismo do DF na política da transição energética nacional, pois fortalece a sustentabilidade, alivia o orçamento das famílias e eleva a competitividade dos setores produtivos.
“Também alivia a pressão sobre os recursos hídricos, traz mais resiliência ao sistema elétrico e é um motor de desenvolvimento econômico, social e ambiental”, avaliou.
Combinação de fatores
Engenheiro eletricista e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Mario Kenji pontuou que, no caso específico do DF, algumas características ajudam a explicar os motivos para a região aparecer no topo do ranking nacional em potência instalada.
Ainda de acordo com o especialista, o crescimento acelerado da energia solar fotovoltaica no DF, nos últimos anos, é resultado de uma combinação de fatores técnicos, econômicos e regulatórios.
“O custo dos sistemas fotovoltaicos caiu significativamente na última década, em função do avanço tecnológico e da escala global de produção de painéis solares. Ao mesmo tempo, o custo da energia elétrica convencional no Brasil vem aumentando ao longo dos anos, tornando a geração solar economicamente mais atrativa”, observou Kenji.
Outro ponto fundamental, de acordo com o engenheiro eletricista, é o modelo de compensação de energia elétrica regulamentado pela ANEEL. “Nesse modelo, quando o sistema fotovoltaico produz mais energia do que o consumidor utiliza naquele momento, o excedente é injetado na rede e convertido em créditos energéticos, que podem ser utilizados posteriormente na própria unidade ou em outras unidades consumidoras vinculadas”, explicou.
Economia garantida
Um dos “pioneiros” na instalação de um painel solar residencial foi o economista Gilberto Azevedo. “Durante uma viagem pela Europa, observei nos telhados residenciais a presença de painéis distintos dos coletores solares para aquecimento de água. Ao retornar ao Brasil, busquei informações sobre esses dispositivos e descobri que se tratavam de painéis fotovoltaicos”, comentou.
Segundo o morador do Lago Norte, ele entrou em contato com uma empresa que fazia a instalação e solicitou um orçamento. “Apesar do custo, na época, ter sido significativamente superior ao praticado atualmente, decidi investir, ficando na casa dos R$ 70 mil”, calculou.
O economista lembrou que, quando instalou os painéis, todos que o conheciam tiraram sarro. “Acharam que eu estava ficando louco por investir R$ 70 mil em uma tecnologia, até então, desconhecida no DF. Hoje, quem disse isso ou colocou também ou está pensando em colocar”, brincou.
Logo após a instalação, Geraldo disse que começou a sentir os primeiros impactos. “A conta de energia, que anteriormente girava em torno de R$ 1,2 mil, foi drasticamente reduzida. Não me recordo do valor exato, mas a conta passou a ser de, aproximadamente, R$ 100 e nunca ultrapassou a marca de R$ 150, valor máximo pago até o momento”, afirmou.
“Estou cooperando com o meio ambiente e com o meu bolso. Estou muito satisfeito”, acrescentou o economista.
Síndico de um condomínio em Águas Claras há oito anos, Henrique Liporoni implementou a energia fotovoltaica no local há cerca de quatro anos. “A decisão foi motivada pela busca por uma fonte de energia limpa, que não gerasse poluentes, em consonância com as tendências globais e a necessidade de combater o aquecimento global, promovendo o uso de energias renováveis”, afirmou.
Além disso, segundo ele, a economia proporcionada pela redução de custos operacionais do condomínio foi outro fator determinante para a mudança. “Desde então, temos observado os benefícios. Em alguns meses, zeramos a conta de energia, ou seja, a produção foi superior ao consumo”, comentou.
O síndico lembrou que, antes da instalação, a conta de energia costumava ficar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. “Essa economia acarretou em vantagens significativas aos condôminos, como a redução de custos e a realização de melhorias sem a cobrança de taxas adicionais ou aumento no valor do condomínio”, pontuou.
“A recuperação do investimento iniciou ainda no primeiro mês de instalação, pois o valor da conta de luz caiu para, aproximadamente, 20% do que era pago antes. Isso fez com que parte do dinheiro economizado fosse para o pagamento do empréstimo e ainda sobrasse uma boa quantia para outros investimentos”, observou Henrique.
Também síndico de um condomínio na mesma região, Flávio Ribeiro disse que a decisão de instalar o sistema ocorreu em 2016. “Porém, o custo alto adiou o projeto, que acabou sendo aprovado e instalado em 2020, sendo um dos primeiros projetos aprovados e executados em Águas Claras”, garantiu.
O foco, segundo ele, era a economia e a otimização das despesas fixas. “Na época, era tudo muito novo. Muitos ficaram resistentes à ideia. Porém, com o trabalho de explicar e a segurança com relação à situação de pagar o investimento com a economia nas contas, essa questão foi superada”, recordou.
Flávio comentou que o projeto foi 100% financiado e, em cerca de um ano e meio, o investimento se pagou. “Os primeiros impactos vieram já nas primeiras contas, passando de R$ 6 mil, antes da instalação, para cerca de R$ 400. Já houve meses com picos de geração, ou seja, a conta veio zerada, com o pagamento apenas da iluminação pública”, disse o síndico.
O engenheiro eletricista Mario Kenji ressaltou que há um elemento de efeito demonstrativo e difusão tecnológica na questão da energia fotovoltaica.
“À medida que mais sistemas são instalados, aumenta a visibilidade da tecnologia e cresce a confiança dos consumidores. Isso cria um ciclo positivo de adoção: vizinhos, empresas e condomínios passam a perceber os benefícios e também decidem investir”, avaliou.
Fonte limpa
Doutor em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Christian Della Giustina lembrou que a energia solar, a exemplo da eólica e da hidráulica, se enquadra na categoria de fontes renováveis. “A fonte solar se caracteriza por sua constância e inesgotabilidade”, explicou.
O especialista comentou ainda que a energia solar é classificada como limpa e tem apresentado avanços tecnológicos significativos. “Recentemente, as células fotovoltaicas, dispositivos que permitem o armazenamento e a distribuição da energia solar para diversas aplicações, têm se tornado cada vez mais comuns”, reforçou.
Della Giustina disse que, atualmente, a energia solar apresenta diversas vantagens e se consolidou comercialmente. “Além de diminuir os custos com a energia elétrica, a possibilidade de vender o excedente de energia às concessionárias é um dos atrativos”, esclareceu.
A ressalva do especialista fica no fato de que a energia solar ainda não se estabeleceu como a única matriz energética. “Sua geração de energia depende da disponibilidade de luz solar, limitando sua utilização. Portanto, ela é, atualmente, uma fonte complementar, contribuindo para a segurança energética de uma região”, avaliou.
Como instalar
Para quem mora no DF, o diretor de Relacionamento com o Cliente da Neoenergia Brasília, Gustavo Álvares, afirmou que, antes de instalar esse tipo de geração, é fundamental contratar um profissional habilitado e registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).
“Esse técnico deve elaborar o projeto de Geração Distribuída e submetê-lo à análise da Neoenergia, pelo portal da distribuidora. A aprovação dependerá da potência informada e das condições técnicas do local”, apontou.
No caso de usinas solares, Álvares destacou que a orientação é para que os empreendedores consultem previamente a Neoenergia, para verificar se a área escolhida tem uma infraestrutura adequada para a conexão. “Se não houver, será necessário incluir, no planejamento, as obras complementares exigidas para viabilizar o acesso à rede”, explicou o diretor da companhia.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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