
O ataque contra depósitos de petróleo lançou uma fumaça escura e densa sobre Teerã, a capital do Irã, no sábado passado (7/3). O resultado foi uma combinação de óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio que, juntos com a umidade do ar, podem resultar em chuva ácida.
As autoridades e o Crescente Vermelho do Irã alertaram os moradores para permanecerem em casa. Moradores de Teerã relataram que, no domingo, a cidade amanheceu com o céu escuro e coberta de fuligem preta.
O que é a chuva ácida?
A chuva ácida se refere a qualquer precipitação com componentes ácidos, que cai no solo a partir da atmosfera em forma úmida ou seca. Isso pode incluir chuva, neve, neblina, granizo ou até mesmo poeira ácida.
Ao se misturarem com a água na atmosfera, os óxidos provenientes da queima de combustíveis fósseis, principalmente o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, podem formar ácidos, como os ácidos sulfúrico, nítrico e nitroso, que voltam ao solo sob a forma de chuva.
As partículas ácidas no ar podem causar irritação respiratória, especialmente em pessoas com asma ou bronquite, queimaduras químicas na pele ou danos mais graves nos pulmões.
A chuva ácida também contamina ecossistemas, destrói a cobertura vegetal, acidifica solos e águas de rios e lagos e ameaça a biodiversidade.
“A fumaça cobriu a cidade inteira. Eu estou com forte falta de ar e ardência nos olhos e na garganta, e muitos outros sentem o mesmo”, disse uma ativista iraniana ao jornal britânico. “É impossível ficar ao ar livre.”
Origem nos combustíveis fósseis
Embora a chuva ácida possa ter uma origem natural, sobretudo vulcões, na maior parte das vezes ela tem como origem a queima de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica, por indústrias e por veículos.
O termo “chuva ácida” foi cunhado pelo cientista britânico Robert Angus Smith em 1852, ao observar o fenômeno no auge da industrialização da Inglaterra.
No caso do Irã, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora os riscos à saúde decorrentes da “liberação maciça” de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio na atmosfera.
Segundo a agência, ataques pelo Irã à infraestrutura petrolífera do Bahrein e da Arábia Saudita reforçam a preocupação por uma exposição ainda maior da região à poluição, o que pode ter efeitos de longo prazo.
Uma arma de guerra?
O porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que o ataque em grande escala marcou uma “nova fase perigosa” do conflito e constituiu um crime de guerra.
“Ao atacar depósitos de combustível, os agressores estão liberando materiais perigosos e substâncias tóxicas no ar, envenenando civis, devastando o meio ambiente e colocando vidas em risco em grande escala.”
Já o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, afirmou que os depósitos eram usados para abastecer os esforços de guerra do Irã, incluindo a produção ou armazenamento de propelente para mísseis balísticos. “Eles são um alvo militar legal.”
Para o Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o ataque massivo contra Teerã levanta “sérias dúvidas sobre se as obrigações de proporcionalidade e precaução previstas no direito internacional humanitário foram cumpridas”.
Os locais atingidos “não parecem ser de uso exclusivamente militar”, destacou uma porta-voz.
Prejuízo ao meio ambiente
A chuva ácida afeta ecossistemas terrestres e aquáticos ao alterar a acidez do solo e da água, infiltrados por metais pesados. O fenômeno ameaça a biodiversidade, podendo provocar a morte de peixes e vários efeitos negativos para a vegetação.
As plantas podem crescer menos e se tornarem menos produtivas por causa de danos aos seus mecanismos de fotossíntese e reprodução. Já os corpos d’água podem sofrer mudanças na coloração e redução nas populações de organismos diversos ou se tornarem inabitáveis para peixes devido à acidez elevada.
Também a agricultura está sujeita a efeitos nocivos, com o retardamento do crescimento das culturas e prejuízos para a produção.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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