Estupros em série: pai de santo que incorporava Zé Pilintra é preso

Vinícius Schmidt/Metrópoles
pai de santo com a mão no rosto

O pai de santo Leandro Mota Pereira, de 37 anos (foto em destaque), que estava foragido desde agosto do ano passado, foi preso nessa terça-feira (10/2) por policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Conhecido como Pai Leandro de Oxóssi, ele foi capturado em Sobradinho II (DF), em um condomínio residencial. O suspeito foi encontrado dentro de um quarto, escondido embaixo da cama.

De acordo com a Polícia Militar, a corporação recebeu informações sobre o possível esconderijo do foragido em um condomínio na região onde ocorreu a prisão. No local, duas mulheres atenderam os policiais no portão. Nesse momento, os militares avistaram o homem tentando fugir pelos fundos do imóvel e seguiram em sua direção, enquanto as mulheres tentavam impedir a ação policial.

Contra ele havia um mandado de prisão em aberto pelo crime de estupro de vulnerável. Além disso, o suspeito também é investigado por pelo menos outros quatro estupros. Após a prisão, ele foi encaminhado à 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II).


Entenda o caso: 


Chá batizado

Em um dos casos do qual a coluna Na Mira teve acesso, uma mulher foi convencida a dormir na propriedade na companhia de um casal de filhos, entre eles uma garota de 17 anos – também alvo do pai de santo, em maio de 2024.

Quando a adolescente começou a dormir no local, Leandro sempre lhe oferecia chá e suco. No entanto, nas manhãs seguintes, a vítima relata que acordava com cólicas e sangramentos que não cessavam. Em uma das noites, como de costume, Leandro entregou o chá, mas a jovem tomou apenas um gole. No meio da madrugada, a garota acordou com o religioso completamente nu, deitado sobre ela.

Assustado quando percebeu que a vítima estava consciente, o pai de santo teria tampado a boca da menina com as mãos para evitar que ela gritasse e assim consumasse o estupro. No dia seguinte, quando a adolescente acordou, a vítima disse que o suspeito a ameaçou, falando que se ela contasse para alguém, o irmão dela iria pagar. E que faria “macumba” para matar o garoto. Os estupros perduraram por semanas.

Em várias oportunidades, o pai de santo sussurrava no ouvido da garota: ” O Zé já me falou que você quer”. O líder do terreiro usava a figura de “Zé Pilintra”, uma entidade popular na cultura afro-brasileira, para justificar suas ações criminosas. Logo depois, Leandro começava os abusos sexuais. De acordo com vítima, ele costumava simular a incorporação de “Seu Zé”, e que a entidade falava para a jovem que ela deveria manter relações com o chefe do terreiro.

Sexo escondido

O  pai de santo mirava mulheres suscetíveis aos ataques e que apresentassem sinais de vulnerabilidade e facilidade de manipulação. Outra vítima havia procurado a umbanda em busca de cura, proteção espiritual e apoio emocional. Após três meses frequentando o terreiro, Leandro passou a enviar mensagens por meio do WhatsApp para a jovem, convidando-a para ir até a loja de artigos religiosos que ele possuía.

A vítima foi até o estabelecimento e ouviu do pai de santo que ele precisava “ensiná-la algo”. O suspeito foi direto e disparou: “Vamos começar a transar e ninguém vai ver”. À PCDF a mulher relatou que o religioso a obrigou a ter relações sexuais dentro da loja e na casa dela por semanas a fio.

Controlador, Leandro ameaçou a vítima afirmando que havia “hackeado o celular” dela e conseguia ver todas as mensagens. Em um dos estupros, o religioso teria amarrado as mãos da mulher para trás e utilizado um cinto para bater nas costas e nádegas da vítima. Mesmo com os pedido para cessar com as agressões, o pai de santo teria prosseguido.

A mulher passou a ser perseguida e ameaçada pelo líder do terreiro e precisou mudar de cidade e de telefone para escapar das investidas.

“Jamais dopei ninguém com chá”

Procurado pela coluna, Leandro nega as acusações. “Eu nunca tive qualquer relação sexual, consentida ou não, com esta pessoa, jamais dopei ninguém com chá ou qualquer outra bebida. A pessoa passava os fins de semana no terreiro para ritos religiosos, e estava sempre acompanhada de outros filhos de santo, em momento algum ficou sozinha comigo. Nunca, jamais houve estupro nem tive qualquer outro envolvimento com essa pessoa”, defendeu-se.

O acusado disse, ainda, que nunca recebeu em sua loja de artigos religiosos nenhuma mulher com o propósito de ensinar algo, nem pediu para ter relação sexual com ninguém. “Nunca fiquei sozinho com nenhuma mulher na loja, muito menos mantive relação sexual com ninguém lá. Ao frequentar casas dos filhos de santo, sempre estou acompanhado de minha esposa, amigos e filhos de santos antigos”, garantiu.

Sobre as ameaças suspostamente direcionadas às vítimas, Leandro também nega as acusações. “Jamais ameacei nem hackeei o celular de ninguém, pois não sei nem mesmo como fazer isso. Nunca amarrei e nem bati nas nádegas de nenhuma mulher. Nunca agredi nem estuprei nenhuma mulher”, finalizou.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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