Faltam 200 e poucos dias para se saber se Lula apostou certo

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidente Lula

Dá-se como certo que o governo e o PT erraram por não atentar para o risco de Flávio Bolsonaro consolidar-se tão cedo como candidato a presidente da República. Ele pôde fazê-lo livremente, a salvo de críticas e contestações, a ponto de empatar com Lula nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

Não será surpresa para ninguém se Flávio ultrapassar Lula na próxima rodada de pesquisas. A vida de candidato da oposição, a princípio, costuma ser melhor do que a vida de quem governa e aspira a um novo mandato. Um vende promessas. O outro, além de ter de governar e prestar contas, justifica o que não fez.

No caso da ascensão de Flávio, o erro deveria ser compartilhado com outros atores. O PSD de Gilberto Kassab, com três aspirantes a candidato, deixou para escolher mais tarde qual deles iria à luta. Partidos do Centrão relutaram em acreditar no que viam. E a imprensa… Bem, ela apostava em Tarcísio de Freitas.

Quem não apostou em Tarcísio foi ele, o submisso ao primeiro ex-presidente da história do país condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Faltou-lhe coragem. Temeu ser vetado por Bolsonaro que o elegeu governador de São Paulo. Resta-lhe sonhar que o cavalo encilhado passe outra vez à sua frente.

Faltam 205 dias para o primeiro turno da eleição, no domingo 4 de outubro. É muito tempo e tudo pode acontecer, inclusive nada. Só não parece ser tanto tempo para os políticos e nós, jornalistas. Os políticos, porque seu destino está sendo traçado desde já; os jornalistas, porque sentem-se desafiados a bancar adivinhos.

Por essa época, em 24 de março de 2022, a Folha de S. Paulo publicou recorte de pesquisa do Datafolha sob o título “Ações ‘pró-pobre’ de Bolsonaro minam Lula e armam bomba-relógio para 2023”. E dizia no subtítulo: “Eleitores com renda de até 2 salários-mínimos alavancam presidente e decidirão campanha”.

Entre as ações já adotadas pelo governo ou em curso, segundo o jornal, o Auxílio Brasil era a mais potente. Eram quase R$ 90 bilhões distribuídos no ano eleitoral a 18 milhões de pessoas que ganhavam até dois salários-mínimos (R$ 2.424). Elas receberiam R$ 400 mensalmente até dois meses após o segundo turno.

Na edição de hoje (13/3/2026), a Folha publica: “Lula reedita Bolsonaro e lança pacote para conter preço do diesel em ano eleitoral”. E lembra:

“Em 11 de março de 2022, na esteira dos impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia, Bolsonaro sancionou a lei que zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha até o fim daquele ano e alterou a cobrança do ICMS estadual sobre esses itens —iniciativa que gerou um passivo bilionário para a União.”

No primeiro turno de 2022, Lula venceu Bolsonaro com 48,43% dos votos válidos contra 43,20%. O segundo turno foi o mais dramático da História: Lula, 50,30%; Bolsonaro, 49,10%. Bolsonaro foi o único presidente candidato à reeleição que perdeu. Lula quer ser o único brasileiro a governar o país quatro vezes.

Não se deve unicamente à surpresa a falta de reação do governo e do PT ao crescimento de Flávio. Deve-se também ao cálculo de que seria mais vantajoso bater-se com ele do que com Tarcísio, que uniria a direita. Parte da direita, há quatro anos, votou em Lula. Ele espera que vote de novo para derrotar o filhinho do papai.

A conferir no final de outubro.

 

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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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