Família de advogada morta contesta suicídio e implora por justiça

Material cedido ao Metrópoles
Viviane Fidelis

Há exatamente seis meses, a família da advogada Viviane Souza Fideles (foto em destaque), encontrada morta aos 30 anos, em 18 de setembro de 2025, convive com a angústia de não saber o que, de fato, ocorreu dentro do apartamento onde ela morava, em Cuiabá (MT), no dia de sua morte. Ela ainda não foi sepultada.

De acordo com os familiares, uma decisão da Justiça colocou o corpo de Viviane sob a guarda da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Posteriormente, ele foi levado a um crematório da cidade, onde permanece preservado até que a Justiça autorize a cremação.

À coluna, a família — que não acredita em suicídio, linha de investigação considerada desde o início — afirma que não busca vingança, mas sim o direito à verdade e à Justiça, para que as circunstâncias da morte sejam esclarecidas.

As contradições

Segundo a família, a perícia realizada no local da morte durou apenas 28 minutos. Além disso, quando os profissionais chegaram, o corpo já teria sido movimentado, sem que a posição e demais detalhes tivessem sido devidamente documentados pelos investigadores.

“O ex-namorado de Viviane, parente de político influente, moveu o corpo e permaneceu com o celular dela antes da chegada da perícia. Posteriormente, entregou o aparelho aos peritos, que colocaram o celular novamente na cena, registrando no laudo que ele estava ao lado do corpo. A polícia nunca investigou esse fato e ignorou pedidos para realizar a triangulação das antenas de celular”, reclamam os parentes em uma carta aberta.

Além de lidar com a dor da perda e a falta de respostas, os familiares e a própria Viviane também foram vítimas de uma violência grave: fotografias do corpo dela circularam em grupos de WhatsApp.

De acordo com a versão documentada por pessoas próximas, os presentes no local da morte nunca foram identificados ou ouvidos, incluindo a pessoa que fez e divulgou as imagens.

Além disso, o ex-namorado de Viviane, que a família considera o principal suspeito, teria afirmado três vezes que não havia descido as escadas do prédio após encontrá-la morta. Contudo, imagens obtidas pela família demonstrariam o contrário, mostrando-o descendo as escadas com dois celulares nas mãos, o que indicaria que ele estava com o telefone de Viviane.

“Antes mesmo de iniciar o interrogatório, o delegado pediu desculpas a ele por estar o interrogando, fato que causa profunda estranheza. Além disso, as oitivas realizadas no inquérito passaram a direcionar questionamentos contra a própria mãe da vítima, em vez de esgotar todas as hipóteses investigativas”, desabafa a família.

Após seis meses de tramitação, o inquérito segue aberto sem que nenhum laudo conclusivo tenha sido apresentado.

A família afirma ainda que o exame toxicológico foi realizado apenas 33 dias após o óbito. Mesmo assim, teria sido identificado cromossomo Y no material subungueal, indicando a presença de material genético masculino, cuja origem nunca foi identificada.

“Apesar da gravidade dos fatos, a promotora responsável não tem atuado de forma efetiva e chegou a apresentar pedido para impedir que a família divulgue o caso, sob o argumento de preservar a intimidade da vítima. Enquanto isso, diversas diligências essenciais seguem sem resposta, e as investigações continuam direcionadas predominantemente à hipótese de suicídio, sem apuração adequada da possibilidade de homicídio”, afirmam.

Pedido de socorro

Diante do prolongamento da dor e de um ciclo que nunca pôde ser fechado — nem mesmo com velório e enterro —, a família de Viviane cobra uma série de providências para garantir uma investigação considerada imparcial sobre a morte da jovem.

Entre as medidas exigidas estão a federalização do caso, a realização de uma nova necropsia por peritos independentes de outro estado e a reconstituição dos fatos com acompanhamento das partes envolvidas.

Os familiares também pedem a devolução do celular da vítima após perícia completa, a preservação das roupas usadas no momento da morte e a apuração rigorosa de possíveis falhas na investigação, como a quebra da cadeia de custódia e o vazamento de imagens do corpo.

Além disso, a família solicita a identificação de todas as pessoas que estavam no local, a realização de diligências técnicas ainda não feitas e a responsabilização de eventuais agentes públicos por falhas na apuração.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil informou que o inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está em fase conclusiva e que já foi apresentado nos autos a análise do celular da vítima, sendo que, agora, a Polícia aguarda o resultado de outras providências finais para conclusão do procedimento.

“A DHPP esclarece que até o momento todas as informações convergem para cenário de auto eliminação, mas ressalta que a análise final do caso constará do relatório conclusivo das investigações.”

 

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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