O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo (8) uma reportagem sobre a suposta aquisição de uma mansão de alto padrão ligada ao prefeito de Ananindeua (PA), Daniel Santos (PSB). O imóvel fica em Fortim, no litoral do Ceará, a cerca de duas horas de Fortaleza.
Segundo a reportagem, a casa teria sido comprada por meio da empresa Agropecuária J D LTDA, ligada ao prefeito. O contrato indica valor de R$ 2,5 milhões, mas o custo total da residência pronta pode chegar a R$ 4 milhões.
De acordo com o Ministério Público do Pará (MPPA), o imóvel é apontado como possível evidência de um esquema que envolve corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa para desvio de recursos públicos.
Investigadores afirmam que cinco empresas e quatro pessoas do Pará teriam contribuído para pagar parcelas do imóvel. A relação dos pagadores foi entregue ao MP pela construtora responsável pela obra, que não é investigada.
Documentos apontam que empresas recebiam pagamentos da Prefeitura de Ananindeua por contratos ou fornecimento de materiais e, no mesmo dia ou no seguinte, transferiam parte do valor para quitar parcelas da casa.
Uma das empresas citadas é a NEL BRS, fornecedora de material escolar para a Secretaria Municipal de Educação. Segundo a reportagem, após receber quase R$ 1,5 milhão da prefeitura por duas notas fiscais emitidas em 2024, a empresa teria transferido R$ 866 mil para o pagamento de uma parcela do imóvel.
O procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirmou que o Ministério Público também investiga a evolução patrimonial do prefeito.
Na eleição de 2024, Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de quase R$ 5 milhões. Em julho do ano passado, o MP pediu o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens ligados ao gestor, incluindo uma fazenda adquirida em 2020 por R$ 16 milhões.
Daniel Santos é investigado por suspeita de corrupção ativa, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O processo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) após discussão sobre possível envolvimento da esposa do prefeito, a deputada federal Alessandra Haber (MDB), que tem foro privilegiado — embora, segundo o MP, ela não seja investigada.
Após uma operação de busca e apreensão, investigadores afirmam que o prefeito teria tentado transferir a mansão para o nome da deputada, mas a escritura não foi concluída porque seria necessário comprovar a origem dos recursos usados na compra.
A ministra Cármen Lúcia deverá decidir se o caso permanece no STF ou retorna à Justiça do Pará. Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu temporariamente a investigação até a análise de um pedido da defesa para anular o processo.
Neste domingo, o procurador-geral de Justiça do Pará enviou manifestação ao STF afirmando que os fatos investigados são diferentes de um processo anterior anulado e que houve tentativa de impedir o avanço das apurações.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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