
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse que a autonomia financeira do BC poderia reforçar a capacidade de supervisão sobre o mercado da instituição. A afirmação foi feita durante comentário sobre o caso do Banco Master, em evento realizado em São Paulo, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), sobre o tema estabilidade financeira.
“Temos um aumento no número das instituições que estão sob supervisão do Banco Central e outras que não estão, em meio à redução significativa de pessoas e recursos”, disse Galípolo. “Tenho falado de maneira reiterada sobre a necessidade de dar um salto, fazer um catching up (uma ‘atualização’) no que estamos atrasados, de autonomia financeira e orçamentária.”
O presidente do BC brasileiro observou que vários bancos centrais do mundo discutem como, com a inteligência artificial, migrar da supervisão por amostragem a uma mais ampla e detalhada. “Mas tenho questões de sigilo”
Passo a passo
Ao longo de sua exposição no evento, Galípolo relatou a sequência de fatos que marcaram a atuação do BC no caso Master, eximindo os diretores do órgão de qualquer responsabilidade ou atraso nas decisões. Esse processo culminou em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial e instaurou o Regime de Administração Especial Temporária (RAET) no Master.
Galípolo observou que um dos problemas identificados em comentários sobre a operação do Master eram as captações de CDBs emitidos com percentual acima da taxa do CDI. “Mas, como se sabe, não há nenhum tipo de regra que vede essas captações a uma taxa como aquela”, disse. “Então, aquilo não configuraria, como muita gente achou que poderia configurar, um objeto para fazer qualquer coisa como liquidar o banco.”
Credibilidade
O presidente do BC disse que, no fim de 2024, a instituição começou a passar por “problemas de credibilidade, de dificuldades de fazer captação em plataforma”. “Isso impõe restrições de liquidez”, afirmou. “Ainda em novembro (de 2024), a diretoria de Fiscalização do BC chama o banco para um termo de comparecimento, dando um cartão amarelo, e dá seis meses, não quatro, para que o banco apresentasse as devidas correções do ponto de vista de liquidez, governança e patrimônio”, mencionou.
Em janeiro, segundo Galípolo, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, que assumiu o cargo em 2023, começa a “levantar dúvidas sobre algumas negociações de carteira”. “O que soou estranho era a formação de novas carteiras, num cenário de problemas de liquidez”, disse. Em fevereiro, um grupo específico foi criado para fazer uma analisar essas mesmas carteiras.
Notícia de fatos
Na sequência, em março, acrescentou Galípolo, esse grupo apresentou uma primeira versão desses estudos para o diretor de fiscalização do BC. “Não foram encontradas evidências que corroborassem a existência da carteira”, afirmou. “Naquele momento, o Ailton (o diretor de Fiscalização) traz para mim justamente esse problema, dizendo que isso justificaria a gente fazer uma notícia de fatos. Naquele momento, chega também a possibilidade de aquisição do Master pelo BRB.”
A análise demorou porque a documentação chegava de maneira incompleta. O diretor de Fiscalização deu o cartão amarelo, identificou o que potencialmente possa ser a fraude, notificou o Ministério Público”, disse Galípolo. “Preciso dar o mérito a Renato de Brito Gomes (diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC), que foi extremamente diligente na proposta de aquisição.”
A partir de abril, relatou o presidente do BC, ocorre uma coordenação do trabalho junto com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “Não há nenhuma carta com valor ou coisas desse tipo”, disse. “O que o FGC passou a fazer foi pagar os CDBs que já teria de pagar no caso de uma liquidação.” Para Galípolo, foi graças ao trabalho coordenado com o FGC que foi possível constituir um processo de rejeição da compra do BRB e também do voto de liquidação.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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