Grammy 2026 vira palco político, provoca Trump e domina debate global

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68th GRAMMY Awards – Show

O Grammy Awards 2026, realizado neste domingo (1/2) na Crypto.com Arena, em Los Angeles, extrapolou o universo musical e se consolidou como um dos eventos culturais mais politizados dos últimos anos. Entre performances grandiosas, vitórias históricas e homenagens emocionantes, a cerimônia, que marcou a 68ª edição da premiação, foi marcada por discursos contundentes sobre imigração, críticas diretas ao presidente Donald Trump e uma reação pública do próprio chefe do Executivo ainda durante a madrugada, colocando a premiação no centro do debate político global.

Protestos contra o ICE marcam a abertura do Grammy 2026

Antes mesmo dos discursos e das premiações, o Grammy 2026 já dava sinais claros de que seria uma noite de posicionamento político. Diversas celebridades usaram o tapete vermelho para condenar as recentes ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). Nomes como Billie Eilish, Justin e Hailey Bieber, Kehlani e a veterana Joni Mitchell exibiram broches com a frase “ICE Out” [Fora ICE], transformando o acessório em um símbolo silencioso de protesto e solidariedade aos imigrantes.

Justin Bieber e Hailey Bieber no tapete vermelho do Grammy 2026

Trevor Noah usa humor afiado

Pelo sexto ano consecutivo como apresentador, Trevor Noah abriu a cerimônia com um monólogo que rapidamente deixou claro o tom da noite. Em meio a piadas sobre a indústria musical, o comediante sul-africano fez referências diretas ao presidente dos Estados Unidos, arrancando aplausos da plateia.

Ao comentar a ausência de Nicki Minaj, Noah ironizou dizendo que a rapper estaria “na Casa Branca com Donald Trump discutindo assuntos muito importantes”.

Em outro momento, afirmou que o Grammy estava sendo exibido “completamente ao vivo” porque, caso houvesse edição, “o presidente processaria a CBS em US$ 16 bilhões”, em referência direta ao processo movido por Trump contra o programa 60 Minutes.

A piada mais incisiva veio após a vitória de Billie Eilish em Canção do Ano.

“Esse prêmio é quase tão desejado quanto Trump quer a Groenlândia”, disse Noah, completando: “Como a ilha do Epstein acabou, ele precisa de uma nova para passar o tempo com Bill Clinton”. A fala provocou risos no público e repercussão imediata fora do teatro.

Trevor Noah

Trump reage nas redes e ameaça processo

A resposta do presidente não demorou. Às 1h da manhã, Trump usou sua rede social para atacar Trevor Noah, classificar o Grammy como “virtualmente intragável” e insinuar que poderia processar o apresentador.

Na publicação, Trump negou qualquer ligação com Jeffrey Epstein, apesar de seu nome constar em registros divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça, assim como o do ex-presidente Bill Clinton.

O embate público reforçou a dimensão política que a cerimônia assumiu, ampliando sua repercussão para além do entretenimento e dominando o noticiário internacional nas horas seguintes.

Bad Bunny transforma o palco em manifesto pró-imigração

Se Trevor Noah lançou as provocações iniciais, foi Bad Bunny quem protagonizou um dos discursos mais aplaudidos da noite. Ao subir ao palco para receber seu prêmio, o artista porto-riquenho iniciou sua fala com um direto “ICE Out”, em crítica explícita às políticas de imigração e às ações da agência de controle de fronteiras dos Estados Unidos.

“Não somos selvagens. Não somos animais. Não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos”, afirmou, sob aplausos intensos da plateia.

A fala ganhou força especial em um contexto de endurecimento do discurso anti-imigração no país e rapidamente viralizou nas redes sociais.

A presença política de Bad Bunny deve continuar em evidência: o cantor está confirmado como atração do show do intervalo do Super Bowl no próximo domingo (8/2), o que aumenta a expectativa sobre novos posicionamentos públicos.

Bad Bunny

Billie Eilish e a defesa direta dos imigrantes

A vitória de Billie Eilish em Canção do Ano com Wildflower também foi marcada por um discurso de forte teor político. Ao agradecer pelo prêmio, a artista fez uma declaração direta e simbólica: “Ninguém é ilegal em terras roubadas”.

A frase foi interpretada como uma crítica ao histórico de colonização e às atuais políticas migratórias dos Estados Unidos. Nas redes sociais, a fala dividiu opiniões, mas recebeu amplo apoio de artistas, ativistas e fãs, consolidando Billie como uma das vozes mais ativas politicamente de sua geração.

Finneas O’Connell e Billie Eilish durante o discurso

Novos artistas reforçam o tom de resistência

O discurso político não ficou restrito aos grandes nomes da noite. Ao vencer a categoria de Artista Revelação, a britânica Olivia Dean se emocionou ao lembrar sua história familiar.

“Estar aqui como neta de um imigrante é algo que eu nunca imaginei”, afirmou, visivelmente comovida.

A fala reforçou o clima de solidariedade e resistência que atravessou a cerimônia, especialmente entre artistas mais jovens, que usaram o palco para abordar identidade, pertencimento e diversidade.

Olivia Dean

Entre música e política, um Grammy longe da neutralidade

Ao longo de mais de seis horas de cerimônia, o Grammy 2026 deixou claro que não pretende ocupar um lugar neutro no debate público. Entre piadas afiadas, discursos emocionados e respostas presidenciais em tempo real, a maior noite da música se consolidou como um reflexo direto das tensões políticas e sociais do momento.

Mais do que premiar álbuns e artistas, o evento mostrou que arte, cultura e política seguem profundamente entrelaçadas — e que o palco do Grammy continua sendo um dos espaços mais visíveis para essa disputa.

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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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