
A rotina matinal de bem-estar de Kris Jenner, divulgada em entrevista recente, inclui café ao acordar, smoothie proteico com sea moss e treino de força. O combo, associado à imagem de vitalidade da empresária, levantou uma pergunta inevitável: funciona mesmo, especialmente para mulheres acima dos 50 anos?
Para analisar os hábitos sob a perspectiva científica, a coluna Claudia Meireles conversou com a endocrinologista Lidiane Moura, médica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Café logo ao acordar pode interferir no cortisol
Apesar de comum, o café imediato pode não ser a melhor estratégia hormonal. Segundo a médica, o ideal é priorizar água ao despertar e aguardar cerca de uma hora antes de consumir cafeína.
“O ideal seria tomar água e aguardar pelo menos 60 minutos após acordar para ingerir o café, evitando assim dependência da cafeína e podendo ter um melhor benefício do café nas funções cognitivas e metabólicas, sem prejudicar o pico do cortisol matinal”, explica.
O cortisol já se eleva naturalmente nas primeiras horas do dia. Respeitar esse ciclo pode favorecer o equilíbrio hormonal e melhorar a resposta energética ao longo da manhã.

Smoothie proteico é aliado importante após a menopausa
A ingestão de proteína pela manhã é um dos pontos que recebem avaliação positiva da especialista, principalmente para mulheres na pós-menopausa.
“O smoothie proteico é uma ótima opção pela manhã pois evita o catabolismo muscular e aumenta a saciedade. Para mulheres 50+, é super recomendado pois estão em fase de perda de massa muscular devido à menopausa”, afirma.
A perda de massa magra se intensifica com a queda hormonal, e a distribuição adequada de proteína ao longo do dia é considerada estratégia importante para manutenção metabólica.
Sea moss: rico em minerais, mas exige moderação
O sea moss, ou musgo-irlandês, é uma alga vermelha apontada como “superalimento”. Ele é rico em minerais — cerca de 92 micronutrientes, incluindo ferro, magnésio, cálcio, zinco e especialmente iodo, fundamental para a tireoide. Pode ser encontrado em gel, pó, cápsulas ou desidratado, sendo facilmente adicionado a smoothies e sopas.
No entanto, a endocrinologista reforça que o consumo deve ser cauteloso: “Deve-se ter cuidado com o excesso, pois é rico em iodo e pode desregular a tireoide e pode conter metais pesados.”
O excesso também pode provocar desconfortos digestivos. A orientação é sempre buscar avaliação médica antes de incluir suplementos na rotina.

Treino de força é o verdadeiro pilar da longevidade
Entre todos os hábitos citados, a musculação é o que encontra maior respaldo científico, especialmente na menopausa. Do ponto de vista fisiológico, a médica explica que o final da tarde ou início da noite seria o horário mais favorável.
“Fisiologicamente, o treino de força deveria ser realizado no final da tarde ou início da noite, pois nesse horário o corpo está em temperatura mais adequada, cortisol e testosterona também atingem níveis ideais e o glicogênio muscular foi acumulado ao longo do dia”, afirma Lidiane.
Ainda assim, ela ressalta que regularidade é mais importante do que o horário escolhido. “O ideal é cada um realizar o treino de força no horário que se sinta melhor e lhe convenha. Com a constância do treino o corpo se adapta.”
Para mulheres na menopausa, os benefícios são amplos: preservação de massa muscular, manutenção da densidade óssea, controle glicêmico, auxílio no peso, redução de risco cardiovascular, melhora do sono e alívio de sintomas típicos do período.
“O treino de força é considerado o exercício-chave para a mulher na menopausa”, destaca a médica.
Cardio não é obrigatório todos os dias
O exercício aeróbico tem benefícios metabólicos e cardiovasculares, mas pode ser ajustado à rotina individual.
“O cardio diário constante tem benefícios, mas não precisa ser obrigatório. Pode ser ajustado principalmente se há necessidade de ganho de massa muscular”, explica Lidiane.
Exercício em jejum pode trazer riscos
Treinar sem alimentação prévia não é indicado para a maioria das pessoas. “O exercício físico em jejum pode causar hipoglicemia, fadiga, tontura e catabolismo muscular”, alerta a endocrinologista.
Embora algumas pessoas se adaptem a treinos leves, a recomendação geral é evitar musculação sem ingestão proteica antes.
O risco de copiar rotinas de celebridades
Um dos principais alertas da especialista é sobre a tentativa de replicar estratégias divulgadas por famosos.
“Não é recomendado tentar replicar rotina de atividades de celebridades, pois cada metabolismo é único e precisa de estratégias diferentes. Comumente as pessoas não alcançarão os mesmos resultados e podem desenvolver deficiências nutricionais”, afirma a especialista.

O que realmente importa
A combinação café, smoothie e musculação pode ser positiva, mas deve ser adaptada conforme idade e condições clínicas.
“Essa combinação é muito boa, mas deve ser adaptada para idade, patologia pré-existente e condição de saúde. Devemos ter cautela com pacientes idosos, diabéticos, gestantes e pessoas com patologias cardiológicas”, orienta a endocrinologista.
Para uma mulher com rotina corrida, a endocrinologista sugere foco na constância: treino de força ao menos quatro vezes por semana, inclusão estratégica de cardio, ingestão proteica antes do exercício, horário fixo para treinar e hidratação adequada ao longo do dia.
“O mais importante é a rotina constante e associar a uma boa alimentação ao longo do dia e hidratação adequada”, resume.
Mais do que ingredientes da moda ou horários específicos, o que sustenta saúde e longevidade após os 50 é regularidade, equilíbrio hormonal e individualização.
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Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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