
A busca incessante pela performance física e pelo corpo ideal tem levado muitos entusiastas do estilo de vida “fitness” a cruzarem uma linha perigosa. O que nasce como um hábito de saúde pode, sem o devido equilíbrio, transformar-se em uma ameaça cardiovascular.
Segundo o cardiologista Wendel Silva Issi, o segredo da longevidade do coração não está nos extremos, mas na moderação. De maratonas extenuantes ao uso indiscriminado de termogênicos, a ciência alerta: o excesso de zelo também pode adoecer o músculo cardíaco.
Entenda
O limite do esforço físico
A atividade física é, reconhecidamente, um dos maiores escudos contra doenças. No entanto, Wendel Silva Issi pontua que volumes extremos de exercícios de resistência, praticados por anos a fio — como no caso de triatletas e ciclistas de longa distância —, promovem adaptações estruturais complexas.

Embora o “coração de atleta” seja geralmente uma adaptação positiva, esforços repetidos e exaustivos podem gerar pequenas áreas de fibrose (cicatrização) e acúmulo de cálcio nas artérias coronárias.
“Esses achados sugerem que volumes extremos podem favorecer arritmias, como a fibrilação atrial, em pessoas predispostas”, explica o médico. O alerta não é para o sedentarismo, mas para a necessidade de monitoramento médico em atletas de alta performance.
A armadilha dos suplementos “naturais”
Outro vilão frequente nos consultórios é o uso de suplementos para emagrecimento ou ganho de energia sem prescrição. Muitos desses compostos, mesmo os rotulados como naturais, contêm altas doses de estimulantes. O resultado pode ser desastroso: palpitações, arritmias e picos de pressão arterial.
O risco é potencializado em indivíduos que já possuem alguma condição cardíaca preexistente ou que fazem uso de medicamentos contínuos, transformando o “pré-treino” em um gatilho para eventos adversos.
Dietas extremas e o perfil lipídico
No campo da nutrição, as dietas da moda também inspiram cautela. Padrões alimentares excessivamente restritivos, como a retirada total de carboidratos sem planejamento, podem alterar negativamente o perfil de gorduras no sangue (lipídios) e causar deficiências nutricionais.
As diretrizes internacionais de cardiologia são enfáticas: o equilíbrio sustentável a longo prazo é superior a qualquer estratégia radical de curto prazo.
A negligência do descanso
Por fim, o especialista destaca que nenhum treino ou dieta compensa uma noite mal dormida. A privação do sono mantém o sistema nervoso simpático em alerta constante, aumentando a inflamação do organismo.
“A saúde do coração é um polígono que depende do equilíbrio entre exercício, alimentação, recuperação e sono regular”, conclui Wendel. Sem o descanso adequado, o corpo não se recupera do estresse físico, elevando o risco de hipertensão ao longo da vida.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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