
A relação do brasiliense Bernardo Bonifácio, de 19 anos, com a cozinha começou ainda na infância, quando ele se aproximava das panelas de casa mais por curiosidade do que por obrigação. Bernardo ajudava, sugeria opções de jantar e almoço, e participava de todas as etapas.
Neste sábado (21/3), Dia Mundial da Síndrome de Down, histórias como a de Bernardo destacam a necessidade do incentivo à autonomia e à quebra de estigmas.
Bernardo transformou o gosto pela cozinha em algo para além de um hobby. Hoje ele cursa Gastronomia no Centro Universitário de Brasília (Ceub), e encontrou na rotina de aulas um caminho para desenvolver sua independência.
Um dos momentos que marcaram a trajetória do jovem aconteceu dentro da sala de aula, quando ele preparou a primeira receita completa, uma caponata. Bernardo escolheu os ingredientes, organizou o preparo e cortou cada um dos itens.
“Hoje, ele já manuseia facas e faz cortes com mais segurança. A evolução é nítida”, conta a mãe, Carina Bonifácio. No dia a dia, ela observa mudanças que vão além da cozinha. Bernardo já organiza melhor suas tarefas e dá sinais de maior autonomia.
Na bancada, o jovem é metódico. Ele segue receitas à risca, respeita etapas e demonstra cuidado com cada detalhe. A disciplina exigida pela gastronomia se transforma, também, em ferramenta de desenvolvimento pessoal.
Apoio da universidade
Ao longo da formação, Bernardo conta com uma rede de apoio que envolve professores, acompanhamento pedagógico e integrantes da família. No ambiente acadêmico, o suporte é estruturado para respeitar o ritmo pessoal, com adaptações e acompanhamento contínuo.
Segundo a gestora de educação inclusiva da instituição, Mariana Machado, o trabalho parte do princípio de que não existem soluções únicas: cada estudante exige estratégias próprias.
Esse processo já passou por ajustes. Em um primeiro momento, Bernardo frequentava as aulas com acompanhamento terapêutico. Com o tempo, o apoio foi revisto para favorecer mais independência, mas ainda manter o suporte necessário dentro da rotina universitária.
Evolução
Os resultados aparecem fora dos relatórios. “Notamos uma evolução muito grande na autonomia e na independência do Bernardo”, afirma a mãe.
Com a graduação em andamento, ele já projeta o futuro. O jovem quer trabalhar, desenvolver projetos próprios e conquistar independência financeira. Planos comuns a muitos jovens, mas que, no caso dele, carregam um peso simbólico maior diante das barreiras ainda enfrentadas por pessoas com síndrome de down.
No Brasil, a inclusão ainda esbarra em desafios estruturais. Em debate recente na Câmara dos Deputados, especialistas destacaram que garantir presença em espaços educacionais e profissionais não é suficiente e que é preciso assegurar condições para que essas pessoas avancem.
O Dia Internacional da Síndrome de Down faz referência aos três cromossomos no par 21, que caracteriza a condição genética. A data foi proposta pelo Brasil durante Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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