
Filho de pai pedreiro analfabeto e mãe doméstica semianalfabeta, Wesley Batista, de 23 anos, foi aprovado em 1º lugar para estudar medicina na Universidade de São Paulo (USP). O curso foi mais concorrido no vestibular deste ano da universidade, com relação de 90,7 candidatos por vaga.
Criado na periferia de Cajazeiras, em Salvador, na Bahia, Wesley diz que sempre sonhou com, um dia, estudar na USP.
“Fui aprovado no curso e faculdade dos meus sonhos”, celebrou.
O recém-aprovado estudou a vida inteira em escolas públicas. Ao Metrópoles, ele explicou que fez um planejamento estratégico com todos os conteúdos que tinha que estudar, além de um cronograma de matérias. Ele usava apostilas e livros doados e assistia aulas gratuitas no YouTube.
“A jornada do vestibulando é cheia de altos e baixos e tiveram momentos, ainda que poucos, em que desanimei. Mas retornava ao propósito inicial e me mantinha constante na preparação”, admitiu.
Wesley foi aprovado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, com a nota, conseguiria passar em todas as faculdades públicas e privadas do Brasil.
O estudante contou que, quando pequeno, vivia hospitalizado e internado por causa de um problema de saúde respiratório crônico. Foi esse contato recorrente com equipes médicas que despertou o desejo de estudar medicina.
Aprovado em medicina
A história de Wesley viralizou nas redes sociais.
“Ainda não consegui assimilar tudo e o começo dessa fama inesperada foi estarrecedora. Sou grato a Deus por todas as coisas e pelas pessoas se sentirem inspiradas e tocadas pela minha história!”, falou.
Wesley diz ser indescritível a sensação de ser aprovado. “Por mais que estivesse estudando, não acreditei que tinha conseguido e a ficha ainda não caiu completamente. Foi um turbilhão de sentimentos e hoje colho os frutos da minha persistência!”, disse.
Ele diz que sua família, que o apoiou durante a trajetória de estudos, também ficou muito feliz e com “sensação de dever cumprido”.
O jovem abriu uma vaquinha on-line para cobrir os futuros gastos com a vida em São Paulo. Apesar de a USP ser pública, Wesley prevê dificuldades para pagar despesas como aluguel, alimentação, transporte, material didático e despesas básicas. O arrecadamento ainda não alcançou metade da meta prevista, mas o estudante tem confiança de que vai conseguir a verba.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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