Macacos também conseguem brincar de “faz de conta”, mostra estudo

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Bonobos em habitat natural. O Bonobo (Pan paniscus), anteriormente chamado de chimpanzé pigmeu. República Democrática do Congo. África - otimista

Quem nunca imaginou, quando criança, que seu quarto era um castelo ou estar em um jogo de futebol emocionante? O “faz de conta” é uma das formas mais importantes de atividade lúdica e mostra a capacidade dos humanos de criar cenários através da criatividade. 

Mas um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriu que a habilidade da imaginação não é exclusiva dos humanos. O trabalho mostra que o macaco Kanzi, famoso por ser o mais inteligente do mundo, demonstrou ter a habilidade de brincar de “faz de conta”, assim como nós.

A pesquisa foi realizada antes da morte do animal criado em cativeiro, em março de 2025. Os resultados estão disponíveis na revista Science desde a quinta-feira (5/2).

“O estudo reforça a evidência de que alguns animais, incluindo os parentes mais próximos dos humanos, conseguem idealizar objetos, eventos e indivíduos que não estão ‘no aqui e agora’. Isso nos mostra que talvez eles tenham uma vida mental interior mais rica do que algumas pessoas imaginavam ou esperavam”, afirma a coautora do estudo, Amalia Bastos, em comunicado.

“Faz de conta” dos macacos

Relatos anteriores já mostravam chimpanzés fêmeas na natureza carregando gravetos como se fossem bebês, e primatas em cativeiro arrastando blocos imaginários após brincar com objetos reais.

Assim, os pesquisadores buscaram analisar se isso de fato ocorre. O animal escolhido para a tarefa foi Kanzi, que apesar de não ser um chimpanzé, era um bonobo, um grupo primata bem próximo. Ele era considerado o mais inteligente do mundo por ter aprendido a se comunicar com humanos através de símbolos gráficos. 

Para testá-lo, os pesquisadores fizeram uma “festa do suco”. Eles despejaram um suco imaginário em dois copos; em seguida, fingiram deixar um deles vazio. Posteriormente, ao questionar qual Kenzi preferia, ele apontou para o copo “cheio” em 68% das vezes. 

Em outro teste, agora com suco de verdade, ele optou pelo copo com o líquido verdadeiro em 80% das vezes. “Isso sugere que ele realmente consegue diferenciar entre suco de verdade e suco imaginário”, diz Amalia, em entrevista ao portal Science Alert.

Por fim, em tarefa semelhante com uvas, Kanzi escolheu o pote com frutas imaginária em 69% das tentativas.

Apesar dos resultados promissores, ainda não é consenso entre a comunidade científica que os macacos selvagens são capazes de fingir e ter a distinção correta entre a imaginação e a realidade, assim como nós. Isso porque Kanzi era um animal treinado e criado em cativeiro.

Novos estudos serão necessários para compreender mais detalhes sobre a mente dos primatas.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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