
O ex-prefeito e vereador Rui Palmeira (PSD) disse que Maceió (AL) “é o município que mais perdeu dinheiro” com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025. O político denunciou ao Ministério Público de Alagoas e à Polícia Federal supostas irregularidades envolvendo o investimento de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev) em letras financeiras do Master.
“Numa decisão do Comitê de Investimento, que durou cerca de duas horas, se deliberou rapidamente sobre esse investimento e Maceió aportou esse volume bastante significativo”, declarou Palmeira em vídeo.
Palmeira é filho do ex-governador de Alagoas e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Guilherme Palmeira. O político foi prefeito da capital alagoana por dois mandatos, de 2013 a 2020.
Na denúncia formalizada às autoridades, Palmeira apontou que houve “gravíssima afronta aos ditames legais que regem as reuniões” do Iprev. A Lei Ordinária de Maceió 5.828/2009, no artigo 107, exige a presença de sete conselheiros para iniciar a reunião e pelo menos seis para decisões.
Em 1 de dezembro de 2023, o Comitê de Investimentos do Iprev de Maceió aprovou investimento de R$ 80 milhões em letras financeiras do Master com apenas quatro pessoas, segundo ata que consta no anexo da denúncia.
“Como eles não tinham quórum, eles inseriram pessoas estranhas ao Conselho de Administração, o que configura uma fraude, um crime. Certamente, a Polícia Federal vai apurar”, declarou Palmeira no vídeo.
O Iprev de Maceió era assessorado pela consultoria Mercado e Crédito, de acordo com atas do instituto. O CEO da empresa, Renan Calamia, foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo por gestão temerária em razão de aportes do Iprev de Santo Antônio de Posse (SP) em letras financeiras sem garantia do Master.
O que diz o Iprev
À época da liquidação do Master, o Iprev de Maceió publicou uma nota afirmando que os pagamentos aos aposentados e pensionistas do instituto estavam “absolutamente garantidos”.
Procurado, o MPAL não se manifestou sobre o caso.
Na mira da PF
O investimento milionário de Previdências de estados e municípios no Banco Master está na mira da Polícia Federal.
Nesta sexta-feira (6/2), a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta para apurar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS-AP), administrado pela Amapá Previdência (Amprev), em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Na terça-feira (3), o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso temporariamente na segunda fase da Operação Barco de Papel. O caso apura aplicações de aproximadamente R$ 970 milhões do fundo fluminense em letras financeiras emitidas pelo mesmo banco.
As investigações do Amapá e do Rio de Janeiro estão inseridas no contexto mais amplo dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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