
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e a Urbia, concessionária do Parque do Ibirapuera, têm trocado acusações desde a reabertura da Marquise do Ibirapuera, há 10 dias. Um responsabiliza o outro por irregularidades na obra e ambos concordam em isentar a prefeitura de São Paulo.
O prédio do MAM faz parte da Marquise e foi fechado em agosto de 2024 por causa da reforma de R$ 87 milhões, bancada pela prefeitura e executada pela Urbia. A promessa é que as chaves seriam devolvidas em janeiro de 2025, mas isso só aconteceu em 26 de janeiro deste ano. Um dia depois, a marquise alagou após fortes chuvas.
O museu, que já vinha reclamando do prejuízo causado pelo atraso nas obras (R$ 7 milhões só até julho) e da dificuldade de comunicação com a Urbia, enviou ofício à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA) relatando que identificou graves falhas de infiltração e que todas as patologias do prédio deveriam estar sanadas após a devolução do edifício pela Urbia, As infiltrações indicariam “possível falha no sistema de drenagem e/ou vedação”.
No documento enviado à prefeitura, Elizabeth Machado de Oliveira, presidente do MAM afirma que, durante as chuvas, foi constatado o transbordamento de todas as caixas de areia das descidas de águas pluviais internas no prédio do museu.
Quando o ofício foi publicado pela imprensa — leia aqui –, o MAM colocou panos quentes. “Reconhecemos que, em uma obra histórica na marquise, dessa dimensão e complexidade, podem acontecer intercorrências”, afirmou em uma nota em que diz que a prefeitura tem sido “decisiva” para viabilizar uma obra complementar no museu, com aporte de R$ 10 milhões “garantido pelo gabinete do prefeito Ricardo Nunes”.
A Urbia reagiu acusando o MAM de cometer irregularidades na obra. Em uma notificação extrajudicial, afirmou que, após a reabertura da Marquise, constatou irregularidades praticadas pelo museu nas áreas públicas. As obras aconteceriam, de acordo com a concessionária, “sem qualquer autorização, apresentação de projeto ou alinhamento prévio com a Urbia”.
A empresa lista, entre as irregularidades, a utilização inadequada do piso da Marquise para o transporte e a colocação de equipamentos, operação de maquinários junto a caixilhos não retirados e não protegidos, contato de material de demolição e marcas de maquinários nos pilares da Marquise, com risco de dano estrutural, e depósito de material proveniente de escavação na sarjeta de água pluvial da Marquise.
Mostrando imagens de buracos abertos na terra para instalação de estacas para suportar tapumes, exatamente como existia durante a obra realizada por ela, a Urbia também culpa o museu por “degradação e realização de perfurações nas áreas verdes e jardins no entorno da Marquise, sem a devida recomposição ou isolamento ” e “realização de escavações e criação de desníveis no solo sem sinalização ou proteção, comprometendo a segurança dos usuários do local”.
O MAM respondeu em nota à imprensa. Disse que, uma vez impactado pela reforma da marquise, optou por realizar não apenas readequações pontuais, mas uma importante reorganização física. Essas intervenções, segundo o museu, tiveram o planejamento aprovado pela SVMA e seus projetos aprovados pelos órgãos de preservação competentes. “A documentação técnica, incluindo os projetos executivos da reforma e do canteiro de obras, foi regularmente encaminhada à SVMA, conforme os trâmites previstos”, afirmou o MAM.
Ainda de acordo com o museu, os trabalhos externos referem-se exclusivamente à reinstalação dos tapumes, etapa prevista no cronograma da obra, após sua retirada temporária por ocasião da inauguração da marquise, em 24 de janeiro de 2026.
“O MAM reafirma seu compromisso com o cumprimento rigoroso das normas de segurança, proteção e preservação do patrimônio, mantendo interlocução técnica permanente com a URBIA, com respeito ao Parque Ibirapuera e à segurança e ao bem-estar de seus frequentadores. A notificação encaminhada será respondida de forma criteriosa, com todos os esclarecimentos solicitados”, disse o museu, prometendo reabrir “nos próximos meses”.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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