Master: como será a primeira noite de Vorcaro na prisão em SP

Fraga Alves / Especial Metrópoles @fdefraga
Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, presos preventivamente em SP - Metrópoles

Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, devem passar a primeira noite na prisão em uma cela coletiva — e que está equipada com 12 camas. Os dois foram presos, nesta quarta-feira (4/3), pela Polícia Federal(PF) e estão detidos no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

Veja a chegada dos dois à unidade prisional:

A unidade tem oito pavilhões, cada um com oito celas. Cada cela tem 12 camas e um banheiro com duas latrinas e dois chuveiros, aos fundos.

Presos “em observação”

Ao Metrópoles, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que os dois estão em regime de observação, que é seguinte ao procedimento de inclusão do detento no sistema prisional.

De acordo com portaria da SAP, é na inclusão que o preso passa por revista e higienização pessoal e recebe um corte de cabelo padrão, além de ter barba e bigode raspados. Também é nesta fase que o custodiado recebe o uniforme da unidade prisional – camiseta branca e calça bege.

Já no regime de observação, o preso deve ocupar uma cela separada, e ter até duas horas de sol por dia, em momento diferente dos demais presos – isto se a arquitetura da penitenciária permitir, o que não é o caso do Complexo Penal II de Guarulhos.

A reportagem apurou que Vorcaro e Zettel já devem estar no convívio com outros detentos, em uma cela comum de um dos pavilhões da unidade.

Também no regime de observação, os presos têm direito à audiência com advogado e a receber visitas de até duas horas, a critério da direção da unidade. Nesta fase, no entanto, não são permitidas visitas íntimas.

Rotina e características da cadeia

No Complexo Penal II de Guarulhos, estão presos preventivamente acusados de grande repercussãocomo Douglas Alves Souza, de 26 anos, acusado de feminicídio após atropelar e arrastar por 1km a ex, Tainara Souza Silva, 31.

Na unidade, também há a Ala de Progressão Penitenciária (APP), destinada a presos do regime semiaberto, e a Prisão Civil (PC), para presos por dívida ou inadimplência por pensão alimentícia.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o complexo penal “não tem nada de especial”, e se assemelha aos demais administrados pela SAP. O café da manhã na unidade é servido às 7h. Os detentos almoçam entre 10h30 e 11h e jantam às 16h, depois da “tranca”, quando a população carcerária é recolhida às celas.

Além da rotina e das características estruturais da penitenciária, policiais penais denunciam que há poucos servidores no complexo penal para atender o volume de presos.

Metrópoles procurou as defesas de Vorcaro e Zettel para comentar as condições em que eles estão sendo mantidos na cadeia, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Presos preventivamente

Vorcaro foi levado para a unidade prisional nesta quarta-feira, após ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades na gestão do Master e um suposto rombo bilionário no sistema financeiro.

Ele foi detido na casa onde mora nos Jardins, um dos bairros mais caros de São Paulo, e levado para a Superintendência da PF, na zona oeste da capital, onde Zettel se entregou no fim da manhã.

Os dois deixaram as instalações da corporação em uma viatura descaracterizada e foram levados ao Fórum da Justiça Federal para audiência de custódia.

Na audiência, foi mantida a prisão preventiva pedida pela PF e autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O magistrado assumiu a relatoria do caso após ser identificada uma relação próxima entre o minsitro Dias Toffoli e os alvos da investigação.

Do fórum, Vorcaro e Zettel foram levados para o Complexo Penal II de Guarulhos, pouco antes das 17h desta quarta-feira, em um carro funcional da PF com grades nas janelas. Para evitar registros pela imprensa, os acusados chegaram “encapuzados”, cobrindo os rostos com camisetas.

Fraudes bilionárias

A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.

O esquema envolvia a emissão e a comercialização de títulos de crédito sem lastro, conhecidos como “ativos podres”, utilizados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição e ocultar fragilidades financeiras. Na avaliação da corporação, a prática elevou o risco sistêmico no mercado e contribuiu para o colapso do banco.

Segundo os investigadores, parte do impacto estaria sendo absorvida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por assegurar depósitos e aplicações de clientes do sistema bancário.

Nesta 3ª fase da operação, Vorcaro é investigado pelos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa dele nega as acusações e diz que o banqueiro não tentou obstruir as investigações.

O banqueiro já havia sido preso, em novembro de 2025, por causa da suposta fraude envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB, o banco estatal de Brasília. Ele ficou 11 dias detido em São Paulo e foi solto mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas restritivas.

Segundo a PF, mesmo depois da primeira prisão, Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas do Banco Master em uma conta no nome do pai dele aberta na gestora de investimentos Reag, suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O Master e a Reag foram liquidados pelo Banco Central no fim do ano passado.

A PF também afirma, com base em mensagens trocadas por Vorcaro com os outros suspeitos, de que o banqueiro fazia ameaças a quem considerava adversário. Em uma delas, o dono do Master planeja “dar um pau” e “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto forjado.


Quatro alvos de prisão

Além de Vorcaro e Zettel, outros dois acusados de participar do esquema foram alvo de mandados de prisão, cumpridos nesta quarta. Veja o papel de cada um no grupo:


A PF cumpriu ainda 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens e ativos ligados aos investigados e o afastamento de pessoas de funções consideradas estratégicas para o funcionamento do suposto esquema. É o caso de Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, diretores do Banco Central que muniam o banqueiro de informações internas e prestavam consultoria ao Master.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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