
A análise do meteorito marciano NWA 7034 revelou uma quantidade de água preservada em seu interior maior do que esperavam os cientistas. A detecção sugere que o recurso hídrico esteve presente em Marte em abundância maior do que se imaginava, dando até condições de vida nos primórdios do planeta.
Também chamado de Black Beauty (Beleza Negra, na tradução em inglês), o objeto espacial de cerca 320 gramas foi encontrado em 2011 no deserto do Saara.
O trabalho de análise foi liderado por pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca, em parceria com outras instituições locais e da Suíça e França. Os resultados foram publicados em versão pré-print na plataforma arXiv em 13 de janeiro e ainda serão revisados por pares.
Quantidade de água no meteorito
Investigações anteriores já apontavam que havia água no meteorito, porém nenhuma delas conseguiu saber como o recurso estava distribuído. Para não danificar o objeto, os pesquisadores desenvolveram um método de tomografia através de raios X e nêutrons.
É como se tivesse sido feito um raio X no meteorito, porém a presença dos nêutrons na técnica possibilitou ver onde estava concentrada a distribuição de água no interior do objeto. Isso porque as partículas são sensíveis a um dos componentes do recurso hídrico, o hidrogênio – ou seja, ele “avisa” o local onde tem água na amostra.
“A tomografia computadorizada por nêutrons é um método poderoso nesse contexto: ela é altamente sensível ao hidrogênio e complementa a tomografia computadorizada mais convencional por raios X. A identificação de fases contendo hidrogênio em rochas da crosta marciana é de particular importância”, apontam os autores no artigo.
Foi selecionada uma pequena parte do objeto para análise e os resultados mostraram a presença de pequenos aglomerados cheios de água presos no meteorito.
Chamados de clastos, os aglomerados eram compostos em sua maioria de oxihidróxidos de ferro, um mineral resultante da reação entre ferro e a água. Estima-se que eles componham cerca de 11% de todo o recurso hídrico presente no meteorito.
Apesar dos cientistas afirmarem que apenas 0,6% da massa do objeto é feita de água, a quantidade é a maior já encontrada em meteoritos marcianos.
As investigações também encontraram mais duas descobertas. A primeira é que a água não está na forma líquida ou sólida, mas sim “presa” a outros minerais, sugerindo uma possível interação entre ela e as rochas de Marte.
Já a outra é que a composição do meteorito é bastante parecida com outras amostras já identificadas pelo rover Perseverance na cratera marciana Jezero, indicando que a água era um recurso espalhado pelo planeta vermelho no início de sua história.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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