
Na última quarta-feira (25/3), um júri de Los Angeles (EUA) considerou Meta e Google negligentes pelo design viciante do Instagram e do YouTube. A decisão, inédita no mundo, reconheceu que recursos como o scroll infinito e o algoritmo de recompensa foram criados para explorar o cérebro humano. Para a indústria da moda, que há anos usa esses mecanismos, a decisão questiona a forma como o setor usa essas ferramentas para vender.

Rolar o feed por horas, se sentir desatualizado por não ter a peça do momento e comprar sem saber muito bem o porquê são partes de uma estratégia calculada: as plataformas digitais foram desenhadas para prender a atenção do usuário o máximo possível, e a moda, com seu apelo visual, funciona bem dentro dessa lógica. Quanto mais tempo conectado, mais o algoritmo aprende sobre seus gostos e passa a exibir exatamente o que você tende a comprar.

O resultado é uma sensação de urgência no consumo. A peça que aparece no feed parece ser o que faltava no armário, e a compra muitas vezes acontece antes de qualquer reflexão. Esse ritmo também acelerou o ciclo das tendências: estilos como o Barbiecore e o Clean Girl surgiram, dominaram os feeds e logo caíram no esquecimento.

Quem lucra
Quem mais lucra com essa dinâmica é o fast fashion. A Shein chega a lançar centenas de novos produtos por dia, ajustando sua oferta em tempo real com base nas tendências que circulam nas redes. O consumidor muitas vezes nem percebe que está nesse ciclo, comprando peças que rapidamente perdem o lugar no armário.

O impacto, porém, não é só financeiro. Pesquisadores já associam o uso excessivo de redes sociais ao aumento de ansiedade e à queda da autoestima, especialmente entre mulheres jovens. A comparação constante com looks produzidos, filtrados e patrocinados reforça a ideia de que o próprio estilo nunca está atualizado o suficiente.
O outro lado
Mas nem todos seguem esse caminho. Cresce entre os consumidores mais jovens o slow fashion — movimento que prioriza consumo mais consciente, com menos peças e maior durabilidade —, além dos brechós e da ideia de um armário mais pensado diante do excesso que as redes incentivam.
Ganha força a busca por peças com história, durabilidade e propósito, enquanto o guarda-roupa deixa de ser um acúmulo de trends para se tornar uma escolha mais intencional.

A relação entre moda e redes sociais em si não é o problema. As plataformas dificilmente vão mudar do dia para a noite, mas o debate, que por muito tempo ficou restrito a especialistas e ativistas, chegou aos tribunais, e a tendência é que precisem se adaptar.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário