Moléculas ligadas à longevidade podem estimular crescimento de tumores

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Foto de pessoa colocando velas coloridas em bolo - Metrópoles

Nos últimos anos, moléculas chamadas poliaminas ganharam destaque nas pesquisas sobre envelhecimento saudável. Uma delas, a spermidina, é conhecida por estimular a autofagia — processo em que a célula “recicla” partes danificadas para manter o funcionamento.

Por esse motivo, compostos que aumentam os níveis de poliaminas passaram a ser associados à longevidade e até vendidos como suplementos antienvelhecimento.

Mas um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Tokyo, no Japão, mostrou que em determinados contextos, essas mesmas moléculas podem estimular o crescimento de células cancerosas. O trabalho foi publicado em julho de 2025 na revista científica Journal of Biological Chemistry.

Os pesquisadores observaram que o efeito da molécula depende do tipo de célula: em células saudáveis, as poliaminas ativam uma proteína chamada eIF5A1, ligada à autofagia e à manutenção celular. Já em células cancerosas, elas aumentam a atividade de outra proteína muito parecida, chamada eIF5A2, associada à proliferação tumoral.

Segundo a pesquisa, essa diferença ajuda a explicar por que a mesma substância pode ter efeitos considerados benéficos em tecidos normais, mas favorecer o crescimento do câncer em células já transformadas.

Como o câncer pode se beneficiar

O estudo mostrou ainda que, em células tumorais, as poliaminas aumentam o metabolismo glicolítico — forma de produção de energia usada intensamente por tumores.

Além disso, essas moléculas elevam a produção de proteínas ribossomais como RPS27A, RPL36AL e RPL22L1, associadas à agressividade do câncer e interferem na regulação de uma molécula chamada miR-6514-5p, que normalmente ajudaria a conter a produção de eIF5A2.

Esse conjunto de alterações favorece a multiplicação celular — característica central dos tumores. Os resultados ajudam a esclarecer por que níveis elevados de poliaminas são frequentemente encontrados em tumores agressivos.

No entanto, é importante destacar que o estudo foi realizado em nível celular e molecular. Ele não demonstra que suplementos antienvelhecimento causem câncer em pessoas saudáveis.

O estudo amplia a compreensão sobre a relação entre envelhecimento e câncer e indica que mais pesquisas são necessárias antes de qualquer conclusão clínica.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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