Movimentos da infância podem reduzir a dor lombar crônica, diz estudo

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Homem com dor lombar com mãos nas costas - Metrópoles

Movimentos aprendidos na infância, como rolar, engatinhar e agachar, podem ser úteis na idade adulta para aliviar a dor lombar crônica. É o que aponta um estudo da Universidade do Sul da Austrália, publicado em novembro na revista Musculoskeletal Science and Practice.

A dor lombar é uma das queixas mais comuns em todo o mundo e está entre os principais problemas de saúde pública globais. Persistente, incapacitante e muitas vezes difícil de tratar, ela impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar emocional de milhões de pessoas.

A pesquisa australiana avaliou os benefícios do programa Motum, desenvolvido por fisioterapeutas e baseado no reaprendizado progressivo de padrões fundamentais de movimento. O método foi estruturado em aulas semanais presenciais, com progressão gradual de movimentos no solo para posições mais complexas em pé, além de educação sobre dor e controle motor.

O medo de sentir dor ao se mover, conhecido como cinesiofobia, é um dos principais fatores associados à cronificação da dor lombar. O trabalho foi realizado ao longo de 12 semanas e envolveu 32 adultos com dor lombar crônica não específica, condição que responde por até 90% dos casos de dor lombar. Ao final do período, a aceitação do programa foi considerada alta pelos participantes.

Em comparação com o grupo controle, os indivíduos que receberam a intervenção tiveram um efeito considerado grande na redução do medo do movimento, além de melhora significativa no equilíbrio. Também foram observados impactos positivos sobre a dor, a funcionalidade e a autoconfiança para realizar atividades do dia a dia.

Para Miller, os achados do estudo têm aplicação direta na prática clínica. “O medo de se movimentar é um dos principais fatores que atrapalham o tratamento da dor lombar crônica. Quando o paciente sente dor, passa a evitar o movimento, perde força muscular, deixa de confiar no próprio corpo e, com isso, acaba sentindo ainda mais dor”, explica.

“Ao aprender que é possível se mover com segurança, mesmo sentindo algum desconforto, o paciente deixa de ser refém da dor. A redução desse medo melhora a confiança, a autonomia e a função motora, com impacto direto na qualidade de vida e menor risco de cronificação da doença”.

Mulher com dor lombar com mãos nas costas - Metrópoles
Oito em cada 10 pessoas vão apresentar pelo menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida

Fatores de risco e causas

A maior parte dos casos é classificada como dor lombar não específica, quando não existe uma causa estrutural evidente nos exames de imagem. “Essa nomenclatura deixa claro que a dor não está ligada a problemas como hérnia de disco, compressão de nervos, infecções, fraturas ou tumores. Trata-se de uma dor real, muitas vezes incapacitante, mas que não depende de uma lesão visível”, explica Luciano Miller.

Nesses casos, a origem da dor normalmente envolve uma combinação de fatores, como alterações biomecânicas, sobrecarga muscular, estresse e sono de má qualidade.

O uso de medicamentos pode ser útil em fases agudas, mas eles não tratam a causa do problema. Analgésicos e anti-inflamatórios devem ser usados com cautela e por períodos curtos. “Hoje sabemos, com forte respaldo científico, que o movimento orientado, associado à educação sobre dor, é a base do tratamento”, resume o médico do Einstein.

Abordagens como o programa Motum são relevantes por enxergarem o corpo como um sistema em movimento, e não apenas uma estrutura que dói. “Eles ensinam o paciente a se mover melhor, com mais controle, consciência corporal e progressão segura. Enquanto a abordagem focada apenas em analgesia tenta ‘calar’ a dor, o movimento progressivo ajuda o paciente a lidar com o corpo real que tem, recuperando função, autonomia e confiança”, conclui Miller.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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