
A técnica de enfermagem Gessicarla de Almeida detalhou como descobriu que o filho dela, de apenas 2 anos e 8 meses, foi vítima de maus-tratos em uma creche do Distrito Federal, após esconder um dispositivo de escuta na mochila da criança. O caso aconteceu no Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim, em Sobradinho II.
“Meu mundo caiu. Eu me sinto um lixo de ter feito meu filho passar por isso. Queria que ele fosse para brincar, interagir com outras crianças, não para que isso tivesse acontecido”, desabafou.
O menino havia sido matriculado na creche há apenas duas semanas quando os primeiros sinais surgiram. Segundo Gessicarla, o comportamento do menino mudou drasticamente: ele apresentava fome excessiva, olhos constantemente lacrimejantes e um desespero incomum ao ser levado para a escola.
“Ele só falava que não queria ir para a ‘colinha’, ficava desesperado, chorando”, relembrou a mãe.
Desconfiada, ela decidiu colocar um equipamento de escuta na mochila do filho. No dia seguinte, ao escutar os áudios, o conteúdo gravado confirmou os piores medos da família.
Funcionárias foram flagradas imitando o choro e os gritos da criança e proferindo frases como: “Pode chorar que sua mãe não vai vir te buscar”.
Ouça gravações:
Em um dos trechos, ouve-se: “Vai adiantar você ficar chorando, não. Você não vai me ganhar no choro. Vai ficar o dia todo aí, nem que fique com fome”, diz a mulher ao menino.
Os áudios captados revelam que o menino chorava ininterruptamente durante o período das aulas. Em determinado momento da gravação, uma das funcionárias o ameaça: “Eu só vou ligar para o seu pai, para a sua avó e para a sua mãe quando você parar de chorar. Vai embora agora não, vai ficar o dia todo aí. Pode morrer de chorar”.
Segundo a mãe do menino, as principais suspeitas dos maus-tratos seriam duas monitoras e a professora responsável pela turma da criança.
“O medo é muito grande”
Ao questionar a instituição, Gessicarla conta que a direção demonstrou surpresa ao saber do monitoramento, mas garantiu que seriam tomadas providências sobre o caso.
“Eu não tenho mais coragem de colocar meu filho em outra creche. O medo é muito grande”, confessou a técnica de enfermagem.
Gessicarla registrou a ocorrência na 35ª Delegacia de Polícia. O menino foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar o caso.
O Centro de Educação da Primeira Infância Araçá-Mirim é uma creche pública vinculada à Secretaria de Educação do Distrito Federal. A gestão é terceirizada ao Instituto Vitória-Régia.
O Metrópoles acionou a pasta para se manifestar sobre a denúncia de maus-tratos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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