A notícia de que a Ricco Transportes paralisou 31 linhas de ônibus na Capital é um acinte. É um desrespeito, um deboche sem precedentes com o usuário. É um atentado ao cidadão que paga, no mínimo, duas vezes para ter furtado, sem o mínimo pudor, o direito de ir e vir.
Não se faz aqui nenhuma crítica à Prefeitura de Rio Branco no que se refere ao subsídio. Não é este o problema. A relativização do processo de subsídio só coube, convenientemente, na retórica tosca e ignorante do então candidato Bocalom que ainda pleiteava a cadeira de prefeito. Em pouco tempo na gestão, percebeu as tolices que dissera.
O que alimenta a indignação é perceber que o usuário/cidadão está só nesse empreitada. A crítica reside nisso. Neste ponto, ninguém pode ser poupado: União das Associações de Moradores de Rio Branco (Umarb), Procon, Ministério Público e, principalmente, a própria Prefeitura de Rio Branco, a quem cabe fiscalizar a oferta dos serviços por meio da autarquia RBTrans.
Impressiona a falta de tarimba, a falta de intimidade, a falta de traquejo administrativo da atual gestão da Prefeitura de Rio Branco no que se refere à defesa do cidadão/usuário do transporte coletivo.
Nesse assunto, nem o mais apressado bajulador é capaz de alimentar alguma defesa. Fato: desde 2021, o ano em que a incorreta expressão “abrir a caixa preta” foi defendida, até hoje, a Prefeitura de Rio Branco não resolveu o problema do transporte coletivo. A prestação de serviço piorou. Se alguém está dizendo o contrário ao prefeito, o engana. Este editorial, assim como outros neste mesmo espaço, em nenhum momento desrespeita o gestor. Mas diz o que precisa ser dito: Bocalom andou para trás no que se refere ao Transporte Coletivo.
E, o pior de tudo, a equipe responsável por esta parte da administração dialoga muito mal com outros modais da mobilidade urbana. Não adianta mostrar o erro que foi cometido na Via Chico Mendes em relação à ciclovia. Pode fazer mil e um vídeos com drones e tijolos azuis e luzes azuis e postes azuis. Uso de bicicleta em Rio Branco vai muito (mas muito) além do que foi mal feito na Via Chico Mendes.
Isso é importante ser lembrado porque os moradores pobres das 31 comunidades excluídas do serviços de ônibus também estão excluídos de usar as ciclofaixas e ciclovias com a segurança a que têm direito. Segurança e limpeza: a Prefeitura de Rio Branco esquece que o espaço do ciclista precisa ser limpo. É obrigação.
E não adianta a assessoria de Bocalom informar que as obrigações legais da Prefeitura de Rio Branco com a empresa estão mantidas em dia. Para além disto, é preciso que a cidade seja atendida com qualidade. Toda ela. Nenhum bairro a menos. Quem dirá menos 31! Não é possível normalizar esta cena. Não é nem possível dizer que “está tudo como antes”. Está pior.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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