
O acidente vascular cerebral (AVC) acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou quando há sangramento dentro do órgão. Sem oxigênio e nutrientes, as células cerebrais começam a morrer em poucos minutos.
Por isso, identificar os sinais precocemente e buscar ajuda imediata é decisivo para o tratamento e para a recuperação. Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, os sintomas costumam surgir de forma súbita, “de uma hora para outra”, e nunca devem ser ignorados.
“O tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao hospital faz toda a diferença no risco de sequelas permanentes”, diz o médico.
Os primeiros sinais: atenção ao SAMU
Uma maneira simples e eficaz de reconhecer um AVC nos minutos iniciais é usar a sigla SAMU, que ajuda a identificar alterações típicas do quadro:
Sintomas menos conhecidos também exigem atenção
Além dos sinais clássicos, existem manifestações que muitas pessoas não associam imediatamente ao AVC, mas que também podem indicar um evento em andamento.
Segundo o neurologista Felipe Barros, do Hospital Sírio-Libanês, entre elas estão a perda de metade da visão, tontura intensa que começa de repente e não melhora mesmo parado, fraqueza súbita em uma das pernas e formigamento em metade do corpo.
“O ponto-chave é observar se esses sintomas surgem de forma abrupta e se persistem, principalmente quando acometem uma grande região do corpo”, explica.
Quanto mais cedo o paciente chega ao hospital, maiores são as chances de tratamento eficaz e menores os riscos de sequelas. Existem terapias que podem ser realizadas até quatro horas e meia após o paciente ter sido visto bem pela última vez.
Em alguns casos específicos, outros procedimentos podem ser indicados entre oito e até 24 horas, dependendo do tipo de AVC e das condições clínicas. Por isso, esperar os sintomas “passarem” pode significar a perda de uma janela preciosa de tratamento.
De acordo com Espíndola, sensações leves, como um formigamento passageiro ou um borramento visual rápido, são comuns no dia a dia e, na maioria das vezes, não indicam um AVC.
O alerta surge quando essas alterações atingem grandes áreas, como braço, perna e metade do rosto ao mesmo tempo, ou quando o problema visual afeta metade do campo de visão e não melhora. Nessas situações, a orientação é não minimizar o quadro e procurar atendimento imediatamente.
Barros diz que nem sempre a pessoa com AVC consegue falar ou explicar o que está sentindo. “Nesses casos, familiares e cuidadores devem comparar o que o paciente conseguia fazer antes com o que não consegue mais”, conclui.
A dificuldade súbita para levantar um braço, uma perna ou realizar tarefas simples — como vestir uma roupa — pode ser um sinal claro de que algo mudou.
Diante de qualquer suspeita, a recomendação dos neurologistas é clara: ligar para o SAMU (192) sem demora. Reconhecer o AVC rapidamente pode salvar vidas e preservar funções essenciais do cérebro.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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