
Neste mês de fevereiro, a campanha Fevereiro Roxo reforça a importância da conscientização sobre o Alzheimer, uma doença que não tem cura, mas pode ser tratada e ter a progressão retardada com o diagnóstico precoce. Quem acompanha de perto essa realidade é o neurologista Carlos Uribe, do Hospital de Base do Distrito Federal, que conta com cerca de 300 pacientes fazendo acompanhamento ambulatorial para a doença, condição que exige atenção aos primeiros sinais.
Segundo o especialista, embora seja comum associar esquecimentos ao envelhecimento, algumas manifestações não devem ser ignoradas. “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico”, afirma.
De acordo com o neurologista, os primeiros sinais do Alzheimer incluem esquecimentos frequentes que interferem na rotina, mudanças de humor e comportamento, repetição constante de perguntas e dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar conversas. “É preciso atenção quando essas alterações começam a comprometer o dia a dia. Muitas vezes, é a família que percebe que algo não está certo e leva o idoso para avaliação médica”, explica.
Outros sintomas comuns são dificuldade para dirigir ou encontrar caminhos conhecidos, tendência ao isolamento, perda da capacidade de resolver problemas simples e dificuldade para manter uma linha de raciocínio. Para Uribe, reconhecer esses sinais logo no início é fundamental para garantir um acompanhamento adequado e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Apoio da família
Foi justamente a partir da observação da família que surgiram as primeiras suspeitas no caso de Ornelina Medeiros Pimentel. Segundo a filha, Jane Pimentel Meireles, os esquecimentos começaram quando a mãe tinha 70 anos. “Ela esquecia conversas que tínhamos e também das pessoas”, relata.
Com o passar do tempo, o quadro evoluiu para mudanças de comportamento. “Ela ficou mais agressiva e passou a brigar com algumas pessoas. Foi tudo muito estranho e fora do normal”, conta Jane. Diante das alterações, a família buscou atendimento médico e, após consultas e exames, veio o diagnóstico de Alzheimer.
Hoje, Ornelina tem 77 anos e segue em acompanhamento no Hospital de Base, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Para a filha, lidar com a doença exige força e adaptação. “O que estamos passando agora é ruim, mas sabemos que é só o começo. Tento viver um dia de cada vez, porque sei que vem muito sofrimento para a gente e, principalmente, para ela.”
Apesar da gravidade, o neurologista reforça que o Alzheimer não é uma sentença de morte. “Muitas pessoas vivem por anos após o diagnóstico e acabam falecendo por outras doenças, como câncer ou AVC. Elas morrem com a doença, e não em decorrência dela”, explica.
Com informações da Agência Brasília
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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