
A coluna apurou, com exclusividade, que a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) avançou na investigação sobre as mortes de pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, após ouvir ao menos seis novas testemunhas que conviviam diariamente com os técnicos de enfermagem presos por suspeita de homicídio.
Segundo fontes ligadas à apuração, os depoimentos reforçam a tese de que os crimes não foram episódios isolados, mas seguiram um padrão de execução, com escolha de pacientes vulneráveis, manipulação direta de substâncias e uma encenação posterior de tentativa de socorro.
As testemunhas, entre profissionais de saúde e funcionários do hospital, relataram comportamentos considerados atípicos, como a presença frequente de um dos investigados próximo a leitos pouco antes de paradas cardiorrespiratórias, além de conversas reservadas e movimentações incomuns durante os plantões noturnos.
Os relatos também ajudaram os investigadores a consolidar o perfil do grupo e a divisão de papéis entre os suspeitos.
De acordo com a polícia, Marcos Vinícius Silva Barbosa, apontado como mentor do esquema, teria sido o responsável direto pelas aplicações, enquanto Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, em alguns episódios, acompanhavam as ações ou permaneciam no entorno sem intervir.
As imagens de câmeras internas mostram os técnicos manipulando seringas, frascos e se aproximando de pacientes momentos antes das mortes, o que, aliado aos depoimentos, sustenta a suspeita de que substâncias não prescritas foram injetadas deliberadamente.
Em ao menos um dos casos, a polícia trabalha com a hipótese de que um produto incompatível com uso intravenoso, possivelmente um desinfetante, tenha sido aplicado diretamente na veia da vítima, provocando colapso imediato.
Embora, neste momento, o foco da investigação esteja restrito ao Hospital Anchieta, fontes ouvidas pela coluna afirmam que a polícia já mapeia outros períodos de atuação dos técnicos em diferentes unidades de saúde do DF. A intenção é verificar se houve mortes suspeitas com características semelhantes.
Durante os interrogatórios, os investigados inicialmente negaram qualquer irregularidade, alegando que apenas seguiam prescrições médicas.
No entanto, confrontados com vídeos, laudos e depoimentos, teriam apresentado versões contraditórias. Investigadores descrevem a postura do trio como fria e sem demonstração de arrependimento.
Celulares, computadores e outros dispositivos apreendidos seguem sob perícia no Instituto de Criminalística da PCDF. A polícia busca identificar mensagens, pesquisas e eventuais conversas que possam indicar motivação, planejamento ou troca de informações entre os suspeitos.
Operação Anúbis
A Operação Anúbis, que resultou nas prisões, segue em andamento. A expectativa é que, com a consolidação dos depoimentos e dos laudos periciais, o inquérito seja concluído nas próximas semanas.
As defesas dos investigados sustentam a inocência dos clientes e afirmam que os fatos ainda estão em fase de apuração. O Hospital Anchieta, por sua vez, reafirma que foi o responsável por comunicar as suspeitas às autoridades e diz colaborar integralmente com a investigação.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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