
O acidente com o Césio-137, em Goiânia, em 1987, voltou ao centro do debate após o lançamento da série Emergência Radioativa, da Netflix. O personagem Márcio, vivido por Johnny Massaro, é inspirado no físico Walter Mendes, que esteve entre os primeiros a perceber a gravidade da situação.
Em relato publicado no livro Césio-137: A história do acidente radioativo em Goiânia (2024), ele descreve como identificou o desastre.
“Retornei a Goiânia no dia 27 de setembro, e detectei o acidente no dia 29”, lembra. Segundo ele, o alerta veio após um colega relatar casos estranhos no Hospital de Doenças Tropicais.
“Os pacientes apresentavam vômito, febre, diarreia e perda de cabelos. Eu disse pra ele que esses sintomas eram de síndrome aguda de radiação.”
A suspeita levou à origem do problema: um objeto levado à Vigilância Sanitária. “O médico me informou que os pacientes associavam o mal-estar a uma peça que estava na Vigilância Sanitária, um cilindro de aproximadamente 23 quilos.”
Veja fotos reais do desastre radiológico:
Ao tentar medir a radiação, veio o choque. “Quando cheguei próximo à Vigilância Sanitária, o aparelho saturou a medida, ao ponto de eu achar que ele estava com defeito.” Um segundo detector confirmou: os níveis eram extremamente altos.
O momento mais crítico veio logo depois, como mostrado na série. Ao voltar ao local, Mendes encontrou uma situação que poderia ter ampliado ainda mais o desastre. Uma equipe do Corpo de Bombeiros já estava no local, e um dos militares se preparava para descartar o material. “Um deles já estava saindo com esse cilindro para jogar no rio Capim Puba. Eu tive que intervir.”
Décadas depois, ele avalia o impacto do acidente, que mudou protocolos no Brasil e no mundo. “O acidente radiológico com o Césio-137 mudou completamente toda forma de trabalhar com material radioativo”, afirma. Segundo o físico, a tragédia levou a uma reestruturação nos planos de emergência, no controle de normas e na comunicação com a população.
O relato integra o livro lançado em 2024 pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás em memória dos 37 anos do acidente, e ajuda a reconstruir um dos episódios mais graves da história recente do país.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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