
O que será que será do Rio de Janeiro se seus habitantes, com direito a voto, continuarem votando do mesmo jeito, digamos assim, displicente, dos últimos 30 anos ou mais?
Como prefere recordar? De trás para frente ou de frente para trás?
Vamos de frente para trás, devagar, devagarinho.
A Assembleia Legislativa do Rio será obrigada a eleger às pressas um governador-tampão para substituir até janeiro Cláudio Castro, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Na véspera do julgamento, Castro renunciou ao mandato com a esperança de escapar à punição. Nesse caso, poderia se candidatar ao Senado, como tanto desejava. Ficou inelegível por oito anos. Os ministros bolsonaristas do tribunal tentaram absolvê-lo.
O antecessor de Castro, o juiz Wilson Witzel, foi destituído durante o mandato, mas por um processo de impeachment. Governou o Rio de 2019 a 2021. É autor da famosa frase sobre “atirar na cabecinha” dos bandidos. Foi acusado por fraudes na compra de equipamentos durante a pandemia da Covid-19.
Antes dele, outros governadores do Rio chegaram a ser presos e condenados pela Justiça após o fim dos seus mandatos. A saber:
Luiz Fernando Pezão (2015-2018)
Foi preso enquanto ainda ocupava a cadeira de governador, em novembro de 2018, denunciado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Hoje é prefeito de Piraí.
Sérgio Cabral (2007-2014)
Foi alvo de denúncias e processos por diferentes crimes, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas, crimes contra o sistema financeiro, fraude em licitação e formação de cartel. Ufa!
Só em relação ao crime de lavagem de dinheiro, foram 184 acusações, que dariam conta da ocultação de cerca de R$ 40 milhões e movimentação de mais de US$ 100 milhões. Em 2023, foi condenado a penas que, somadas, ultrapassavam 430 anos de prisão. Está livre, leve e solto. Virou colunista político.
Rosinha Garotinho (2003-2006)
Foi presa em novembro de 2017, acusada de integrar uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com empresários com o objetivo de financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, inclusive mediante extorsão.
Também está livre, assim como Cabral, assim como Pezão, assim como Castro que, ao que tudo indica, não será preso.
Anthony Garotinho (1999-2002)
Marido de Rosinha, foi preso pela primeira vez em 2016, e condenado depois pelo TSE por corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação de testemunhas.
É blogueiro, onde se diz “sempre ao lado do povo”, e denuncia maracutaias dos adversários.
Moreira Franco (1987-1991)
Foi preso em 2019 pela Operação Lava-Jato por suspeita de integrar esquemas de fraudes milionárias na Caixa Econômica Federal. Sua prisão, no entanto, durou poucos dias, e ele foi absolvido das acusações de improbidade administrativa.
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Um mar de lama ameaça tragar o Estado do Rio sem que a maioria dos cariocas sequer pestaneje para impedir. Mais de um terço dos moradores da capital vivem em áreas controladas pelas milícias e o crime organizado, e a eles paga pedágio.
A Constituição, ali, não vale nada. A vida, tampouco. Fica tudo por isso mesmo. Vez por outra, o governador de ocasião autoriza uma mega)operação policial que resulta em chacina. Sua popularidade aumenta e ele sente-se à vontade para roubar.
Visto de cima, (alô galera), o Rio continua lindo. Visto ao rés do chão, está cada vez mais feio e exala podridão.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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