
O Agente Secreto finalizou a temporada de premiações no domingo (16/3), de forma frustrante. Indicado a quatro categorias no Oscar, o filme brasileiro não saiu premiado em nenhuma delas.
Apesar da decepção pontual com a falta de estatuetas para o filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, o panorama geral no circuito nacional e internacional é positivo.
Cyntia Calhado, crítica, pesquisadora e professora universitária do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM-SP, acredita que o Oscar não deve ter impacto real na importância do filme brasileiro para a comunidade cinematográfica.
“O Agente Secreto é um dos filmes mais premiados da história do cinema brasileiro. Sair sem um Oscar é um momento de lamentação, mas não tem impacto negativo para o filme. É apenas uma premiação a menos”, explica ela.
Em seguida, completou: “A campanha foi muito bem-sucedida, com Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho adotando uma postura mais política frente aos autoritarismos e as consequências da violencia do estado perante sua população. A gente só tem que comemorar. É um filme artisticamente sofisticado.”
Expectativa e realidade
A expectativa para que O Agente Secreto fosse premiado no Oscar era alta por parte dos brasileiros. Muito disso, também, por conta das previsões positivas feitas por críticos de cinema internacionais.
Mesmo assim, os especialistas brasileiros não consideravam o filme favorito para vencer as categorias em que estava indicado. João Vitor Leal, professor e pesquisador do Instituto Federal de Brasília, explicou o pessimismo que foi confirmado na premiação.
“É uma premiação da indústria americana, com um contexto externo muito forte, na qual geralmente os prêmios vão para filmes norte-americanos. As exceções são raras”, disse.
E o que foi dito se confirmou. Tirando Melhor Filme Internacional, nas outras categorias em que O Agente Secreto disputava, os filmes dos Estados Unidos se sobressaíram. Uma Batalha Após A Outra levou as estatuetas de Melhor Direção de Elenco e Melhor Filme, enquanto Michael B. Jordan levou o prêmio de Melhor Ator por Pecadores.
Cyntia Calhado não se surpreendeu com a premiação. “O Oscar tem uma característica mais conciliadora e o clima geral norte-americano é muito tenso, com uma movimentação de medo da classe artística neste momento. Me parece que essa edição quis premiar filmes que trabalhem a questão política de forma um pouco mais indireta ou buscando o caminho do meio”, disse ela.
Mesmo sem estatuetas e com a frustração pontual, O Agente Secreto não deve sofrer grandes impactos por isso e pode celebrar a trajetória de sucesso da campanha.
“Ganhar o Oscar, aqui no Brasil, significaria uma abertura de mercado no exterior para os nossos filmes, maior reconhecimento dos profissionais brasileiros, a construção de imagem da nação para além dos estereótipos e a reconexão do público brasileiro com o cinema. Mas tudo isso o filme já conquistou, muito antes da premiação do Oscar. Então, não existe derrota”, finaliza João Vitor.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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