O vexame de Zema e Nikolas: Quando o clique esbarra na urgência da lama

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Dizem, não só na política, que o pior lugar para se tentar uma “lacração” é em cima do sofrimento alheio.

O governador Romeu Zema e o deputado Nikolas Ferreira descobriram isso da pior maneira possível: sentindo na pele a fúria de quem perdeu tudo nas chuvas torrenciais que atingiram Minas Gerais.

Em cidades como Juiz de Fora e Ubá, o que se viu não foi o apoio das autoridades, mas um palanque improvisado que ruiu diante da revolta popular.

O vídeo é pedagógico. Mostra Nikolas Ferreira tentando gravar seus vídeos para as redes em meio ao canteiro de obras, atrapalhando o trânsito e o trabalho das máquinas. A reação foi imediata: “Não adianta vir limpinho fazer política aqui!”, gritou um morador.

A política do clique esbarrou na urgência da lama.

Mas o buraco de Zema é mais embaixo. Além do vexame público, o governador carrega nas costas a marca de ter reduzido em 96% as verbas para prevenção de catástrofes no estado. É a matemática da negligência: gasta-se pouco para prevenir e tenta-se compensar com selfies na hora da tragédia.

Zema se defende com malabarismos de oratória, mas os números – e os rostos indignados das vítimas – não mentem.

A deputada Erika Hilton já acionou a PGR contra Nikolas por atrapalhar o serviço de socorro. Enquanto isso, em Brasília, o PL tenta construir a imagem de uma direita unida e eficiente para 2026. Mas as imagens de Minas mostram que, fora das bolhas digitais, o povo quer caminhão-pipa e máquinas, não influenciadores de colete oficial.

No fim das contas, a lama seca, mas a memória do eleitor costuma ser mais persistente. Zema e Nikolas saíram menores do que entraram no barro mineiro.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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