Ao longo de minha trajetória política de várias décadas, fui testemunha de ver candidatos a governadores que eram tidos como favoritos e perderam a eleição. E, candidatos apontados como fracos, saírem vencedores. Primeiro: um candidato a governador tem que ter o seu potencial avaliado não só pelo seu nome, mas pela estrutura que vai sustentar a sua campanha. Por isso, considero um erro os adversários verem a vice-governadora Mailza Assis (PP), como uma candidata fraca e sem chance na disputa governamental.
É bom lembrar aos desavisados que a Mailza será candidata sentada na cadeira de governadora e com a caneta na mão. Some-se a isso, ela ter ao seu favor o apoio de 16 prefeitos; da maioria esmagadora dos candidatos a deputado estadual, deputado federal, dos partidos e de um cabo-eleitoral poderoso, como o governador Gladson Cameli. O poder, quando bem usado, é uma arma poderosa a favor de um candidato majoritário. Principalmente, no Acre. Se a Mailza será eleita, isso é lá com os eleitores, mas estará no jogo. Não tenho bola de cristal. Mas, não a coloquem como derrotada, os caminhos de uma campanha política são insondáveis. E, como diz o velho ditado: – Quem morre de véspera é o peru.
O PP faz uma festa política para anunciar hoje às 17 horas, na sua sede, a aliança com o senador Márcio Bittar (PL). É uma soma importante para a campanha da Mailza. Bittar tem uma das campanhas mais organizadas desta eleição para o Senado. E, o PL terá chapas para deputado federal e deputado estadual.
Chegou ao BLOG a informação de que o governador Gladson Cameli deverá anunciar hoje a entrada do MDB, como aliado do seu grupo, indicando o nome do vice na chapa de Mailza ao governo. O MDB teve 114 mil votos na última eleição municipal, e seus candidatos foram os segundos mais votados para prefeito em colégios eleitorais importantes. Se a notícia da aliança for confirmada, será colocado um muro na região do Juruá aos candidatos de fora do grupo palaciano.
A direção nacional do PSDB prometeu para amanhã, dizer se o partido no estado ficará com o senador Alan Rick (Republicanos) ou com o prefeito Tião Bocalom. Faça a sua aposta.
O fato de o médico Thor Dantas (PSB) ser candidato ao governo pelo campo progressista, não o faz um extremista de esquerda. Muito pelo contrário, o seu perfil é de um político com idéias novas, equilibrado, bem longe de ser um radical. Será a única coisa nova na campanha ao governo deste ano.
A semana será decisiva para se saber quem ficará no comando da federação Solidariedade-PRD, se o deputado Afonso Fernandes ou se o novo filiado, o deputado federal Eduardo Veloso. Afonso não está disposto a ficar subalterno de quem chegou só na hora de comer o bolo.
O ex-prefeito Marcus Alexandre (MDB) não admite nem de analisar os convites para que seja candidato a vice-governador. É candidato a deputado estadual. Não esquece a fria que entrou sendo vice na chapa ao governo do ex-senador Jorge Viana (PT).
Dando uma olhada na chapa de candidatos a deputado estadual da federação PT-PV-PCdoB, não tenho nenhum temor de arriscar que montaram uma chapa para servir mais uma vez de escada à reeleição do deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB). O Magalhães é um sortudo. É a velha história: quem tem burro, não compra cavalo.
Lideranças do PP jogam com a possibilidade de terem dez deputados estaduais, dos que estão deixando os seus partidos, na sua chapa. Quem é o idiota sem mandato, que vai querer entrar nesta chapa da morte?
No Republicanos, o jogo é de cartas marcadas. O partido vai jogar toda a sua estrutura para eleger o vereador Zé Lopes (Republicanos) a deputado estadual. O presidente Roberto Duarte quer matar o coelho com uma paulada só: elege o amigo do peito, este assumirá na ALEAC; e no seu lugar na Câmara Municipal entrará a Márcia, suplente do Zé, ex-mulher do Duarte. Tudo ficando em família.
Inácio Moreira (REDE), Mara Rocha (Republicanos), Márcio Bittar (PL), Gladson Cameli (PP), Sérgio Petecão (PSD), Eduardo Veloso (Solidariedade) e, a confirmar; Jorge Viana (PT). É o quadro de candidatos às duas vagas para senador.
A ALEAC vai entrar no chamado “recesso branco”, em que os deputados estarão em campanhas para as suas reeleições; e serão raras as sessões, pela falta de quorum. É a Lei de Murici- cada um cuidando de si.
Uma fonte ligada ao senador Alan Rick (Republicanos) revelou ao BLOG que a opção para vice da sua chapa, é a de um empresário. Mas, essa é uma decisão que terá a escolha estendida para junho. Não há pressa para anunciar o nome. Uma coisa é certa: o Alan não precisa de vice de Rio Branco e nem do Alto Acre, onde aparece bem avaliado nas pesquisas. Seu calcanhar de Aquiles será o Juruá.
Caso o prefeito Tião Bocalom consiga amanhã, a liberação do PSDB para disputar o governo, será um ganho político. PSDB e o 45 são conhecidos do eleitorado. Diferente do AVANTE, pequeno e desconhecido. A disputa pelo comando tucano está entre ele e o senador Alan Rick (Republicanos).
Deveremos ter na eleição presidencial mais uma disputa equilibrada, como na anterior, entre o presidente Lula (PT) e o representante do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o nome da extrema direita. Eleição a ser decidida por detalhes.
A semana que está começando tende a ser barulhenta e com composições políticas que devem pesar na eleição para o governo. A chapa está quente.
“A cultura é uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo”. António Lobo Antunes.
Luis Carlos Moreira Jorge, Bacharel em Direito, no jornalismo político desde 1978, militou nos principais órgãos de comunicação do estado, foi secretário de Comunicação de três governadores e três prefeitos.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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