Os gastos da CPMI do INSS com despesas de investigados e testemunhas

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Oitiva de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI do INSS Metropoles 3

A série de convocações de depoentes e diligências realizadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a fraude dos descontos indevidos do INSS teve um custo, em 2025, para os cofres públicos com diárias (hospedagem, alimentação e deslocamento) e passagens aéreas, que juntos totalizam mais de R$ 147 mil. O valor representa 73% do total de gastos fixado pelo colegiado, que é de R$ 200 mil.

Os dados foram obtidos pela coluna via Lei de Acesso à Informação (LAI) e por meio de levantamento junto ao Senado Federal. Os custos contemplaram despesas com depoentes convidados e convocados, além de seus advogados. Os pagamentos só ocorreram para aquelas pessoas que solicitaram o auxílio da CPMI do INSS.

Policiais legislativos que atuaram em escoltas de depoentes também tiveram gastos com diárias e passagens aéreas custeadas pelo colegiado, assim como os servidores da Polícia Federal, lotados fora de Brasília, que apoiam os trabalhos da comissão.

Ainda nas primeiras reuniões do colegiado, o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu os gastos com diárias e passagens para os depoentes como forma de evitar ausências de pessoas que, eventualmente, alegavam dificuldades financeiras para conseguir um bilhete aéreo às pressas.

Uma das pessoas que solicitaram auxílio para a CPMI do INSS para custear a despesas com diárias em Brasília e com passagem de avião são o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho (foto em destaque) e a esposa dele, a empresária e médica Thaisa Hoffmann Jonasson. O casal é suspeito de estabelecer vínculos com o pivô da fraude dos descontos indevidos, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e também de ter recebido dinheiro das entidades investigadas pela Polícia Federal (PF).

CPMI do INSS gastos com passagens e diárias
Ofício do Senado Federal autoriza pagamento de despesas para advogados acompanharem Virgílio e Thaisa em Brasília

A CPMI do INSS foi instalada em 20 de agosto do ano passado e já realizou 29 reuniões até o dia 4 de dezembro. Neste intervalo, 29 pessoas foram ouvidas. A primeira fase focou nos chamados descontos associativos. Os trabalhos do colegiado voltam nesta quinta-feira (5/2). Na próxima fase, os trabalhos serão voltados para investigar as fraudes dos empréstimos consignados.

O fim da CPMI do INSS está previsto para 28 de março, mas, o presidente do colegiado considera pouco e quer mais 60 dias.

Maior gasto da CPMI do INSS até o momento envolveu missão no Amazonas

No final de novembro, três policiais legislativos do Senado cumpriram ordem judicial de condução coercitiva no Amazonas para buscar o ex-coordenador de benefícios e pagamentos do INSS Jucimar Fonseca da Silva.

Ao todo, os custos da viagem de ida e volta, mais as despesas com as diárias dos policiais, custaram R$ 18 mil. Jucimar da Fonseca foi encontrado pela Polícia Legislativa do Senado próximo a uma região de Manaus.

Levado a Brasília, ele prestou depoimento no dia 1º de dezembro na CPMI do INSS e teve prisão decretada pelo colegiado após nove horas de oitiva.

Naquele mês, Jucimar da Fonseca tinha apresentado dois atestados médicos para não comparecer ao colegiado e foi acusado pela cúpula da CPMI de fugir de prestar esclarecimentos. A ausência dele motivou o cancelamento de uma das reuniões do colegiado.

Ex-coordenador do INSS Jucimar Fonseca é ouvido pela CPMI do INSS - Metrópoles 4
ex-coordenador de benefícios e pagamentos do Instituto Nacional de Seguro Social Jucimar Fonseca da Silva

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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