
O empresário Evandro Baldino do Nascimento (foto em destaque), ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA) e sócio de empresas do setor de construção civil, aparece em diversas frentes de apuração da Polícia Federal na Operação Overclean, investigação que apura desvios de recursos de emendas parlamentares, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Mensagens às quais a coluna teve acesso mostram Evandro afirmando a um interlocutor que teria “comprado” dezenas de prefeituras na Bahia.
Em uma das conversas, ele menciona já ter fechado acordos com 38 prefeitos e estar negociando com outros 60.

Em outro diálogo, trata diretamente com o prefeito de Riacho de Santana, João Vitor (PSD), sobre envio de valores, citando depósitos fracionados e encaminhando comprovantes bancários.


De vereador a operador em contratos milionários
Evandro Baldino foi vereador e chegou a presidir a Câmara Municipal de Várzea do Poço. Nos últimos anos, passou a atuar no setor de infraestrutura e pavimentação, mantendo ligação com empresas investigadas pela PF, como a Allpha Pavimentações e a Construtora Impacto.
A Polícia Federal aponta que ele teria atuado como articulador logístico e operacional em fraudes licitatórias nos municípios de Oliveira dos Brejinhos e Campo Formoso, reduto político do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA).
Segundo os investigadores, Baldino intermediava contratos entre prefeituras e empresas, além de participar de tratativas para direcionamento de obras custeadas com emendas parlamentares.
Em fases anteriores da operação, o empresário foi preso preventivamente, mas acabou solto por decisão judicial. Mesmo fora da prisão, seu nome continua aparecendo em diferentes desdobramentos da investigação, inclusive em diálogos com assessores parlamentares e gestores municipais.
Pagamentos fracionados e “PIX ou papel?”
Conversas obtidas pela PF e reveladas em reportagens anteriores mostram diálogos sobre pagamentos a prefeitos de municípios que receberam recursos de emendas parlamentares.
Em uma troca de mensagens, o empresário pergunta se o repasse será por “PIX ou papel”. Em outra, comemora o recebimento de valores com o interlocutor.
Segundo os investigadores, há indícios de que os pagamentos teriam sido feitos por meio de depósitos fracionados, prática comum para evitar alertas automáticos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A PF também analisa movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada por pessoas ligadas ao grupo.
Bloqueios milionários e nova fase
A quinta fase da Operação Overclean, autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 85,7 milhões de investigados e afastou servidor público. Ao todo, a investigação aponta que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, embaraço à investigação e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal segue analisando o conteúdo dos celulares apreendidos e o fluxo financeiro das empresas e pessoas ligadas ao empresário para identificar o alcance real da suposta rede de pagamentos.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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