Overclean: prefeito ligado a empresário volta ao cargo com axé e fogos. Veja vídeo

Arte/Metrópoles
prefeito de Riacho de Santana, no sudoeste da Bahia, João Vitor (PSD)

O prefeito de Riacho de Santana, no sudoeste da Bahia, João Vitor (PSD), realizou uma carreata pelas ruas da cidade após ser autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a reassumir o mandato, do qual estava afastado havia cerca de 110 dias. A carreata ocorreu em 2 de fevereiro deste ao som de axé. Teve, inclusive, fogos de artifício.

O parlamentar ficou afastado em razão das investigações da Operação Overclean, da Polícia Federal, que apura um amplo esquema de desvios de emendas parlamentares, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.

A decisão que permitiu o retorno ao cargo foi assinada pelo ministro Kassio Nunes Marques. Mesmo com a liberação, João Vitor segue formalmente investigado e aparece em diálogos que integram o material analisado pela Polícia Federal.

A coluna teve acesso a mensagens trocadas entre o empresário Evandro Baldino do Nascimento, apontado como operador logístico do esquema, e interlocutores que tratam de pagamentos a prefeitos e de articulações envolvendo municípios beneficiados por emendas parlamentares.

Em um dos diálogos, o empresário fala com João Vitor.

Nas conversas, Evandro discute formas de repasse de valores, envio de “encomendas” e depósitos fracionados em contas indicadas por gestores municipais.

Em uma troca de mensagens, ao ser questionado sobre como seria feito o pagamento, Evandro responde que iria “mandar uma encomenda” e, em seguida, encaminha imagens de comprovantes bancários.

Os diálogos analisados pelos investigadores apontam para a existência de um mecanismo de pagamento sistemático a prefeitos cujos municípios recebiam recursos de emendas direcionadas, em troca da contratação de empresas previamente escolhidas para executar obras públicas.

Evandro Baldino do Nascimento é ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA) e um dos sócios da Construtora Impacto, empresa que já foi alvo de mandados de busca e apreensão na Overclean.

Ele chegou a ser preso na primeira fase da operação, no final de 2024, mas foi posteriormente colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. Apesar disso, continua sendo citado em diversas fases da investigação.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado atuava na manipulação de licitações, direcionamento de contratos, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e pessoas interpostas.

Apenas nas fases mais recentes, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.

A Overclean também já atingiu parlamentares, assessores, empresários e servidores públicos. A PF estima que a organização criminosa tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.

Município no radar da PF

Riacho de Santana aparece entre os municípios que tiveram movimentações analisadas pela Polícia Federal em desdobramentos da Overclean.

As investigações buscam identificar quem autorizou os repasses, como se deram as negociações e quais agentes públicos teriam recebido vantagens indevidas.

Os crimes apurados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e embaraço às investigações.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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