Padrão alimentar com carboidratos de baixo custo é um dos principais vilões para obesidade

MÉDICO 24 HORAS

Padrão alimentar com carboidratos de baixo custo é um dos principais vilões para obesidade

Por Whidy Melo2 de março de 2026 – 17h04 4 min de leitura
Foto: Iago Nascimento/ac24horas

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A obesidade no Acre foi um dos principais temas da edição desta segunda-feira (2) do programa Médico 24 Horas, apresentado pelo Dr. Fabrício Lemos no ac24horas.com e nas redes sociais do jornal. A convidada foi a nefrologista e clínica médica Dra. Aliny Sales Dourado, que também abordou os avanços da nefrologia no Vale do Juruá e os desafios do tratamento renal no interior do estado.

Logo no início da entrevista, a médica chamou atenção para o crescimento dos casos de sobrepeso e obesidade no estado, associando o problema a fatores econômicos, culturais e comportamentais. Segundo ela, o padrão alimentar predominante ainda é baseado em carboidratos de baixo custo. “O nosso estado ainda é muito pobre e o maior consumo é de carboidrato. A gente mata muito a fome com arroz, farinha, macaxeira, fritura. A proteína está cada vez mais cara. Um assalariado não consegue manter uma dieta rica em proteína como deveria. Isso contribui diretamente para o sobrepeso e para a obesidade”, afirmou.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Dra. Aliny destacou que a obesidade precisa ser encarada como doença crônica, exigindo acompanhamento contínuo. “A partir do momento que você é obeso, você precisa de acompanhamento para o resto da vida. Muitas vezes precisamos trabalhar o comportamento do paciente, entender os motivos pelos quais ele está se permitindo chegar a esse ponto. Hoje temos medicamentos fantásticos para obesidade, que podem reduzir a necessidade de cirurgia em alguns casos, mas cada situação precisa ser avaliada individualmente.”

Ela também pontuou que, embora o sedentarismo ainda seja um fator relevante, houve mudanças culturais nos últimos anos, com maior oferta de academias e incentivo à prática de atividades físicas. Ainda assim, reforça que o exercício precisa ser adequado à realidade de cada paciente.

Avanços da nefrologia no Vale do Juruá

Após abordar o cenário da obesidade, a especialista falou sobre a evolução da nefrologia no interior do Acre, especialmente no Vale do Juruá.

Dra. Aliny chegou a Cruzeiro do Sul em 2008 e relatou que a carência de especialistas foi determinante para sua qualificação na área. “Quando cheguei ao interior e vi a quantidade de pacientes que precisavam de resolutividade, eu não me admitia ficar só encaminhando. A resolução mora em mim, eu gosto de resolver. Então comecei a estudar, fiz pós-graduação em endocrinologia e depois em nefrologia. De repente começaram a surgir os pacientes renais crônicos, e eu me perguntava: onde estavam essas pessoas antes? Muitos chegavam ao hospital já gravíssimos, sem praticamente muita conduta, alguns evoluíam até para óbito.”

Com a implantação do serviço de hemodiálise em Cruzeiro do Sul, o cenário começou a mudar. Atualmente, a clínica atende majoritariamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo moradores de municípios como Tarauacá e Feijó.

Foto: Iago Nascimento/ac24horas

Hemodiálise: tratamento que não pode parar

Durante a entrevista, a médica enfatizou que a hemodiálise é um procedimento vital e ininterrupto. “A diálise é contínua, é ininterrupta. Enquanto a gente está aqui conversando, tem paciente fazendo diálise. É feriado, é Natal, é carnaval, não para. Você não pode chegar para o paciente e dizer que hoje não tem tratamento porque não recebeu ou porque faltou insumo. A saúde não espera.”

Pacientes do interior enfrentam longas viagens para realizar o procedimento, em trajetos que podem chegar a seis horas de estrada. Além disso, há desafios logísticos importantes para manter o serviço funcionando.

“Para chegar até o Juruá, os insumos levam em média de 20 a 25 dias. A gente precisa ter um estoque muito bem planejado, porque qualquer imprevisto pode comprometer o atendimento. Já passamos por situações de falta de matéria-prima no país, e isso gera impacto financeiro e exige organização redobrada”, explicou.

Apesar das dificuldades, ela ressaltou que o serviço tem funcionado com regularidade e que a adesão dos pacientes no interior é um diferencial. “Eu consigo enxergar em Cruzeiro do Sul uma aderência maior. Existe uma humildade maior, uma relação muito próxima com a equipe. Eles têm facilidade para nos ouvir, para acolher as orientações. Isso faz diferença no acompanhamento de uma doença crônica.”

A médica lembrou ainda que a doença renal crônica está frequentemente associada à hipertensão e ao diabetes, condições que também dialogam diretamente com o avanço da obesidade.

Assista a entrevista completa:

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Whidy Melo

Whidy Melo

Whidy Melo é acreano de Rio Branco, repórter, documentarista, fotógrafo e videomaker.

kennedywhidy@gmail.com

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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