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  • Hábitos considerados saudáveis, mas que podem ser ruins para o coração

    Hábitos considerados saudáveis, mas que podem ser ruins para o coração

    nopparit/Getty Images
    Saúde vascular

    A busca incessante pela performance física e pelo corpo ideal tem levado muitos entusiastas do estilo de vida “fitness” a cruzarem uma linha perigosa. O que nasce como um hábito de saúde pode, sem o devido equilíbrio, transformar-se em uma ameaça cardiovascular.

    Segundo o cardiologista Wendel Silva Issi, o segredo da longevidade do coração não está nos extremos, mas na moderação. De maratonas extenuantes ao uso indiscriminado de termogênicos, a ciência alerta: o excesso de zelo também pode adoecer o músculo cardíaco.


    Entenda


    O limite do esforço físico

    A atividade física é, reconhecidamente, um dos maiores escudos contra doenças. No entanto, Wendel Silva Issi pontua que volumes extremos de exercícios de resistência, praticados por anos a fio — como no caso de triatletas e ciclistas de longa distância —, promovem adaptações estruturais complexas.

    Doença cardíaca, estetoscópio e coração, diagnóstico. Metrópoles
    Embora hábitos saudáveis sejam essenciais para proteger o coração, algumas práticas associadas ao estilo de vida “fitness” podem trazer efeitos negativos quando realizadas em excesso ou sem orientação adequada

    Embora o “coração de atleta” seja geralmente uma adaptação positiva, esforços repetidos e exaustivos podem gerar pequenas áreas de fibrose (cicatrização) e acúmulo de cálcio nas artérias coronárias.

    “Esses achados sugerem que volumes extremos podem favorecer arritmias, como a fibrilação atrial, em pessoas predispostas”, explica o médico. O alerta não é para o sedentarismo, mas para a necessidade de monitoramento médico em atletas de alta performance.

    A armadilha dos suplementos “naturais”

    Outro vilão frequente nos consultórios é o uso de suplementos para emagrecimento ou ganho de energia sem prescrição. Muitos desses compostos, mesmo os rotulados como naturais, contêm altas doses de estimulantes. O resultado pode ser desastroso: palpitações, arritmias e picos de pressão arterial.

    O risco é potencializado em indivíduos que já possuem alguma condição cardíaca preexistente ou que fazem uso de medicamentos contínuos, transformando o “pré-treino” em um gatilho para eventos adversos.

    Dietas extremas e o perfil lipídico

    No campo da nutrição, as dietas da moda também inspiram cautela. Padrões alimentares excessivamente restritivos, como a retirada total de carboidratos sem planejamento, podem alterar negativamente o perfil de gorduras no sangue (lipídios) e causar deficiências nutricionais.

    As diretrizes internacionais de cardiologia são enfáticas: o equilíbrio sustentável a longo prazo é superior a qualquer estratégia radical de curto prazo.

    A negligência do descanso

    Por fim, o especialista destaca que nenhum treino ou dieta compensa uma noite mal dormida. A privação do sono mantém o sistema nervoso simpático em alerta constante, aumentando a inflamação do organismo.

    “A saúde do coração é um polígono que depende do equilíbrio entre exercício, alimentação, recuperação e sono regular”, conclui Wendel. Sem o descanso adequado, o corpo não se recupera do estresse físico, elevando o risco de hipertensão ao longo da vida.

  • 8 de março com Diana

    8 de março com Diana

    Matheus Veloso/Metrópoles
    Coletivo Juntas organizou manifestação na UnB com o intuito de reivindicar mais segurança às mulheres e repudiar a violência na instituição, após estudante ser estuprada no Campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Na foto, alunas marcham com cartazes em repúdio à violência e machismo - Metrópoles

    Uma escuridão suave já começava a dominar a cidade quando Paulo olhou as mensagens no Whatsapp. Era uma desculpa pra descansar, passou o dia pintando as paredes e ajeitando os móveis na casa nova de Diana, sua prima. Ficou surpreso ao perceber as poucas mensagens sobre o Dia da Mulher. Um Feliz Dia das Guerreiras aqui, outro Parabéns Mulheres Maravilhosas acolá. Eram minguadas mensagens, cada uma delas sem resposta, ilhadas em grupos de familiares. Será que a hipocrisia morreu?

    Casa nova é sinônimo do quê? Esperança, recomeço. A mudança de Diana exalava luto,  arrastava um pesar, uma tristeza forçada pela violência de seu ex-marido. Ela tinha medida protetiva, ele não podia chegar perto dela, nem podia chegar perto da casa da mãe dela. Mas o que vale? Em uma noite de dezembro encurralou Diana e Nelson, seu novo namorado, em um bar. Com um revólver feriu Diana e assassinou Nelson. O ex-marido? Está foragido.

    Insistiu muitas vezes, mas Diana decidiu que seu quarto seria cinza. Paulo queria cores alegres e claras para o apartamento, conseguiu um amarelo para a sala, cozinha e banheiro brancos, mas não teve jeito, “Vai ser cinza como a minha vida”, definiu a mulher e seu olhar inconsolável.

    Paulo decidiu acompanhar essa jornada de Diana. Via as notícias nos jornais, mas foi a primeira vez que a violência contra a mulher o desmoronava. Estava em casa com Luana, sua esposa, quando recebeu a notícia. Xingou, amaldiçoou, ameaçou. Luana só olhava. Ao silenciar, ela apenas disse: “Você e seus amigos, todos vocês são cúmplices desse assassinato. Quando a gente disse que ele não prestava, ninguém fez nada; quando ele bateu na Diana, ninguém fez nada. Ninguém a protegeu. Taí. Fica rindo de piada machista agora”. Essa lembrança o atravessava. Avisou a prima que desceria no boteco para pegar uma bebida e um cigarro.

    O boteco estava fechado. Reclamou e andou até a padaria chique do outro bairro, a seis quarteirões. Mais que bebida e cigarro, precisava andar, precisava entender seus sentimentos, precisava ajustar a bússola. Ao passar por uma pequena livraria, que só vendia autoras, viu a filósofa e escritora Djamila Ribeiro folheando um livro enquanto conversava com um homem. Parou. Entrou.

    Não teve coragem de falar com ela, então fingiu ler um livro enquanto escutava a conversa deles. O homem branco lembrou que uma em cada cinco mulheres assassinadas em São Paulo tinha medida protetiva. Djamila respondeu: “Quando uma mulher sob medida protetiva é assassinada, a falha sistêmica é evidente. Pedidos de medidas protetivas cresceram quase 1.000% em dez anos. Mas, quando o Judiciário concede essas medidas e não assegura sua execução, a vítima é “traída” por quem deveria protegê-la, uma vez que decisões sem monitoramento agravam o risco. O agressor pode se sentir desafiado, radicalizar a conduta e agir sob lógica de retaliação, disposto a arrastar consigo vidas inteiras”. Paulo concordou com a cabeça enquanto fingia ler “Por um feminismo Afro-latino-americano”, de Lélia Gonzalez.

    Ela continuou: “E sabe o que é pior? Os homens que se irritam por serem lembrados de que mulheres seguem sendo mortas todos os dias, em todas as regiões do país.  Ainda assim, enxergo essa irritação por um lado positivo: ela revela tanto o incômodo de quem prefere o silêncio, quanto a eficácia de insistirmos em nomear o que parte da sociedade tenta naturalizar ou empurrar para debaixo do tapete”.

    O homem falou sobre os limites da Justiça, da polícia e não via como a defesa da vida das mulheres se transformaria em política de Segurança Pública. Djamila discordou: “estamos há anos defendendo a reorganização das prioridades da Segurança. É inadiável fortalecer o combate à violência contra as mulheres e reconhecer o esgotamento histórico da guerra às drogas, responsável pelo encarceramento em massa. Uma hipótese é a redução de decisões de prisão em casos de tráfico — estou falando do varejo, pois, para os grandes operadores, a tolerância sempre foi regra. Ao mesmo tempo se impõe a necessidade de ampliar a prisão de agressores de mulheres e autores de feminicídio”

    Os dois caminharam em direção ao café. Paulo não os seguiu. Tinha nas mãos um livro de Conceição Evaristo. Leu e releu um trecho de Vozes-Mulheres:

    A minha voz ainda

    ecoa versos perplexos

    com rimas de sangue

    e

    fome.

    A voz de minha filha

    recolhe todas as nossas vozes

    recolhe em si

    as vozes mudas caladas

    engasgadas nas gargantas.

    A voz de minha filha

    recolhe em si

    a fala e o ato.

    O ontem – o hoje – o agora.

    Na voz de minha filha

    se fará ouvir a ressonância

    o eco da vida-liberdade.

  • Corpo encontrado em rio é de jovem levado por enxurrada em Sabará

    Corpo encontrado em rio é de jovem levado por enxurrada em Sabará

    redes sociais/CBMMG
    jovem Sabará

    Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou na manhã deste sábado (14/3) que o corpo encontrado no Rio das Velhas, é de Arthur Henrique, 24 anos. O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para os procedimentos de identificação e realização de exame de necropsia na última sexta (13). Arthur foi localizado preso a uma draga em uma área de difícil acesso, às margens do rio no município de Jaboticatubas, região Metropolitana de Belo Horizonte.

    Arthur Henrique desapareceu no fim da tarde do dia 9 de março, durante um forte temporal que atingiu Sabará. O jovem ajudava vizinhos a abrir buracos em um muro para escoar água acumulada em uma residência no bairro Itacolomi. Parte do solo cedeu, e a enxurrada o sugou para dentro de uma galeria pluvial de cerca de 1,2 metro de altura por 3 metros de largura, que deságua no Rio das Velhas após aproximadamente 500 metros.

    As buscas pela vítima

    Desde o desaparecimento, as operações envolveram barcos, drones e varreduras em galerias e margens do rio. O trajeto estimado indica que o corpo teria percorrido mais de 70 km pelo curso d’água, passando por cidades como Santa Luzia até chegar a Jaboticatubas.

    As fortes chuvas que atingiram a região levaram a Prefeitura de Sabará a decretar situação de emergência na última quinta-feira (12), com validade de 180 dias. O decreto cita enxurradas, alagamentos e sobrecarga no sistema de drenagem, com acumulados de até 80 mm em curto período no dia 11 de março.

  • Professora da Ufac publica retratação após comentário racista em debate

    Professora da Ufac publica retratação após comentário racista em debate

    A professora Maria de Jesus Morais, da Universidade Federal do Acre (Ufac), publicou nesta sexta-feira (13), em suas redes sociais, uma nota de retratação após a repercussão de um comentário feito por ela no chat do YouTube durante o debate entre candidatos à reitoria da instituição, realizado no último dia 12 de março.

    Durante a transmissão do debate, exibida no canal da UfacTV, a docente escreveu a frase “tem certeza, negra?”, direcionada à professora Almecina Balbino Ferreira, que concorre ao cargo de vice-reitora na eleição para a gestão 2026–2030. O comentário foi interpretado como racista e gerou forte reação na comunidade acadêmica e em entidades da sociedade civil.

    Na nota divulgada nesta sexta, Maria de Jesus Morais pede desculpas à professora Almecina Balbino e à comunidade acadêmica acreana. Segundo ela, o comentário foi “infeliz” e não houve intenção de disseminar racismo.

    “Venho, por meio desta nota, manifestar minhas sinceras desculpas à professora Dra. Almecina Balbino Ferreira e a toda comunidade acadêmica e acreana pelo comentário que escrevi no chat durante o debate para a Reitoria da Universidade Federal do Acre (Ufac)”, afirmou.

    A docente disse ainda que, naquele momento, compreendeu o chat do YouTube como um espaço para manifestações que acompanhavam as falas do debate. Mesmo assim, reconheceu o erro e reiterou o pedido de desculpas.

    “Reconheço que fui infeliz em um comentário publicado no chat do YouTube (…) Ressalto que não tive a intenção de disseminar qualquer forma de racismo ou desrespeito em relação a qualquer pessoa”, declarou.

    Na mesma nota, Maria de Jesus Morais destacou que é professora da Ufac há cerca de 30 anos e afirmou ter construído uma trajetória acadêmica e profissional conhecida na instituição. Ela também disse que está à disposição para dialogar e prestar esclarecimentos.

    “Diante da interpretação que foi atribuída à minha fala, reitero meu pedido de desculpas e me coloco à disposição para o diálogo e para os esclarecimentos que se fizerem necessários”, concluiu.

    O caso ganhou repercussão após a própria Ufac divulgar nota de repúdio aos ataques racistas ocorridos durante o debate transmitido online. A universidade afirmou que manifestações dessa natureza são incompatíveis com os princípios da instituição e informou que medidas seriam adotadas para apurar os fatos.

    O episódio ocorreu em meio ao processo eleitoral para a escolha da nova gestão da universidade, que definirá o reitor e o vice-reitor para o quadriênio 2026–2030.

  • Morre Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, aos 64 anos

    Morre Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, aos 64 anos

    Reprodução/Instagram
    phil-campbell

    O guitarrista Phil Campbell, que integrou o Motörhead por mais de três décadas, morreu aos 64 anos. A informação foi confirmada pela família do músico nas redes sociais.

    De acordo com um comunicado divulgado no Facebook e nas páginas da banda Phil Campbell and the Bastard Sons, Campbell morreu após complicações decorrentes de uma cirurgia de grande porte. O artista estava internado havia um longo período em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

    Na nota, os familiares destacaram o impacto do guitarrista na vida de quem conviveu com ele e também na música: “Ele era muito amado por todos que o conheciam, e sua falta será imensamente sentida”.

    Campbell entrou para o Motörhead em 1984 e permaneceu na banda até o encerramento das atividades do grupo, em 2015, após a morte do vocalista e baixista Lemmy Kilmister.

    Depois do fim da banda, o guitarrista continuou ativo na música e passou a se apresentar com um projeto ao lado dos filhos. No comunicado, a família também afirmou que “seu legado, sua música e as memórias que ele criou com tantas pessoas vão continuar vivos para sempre”.

  • Boletim médico diz que Bolsonaro teve "piora" da função renal

    Boletim médico diz que Bolsonaro teve "piora" da função renal

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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    Boletim médico divulgado neste sábado (14/3) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encontra-se “estável clinicamente”, mas apresentou “piora na função renal e elevação dos marcadores inflamatórios”.

    O documento, assinado pela equipe médica do ex-chefe do Executivo, diz que ele mantém o “tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa, fisioterapia respiratória e motora, além das medidas de prevenção de trombose venosa”.

    Não há previsão de alta da Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) neste momento, segundo o boletim.

    Bolsonaro foi internado no hospital DF Star, em Brasília, por conta de um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral.

    De acordo com informações antecipadas pela equipe médica, Bolsonaro apresentou febre alta, queda de saturação de oxigênio, sudorese intensa e calafrios enquanto estava detido na Papudinha, em Brasília.

    Diante da piora clínica, a equipe de plantão optou por transferi-lo, na manhã de sexta (13/2), para avaliação hospitalar mais detalhada.

    O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Papudinha, presídio localizado no complexo da Papuda, no Distrito Federal, desde o dia 15 de janeiro.

  • Com R$ 1,6 milhão de Petecão, Ifac lança pedra fundamental de planetário em Rio Branco

    Com R$ 1,6 milhão de Petecão, Ifac lança pedra fundamental de planetário em Rio Branco

    O senador Sérgio Petecão (PSD-AC) participou, na sexta-feira (13), em Rio Branco, da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do primeiro planetário fixo do Instituto Federal do Acre (Ifac), no campus da capital. A iniciativa marca um passo importante para o fortalecimento da educação científica no estado e representa um avanço na infraestrutura voltada ao […]

  • Produção agrícola cresce no Acre e supera 200 mil toneladas em 2026, aponta IBGE

    Produção agrícola cresce no Acre e supera 200 mil toneladas em 2026, aponta IBGE

    O Acre deve registrar crescimento na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (13). A estimativa indica que o estado alcançará 204,2 mil toneladas, volume 9,2% maior que o registrado em 2025, quando a produção foi de 186,9 mil toneladas.

    Os dados fazem parte da estimativa nacional de safra divulgada pelo instituto, que projeta para o Brasil 344,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. Apesar do volume expressivo, o total representa queda de 0,6% em relação a 2025, quando a produção nacional atingiu 346,1 milhões de toneladas.

    Na região Norte, a tendência geral é de retração. O IBGE estima produção de 21,5 milhões de toneladas, o que representa queda de 3,5% em comparação com o ano passado. Mesmo assim, alguns estados, como o Acre, apresentaram crescimento, impulsionando parte da produção regional.

    Entre os principais produtos agrícolas do país estão soja, milho e arroz, que juntos respondem por mais de 90% da produção nacional desse grupo de culturas. A soja, sozinha, tem estimativa de 173,3 milhões de toneladas, enquanto o milho deve atingir 134,3 milhões de toneladas em 2026.

    No Acre, embora a participação na produção nacional ainda seja pequena, os números indicam expansão gradual da área plantada e aumento da produtividade, refletindo o avanço da agricultura regional e a diversificação das lavouras.

  • Estudo brasileiro cria exame de sangue para detectar câncer de mama

    Estudo brasileiro cria exame de sangue para detectar câncer de mama

    Freepik
    Close de um tubo de coleta a vácuo de vidro contendo solução de DNA para teste em laboratório químico. Mãos de médico com luvas segurando um frasco transparente com amostra de sangue para análise laboratorial. Metrópoles

    O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e também a principal causa de morte por câncer nessa população. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 73 mil novos casos são diagnosticados por ano no país, além de mais de 20 mil mortes anuais.

    Diante desse cenário, uma pesquisa brasileira desenvolveu um exame de sangue que pode ajudar a ampliar as estratégias de prevenção e rastreio da doença. Chamado RosalindTest®, o teste identifica sinais moleculares associados ao câncer de mama por meio da análise de biomarcadores presentes na corrente sanguínea.

    A tecnologia foi criada a partir de estudos em expressão gênica e biomarcadores moleculares, com a proposta de transformar descobertas da biologia molecular em uma ferramenta de uso clínico.

    O projeto foi conduzido por pesquisadoras brasileiras com atuação em genética e biologia molecular, entre elas a biomédica Glaucia Raquel Luciano da Veiga, doutora em Farmacologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e a geneticista Beatriz da Costa Aguiar Alves Reis, doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

    “O objetivo do projeto sempre foi transformar conhecimento científico em uma ferramenta acessível, capaz de apoiar decisões clínicas e fortalecer as estratégias de prevenção”, afirma Glaucia, pesquisadora líder e cofundadora da iniciativa.

    Como funciona o exame

    O RosalindTest® analisa no sangue marcadores moleculares ligados ao desenvolvimento do câncer de mama. Os estudos que deram origem à tecnologia investigaram como células tumorais passam a expressar determinados genes associados à sobrevivência e ao crescimento do tumor.

    Essas alterações podem ser detectadas por meio da análise da expressão de biomarcadores presentes na corrente sanguínea. Com uma simples coleta de sangue, o exame busca identificar sinais moleculares que podem indicar precocemente a presença da doença.

    Em estudos prévios, o teste apresentou cerca de 95% de acurácia ao diferenciar mulheres com e sem câncer de mama. O resultado pode auxiliar na triagem de pacientes e indicar a necessidade de exames confirmatórios, como mamografia ou biópsia, sem substituir esses métodos.

    A tecnologia foi desenvolvida pela empresa brasileira de biotecnologia LiqSci, especializada em diagnósticos inovadores. A companhia integra o hub de saúde e ciência da Sthorm e nasceu em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC, que participou do desenvolvimento e da validação do teste.

    Os resultados indicam que a tecnologia pode contribuir para levar ferramentas de diagnóstico a populações que costumam ter menos acesso ao rastreio precoce da doença.

    Exame pode complementar estratégias de rastreio

    O RosalindTest® foi desenvolvido para funcionar como uma ferramenta complementar à mamografia dentro do conceito de medicina de precisão.

    Enquanto a mamografia costuma ser indicada principalmente a partir dos 40 anos, conforme orientação médica e diretrizes de rastreamento, o exame de sangue pode ser realizado por mulheres de qualquer idade como uma estratégia adicional de prevenção.

    Outro diferencial é a possibilidade de levar o teste a regiões com menor infraestrutura médica. Como o exame exige apenas coleta de sangue, ele pode ser realizado em campo por profissionais de saúde e posteriormente analisado em laboratório.

    Os pesquisadores destacam que o teste foi pensado para prevenção e rastreio. Ele não é indicado para acompanhar mulheres que já tiveram câncer de mama nem para monitorar o tratamento da doença, situações que devem seguir protocolos médicos específicos.

    Homenagem a cientista pioneira

    O nome do exame é uma homenagem à cientista britânica Rosalind Franklin, pesquisadora fundamental para a compreensão da estrutura do DNA.

    Em 1952, Franklin registrou a chamada Foto 51, uma imagem decisiva para revelar a estrutura em dupla hélice da molécula de DNA. A fotografia acabou sendo mostrada sem sua autorização a James Watson e Francis Crick, que anos depois receberam o Prêmio Nobel pela descoberta.

    Franklin havia morrido quatro anos antes da premiação e não recebeu o reconhecimento em vida. Ao resgatar seu nome, o projeto também busca valorizar a contribuição feminina para o avanço da ciência.

  • Papudinha: laudo aponta que Bolsonaro caminhou 5km no dia anterior à crise

    Papudinha: laudo aponta que Bolsonaro caminhou 5km no dia anterior à crise

    Fábio Vieira/ Metrópoles
    Jair Bolsonaro - Metrópoles

    Laudo dos médicos que atendem Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha aponta que o ex-presidente caminhou 5km no dia anterior ao que passou mal. Na tarde do dia 12 de março, “Bolsonaro estava com bom estado de saúde, lúcido e orientado”.

    Em seguida, segundo consta nos relatos do plantão noturno, assinado por um médico, apresentou “um pouco de crise de soluço”, mas não quis a medicação no momento. “Informou que ia tomar após o jogo”.

    Veja parte do laudo do plantão noturno:

    Laudo Médico de Jair Bolsonaro na Papudinha

    Ainda segundo o documento, os médicos do complexo prisional foram acionados por volta das 6h15 para atender Bolsonaro devido a reclamação por calafrios. As medidas cabíveis foram tomadas imediatamente. Foi constatado que o ex-presidente estava com febre e ele foi levado ao hospital pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

    Ele deu entrada no Hospital DF Star após apresentar quadro de febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios. 

    Segundo os três médicos particulares que o atendem, chegou a ter saturação de oxigênio no sangue de 80% e pressão arterial de 9 por 5. “Isso mostra que uma infecção estava se iniciando com critérios de gravidade. O fato de ter atendimento muito rápido fez toda a diferença”, afirmou um dos médicos.

    Exames de imagem

    Segundo boletim médico, Bolsonaro foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. O estado de saúde de Bolsonaro é considerado grave por Cláudio Birolini. O médico falou em evento “potencialmente mortal”, mas que está sendo tratado para ser revertido com “antibióticos potentes”.

    Estamos aí tendo que lidar com essa situação, que é uma situação bastante crítica, bastante indesejável e que realmente, para quem questiona isso, realmente põe em risco a vida do paciente”, disse Birolini.

    “Uma pneumonia aspirativa pode fazer com que a pessoa evolua com uma insuficiência respiratória e, se você não intervir, morra. Então, por favor, a gente está lidando com uma situação extremamente grave. No momento, a questão do presidente Bolsonaro é estável, mas o risco de um evento potencialmente mortal, mais uma vez, surge nessas circunstâncias”, completou.

    Bolsonaro segue internado em unidade de terapia intensiva (UTI), neste sábado (14/3), sem previsão de alta e com piora da função renal.