O Rio Envira segue em elevação no município de Feijó e já se encontra 44 centímetros acima da cota de transbordamento. De acordo com o Informativo Hídrico divulgado pela Coordenação Municipal de Proteção e Defesa Civil, a medição realizada às 7h desta segunda-feira, 2, apontou que o nível do rio chegou a 12,44 metros. O […]
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Rio Envira ultrapassa cota de transbordo e marca 12,44 metros em Feijó
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Rio Acre segue em elevação e chega a 15,44 metros em Rio Branco
O nível do Rio Acre segue em elevação e permanece acima da cota de transbordamento em Rio Branco, de acordo com boletim divulgado pela Defesa Civil Municipal nesta segunda-feira (2). Às 5h19, o rio marcou 15,42 metros, subindo para 15,44 metros às 9h. Os dados apontam que, nas primeiras horas da manhã de ontem, 1° […] -

Câmara abrirá ano legislativo com foco no Plano Diretor e transporte público
A Câmara Municipal de Rio Branco realizou, na manhã desta segunda-feira, 2, um café da manhã especial em alusão à abertura dos trabalhos legislativos de 2026. O encontro ocorreu no Hotel Nobile Suítes, localizado na Avenida Ceará, nº 2156, Centro, e reuniu vereadores, autoridades e convidados. O ato contou com a presença dos vereadores, assessores […] -

Feira de Adoção no Via Verde Shopping vacina 189 animais e garante adoção responsável
A Feira de Adoção de cães e gatos realizada no último domingo (1º), no Via Verde Shopping, foi marcada por resultados positivos e forte adesão da população. Promovida pela Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, a ação garantiu não apenas novos lares para animais resgatados, mas também ampliou a cobertura […] -

Atuação da PM garante Supercopa do Brasil organizada e sem incidentes
BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A Supercopa do Brasil entre Flamengo e Corinthians, realizada neste domingo (1º/2) na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília, não foi apenas um marco pelo título conquistado pelo Timão. A vitória por 2 x 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto, contou com público recorde de 71.244 pessoas e ocorreu em um evento com ótima organização e segurança. A presença em massa e estratégica da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) assegurou a tranquilidade de torcedores dentro e fora do estádio. O jogo foi uma realização Metrópoles Sports.
A maior presença de público já registrada no estádio Mané Garrincha reuniu torcedores divididos entre rubro-negros e alvinegros. Apesar da rivalidade acirrada e da expectativa alta para o primeiro grande título da temporada 2026, o ambiente foi de festa, sem qualquer registro de conflito, briga ou incidente grave dentro ou nas proximidades do estádio.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) fizeram um planejamento prévio, formalizado por meio de um Protocolo de Operações Integradas (POI), que envolveu coordenação entre forças de segurança, órgãos públicos e empresas privadas.

Dentro do estádio e nas redondezas, a PM atuou de forma profissional e preventiva, criando um ambiente seguro que permitiu que mais de 71 mil pessoas, incluindo famílias com crianças, desfrutassem do jogo sem preocupações.
A escolta dos ônibus de torcidas organizadas vindas de fora do DF também foi exemplar: as viaturas da PM acompanharam os deslocamentos, evitando qualquer tipo de transtorno nas vias de acesso e garantindo a integridade de todos os torcedores.
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Mr. Trump, a Groelândia é aqui! (por Roberto Caminha Filho)
Alex Wong/Getty Images
Se o Mr. Donald Trump ainda anda olhando o mapa-múndi como quem escolhe terreno em leilão, convém avisar: a Groenlândia pode até ser gelada, estratégica e cheia de minerais mas o verdadeiro cofre forte do planeta fala português, canta frevo, samba, sertanejo, carimbó, toma café em vários tons e, ainda frita, assa e defuma como ninguém. Mr. Trump, a Groenlândia é aqui!
Comecemos pelo óbvio, que a nossa Brasília às vezes esquece, e Wall Street finge não enxergar. A Groenlândia é rica, sim — terras raras, posição geopolítica, gelo a perder de vista. Só tem um pequeno detalhe: gelo não mata sede, não vira suco, não dá safra e não alimenta defumador texano. Já a Amazônia é um cardápio completo. Água doce em escala continental, peixes que sabem dançar em traves, florestas primárias e virgens, biodiversidade que faria qualquer investidor sério engolir a gravata, emendar com o cinturão e comemorar pedindo um repeteco.
Enquanto o continente gelado oferece sal e frio, nós entregamos água doce — o novo petróleo do século XXI. O rio Amazonas despeja mais água no Atlântico do que muitos países despejam discurso em COP. Água para beber, irrigar, gerar energia e produzir comida. Aqui, o líquido não congela: circula fácil, limpo e filtrado.
Falemos das commodities, esse palavrão elegante que todo liberal respeita e adora pronunciar. Soa inteligente! Grãos, carnes, minérios, energia limpa e, sobretudo, comida de verdade, proteína de verdade. Frutas que viram sucos, sobremesas que parecem sobremesas (não experiências laboratoriais), bolos, cafés com notas que vão do chocolate ao caramelo, passando pelo “acorde amazônico” que nenhum barista do Brooklyn sabe pronunciar. E carnes — ah, as carnes — perfeitas para aqueles belíssimos defumadores americanos que transformam qualquer corte honesto em diplomacia gastronômica.
Aqui entra a matemática fria e calculista que o Professor Mário Henrique Simonsen ensinava: produtividade, escala e custo. Produzir alimento em área fértil, com água abundante e sol constante é simplesmente mais racional do que extrair riqueza do gelo com subsídio geopolítico. Não é ideologia, é aritmética.
E como todo bom liberal que estudou Bob Fields, convém lembrar: riqueza não nasce do discurso, nasce da combinação de recursos, instituições, empresariado e mercado. A Amazônia tem recursos. O mercado global tem fome. Falta alinhar as instituições — sem romantismo paralisante e sem predação boba. Explorar não é destruir; destruir é não explorar com inteligência.
Agora, agreguemos a cereja do bolo — ou o petróleo do prato principal. A Venezuela, recém-agregada ao tabuleiro da realidade, é sortuda porque continua sentada sobre uma das maiores reservas energéticas do planeta. Energia + água + alimentos + minerais = felicidade continental. Não é império, é cadeia produtiva. Não é anexação, é integração — palavra que dá menos medo e rende mais PIB. O Mercado não aceita cabresto e chicote.
Imagine esse Combo Brasil: energia venezuelana, logística amazônica, agricultura tropical, mineração responsável e um mercado internacional faminto por segurança alimentar e energética. Isso não é utopia verde nem delírio bolivariano. É pragmatismo liberal com sotaque tropical. O tipo de coisa que faria o investidor americano trocar o casaco térmico por uma camisa de linho.
Enquanto a Groenlândia exige tratados, gelo e paciência polar, a Amazônia pede infraestrutura, regra clara e coragem política. Aqui não se cava no permafrost; planta-se, colhe-se e exporta-se graças a 14 milhões de hectares de várzeas sem aproveitamento. Aqui, o ativo não está enterrado sob quilômetros de gelo, mas correndo em rios, crescendo em árvores, adubando as várzeas como no antigo e estudado Rio Nilo, além de boizinhos mugindo nos pastos.
Mr. Trump, se a ideia é grandeza, pense quente. Se a ideia é riqueza real, pense doce, verde e produtiva. A Groenlândia é fria e distante. A solução está mais perto, fala alto, come bem e tem tudo para ser — se deixarem — o maior supermercado sustentável do planeta.
A Groenlândia é bonita! A nossa Amazônia é absolutamente decisiva! E, convenhamos, quem tiver água doce, comida, drones, estilingues e energia, costuma mandar na conversa. Du-vi-d-ó-dó, que Vossa Excelência, consiga um gelinho sem estar salinizado e ainda ter que mandar o SS Gerald Ford buscar pedrinhas em New York, dando argumentos ruins para o seu Congresso. Aqui, a sua caipirinha será bem servida e até poderá escolher o serviço de maitres e garçons destros ou canhotos. Somos muito versáteis e estaremos sempre à disposição dos carinhos. E nem precisa usar os super-homens da Delta Force, basta sentar com o nosso presidente, que nasceu negociando, e sabe fazer uma caipirinha premium como poucos.
Depois dessa sentada e dos primeiros e intermináveis goles, duvido que a Europa não queira vir pra cá e os “chinas” se insinuando, logo a seguir. A comemoração do acordo será na Praia de Copacabana com Lady Gaga, Zeca Pagodinho, Caetano e Willy Nelson. A CBF fará um jogo contra a Argentina e o adversário dos Hermanos será um combinado Brasil x Estados Unidos. O Senhor ficará muito bem na nossa verde-amarela e o nosso presidente, de azul, vermelho e branco, ficará um show para a Maison Chanel aprender.
Mr. Trump, o senhor sabe que os “carinhos” acabam saindo mais barato que as colonizações. Se essa briga interna, brasileira, continuar, os dois grupos matarão o Jair e o Brasil terá a sua primeira eleição para presidente, em uma feijoada familiar. O Presidente do Brasil será feito em um sábado qualquer de setembro, pela família Bolsonaro, no seu já famoso condomínio e com direito a passeata da Barra ao Corcovado.
Mr. Trump, o “Homem” criou essa nossa Amazônia para o mundo aprender sobre ciência e desenvolvimento. Sobre “Caos”, o laboratório é Gaza. Mr. Trump, venha logo, chegue com ardor, nós queremos paz e amor, nada de guerra. Guerra só move o Mercado das armas.
Roberto Caminha Filho,economista, torce por um entendimento com os peles-vermelhas o mais rápido possível. Brincar de cowboy está fora de moda.
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Novo prazo para retirar Cartão Uniforme Escolar começa nesta segunda
Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Famílias de estudantes da rede pública do Distrito Federal que têm direito ao Cartão Uniforme Escolar e não retiraram o benefício no prazo do 1º lote poderão fazer o saque a partir desta segunda-feira (2/2).
O prazo de retirada segue até a próxima segunda-feira (9/2) e contempla 60.311 beneficiários que não buscaram o cartão na primeira etapa do cronograma.
Pago em parcela única anual, no valor de R$ 282,99, o benefício é destinado à compra das peças do uniforme escolar. O programa garante acesso universal aos itens, sem exigência de comprovação de renda, para alunos regularmente matriculados na rede pública até 2025.
Com o valor, é possível adquirir três camisetas de manga curta, duas bermudas, uma calça comprida e um casaco. As compras podem ser feitas em mais de 90 malharias credenciadas no DF.
Para consultar o ponto de retirada, basta acessar o site gdfsocial.brb.com.br, selecionar a opção “Consulta Cartão Uniforme Escolar”, preencher os dados solicitados e, em seguida, o sistema informará o endereço onde o cartão está disponível.
No caso de famílias com mais de um filho matriculado, é emitido um único cartão por responsável, reunindo o valor total correspondente aos créditos de todos os estudantes.
A concessão é automática, desde que os dados cadastrais do aluno e do responsável estejam atualizados junto à escola.
Segundo lote
O cronograma do segundo lote também já foi definido. Estudantes não contemplados na primeira etapa poderão retirar o benefício entre os dias 10 e 13 de fevereiro.
A lista de contemplados será divulgada em breve. Esse lote é destinado a alunos dos Centros de Ensino Especial e àqueles que enfrentaram problemas na impressão do cartão do responsável, o que gerou a necessidade de nova emissão.
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Estudo mostra como o Alzheimer desorganiza memórias durante o repouso
Richard Drury/Gettyimages
Uma nova pesquisa conduzida por cientistas da University College London (UCL), no Reino Unido, sugere que parte dos problemas de memória no Alzheimer pode começar justamente nos momentos de descanso.
Segundo o estudo, quando o cérebro deveria repassar experiências recentes para fixá-las, esse processo acontece de forma desordenada. Em vez de fortalecer as lembranças, a repetição perde a organização e as memórias acabam se consolidando com mais dificuldade.
O trabalho, publicado na quinta-feira (29/1) na revista Current Biology, foi realizado em camundongos geneticamente modificados para desenvolver placas amiloides, uma das principais marcas biológicas do Alzheimer. Os resultados ajudam a entender melhor como essas alterações interferem diretamente na atividade cerebral e podem contribuir para novas formas de diagnóstico e tratamento.
Como as placas alteram o funcionamento do cérebro
A pesquisadora Sarah Shipley, da área de Biologia Celular e do Desenvolvimento da UCL, explica que o Alzheimer está associado ao acúmulo de proteínas e placas nocivas no cérebro, levando a sintomas como perda de memória e dificuldade de orientação espacial.
“O Alzheimer é causado pelo acúmulo de proteínas e placas nocivas no cérebro, levando a sintomas como perda de memória e dificuldade de orientação espacial, mas ainda não se compreende exatamente como essas placas interrompem os processos cerebrais normais”, explica em comunicado.
Segundo a pesquisadora, o objetivo da equipe era justamente observar como a função das células cerebrais muda à medida que a doença avança. “Queríamos entender como a função das células cerebrais muda à medida que a doença se desenvolve, para identificar o que está causando esses sintomas”, diz Sarah.
O papel do repouso na formação das lembranças
Um dos processos mais importantes para a memória ocorre quando estamos em repouso. “Quando descansamos, nossos cérebros normalmente reproduzem experiências recentes e acredita-se que isso seja fundamental para a formação e manutenção das memórias”, afirma Sarah.
Essa repetição ocorre principalmente no hipocampo, região central para o aprendizado. Nela atuam neurônios chamados células de lugar, que se ativam em sequências específicas quando um animal se move por determinado espaço. Depois, essas mesmas sequências costumam reaparecer durante o descanso, reforçando a lembrança do caminho percorrido.
Repetição desordenada e memória enfraquecida
Nos camundongos afetados, a equipe observou que os eventos de repetição continuavam acontecendo com a mesma frequência. A diferença é que eles já não seguiam uma estrutura organizada.
Em vez de reforçar a memória, a atividade das células se tornava caótica, sem preservar a sequência que representava a experiência vivida. Além disso, os neurônios passaram a perder estabilidade, deixando de representar de forma confiável os mesmos lugares ao longo do tempo.
“Descobrimos uma falha na forma como o cérebro consolida as memórias, visível ao nível dos neurônios individuais. O que é surpreendente é que os eventos de repetição ainda ocorrem, mas perderam sua estrutura normal”, diz o professor Caswell Barry, coautor do trabalho. “Não é que o cérebro pare de tentar consolidar as memórias. O próprio processo falhou”.
Essa desorganização também apareceu no comportamento dos animais. Os ratinhos com repetição prejudicada tiveram pior desempenho no labirinto, voltando repetidamente a caminhos já explorados, como se não conseguissem lembrar por onde tinham passado.
Para os autores, entender essa falha pode ajudar a identificar sinais do Alzheimer em estágios iniciais, antes que o dano cerebral seja amplo. Também pode orientar tratamentos que tentem restaurar esse tipo de atividade coordenada no hipocampo.
Barry afirma que o grupo já investiga se é possível manipular esse mecanismo por meio da acetilcolina, neurotransmissor que já é alvo de medicamentos usados hoje para aliviar sintomas da doença.
“Esperamos que nossas descobertas possam ajudar no desenvolvimento de testes para detectar o Alzheimer precocemente ou levar a novos tratamentos direcionados a esse processo de repetição”, finaliza.
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Dia de Iemanjá: estudiosos questionam estátuas brancas da entidade

Nipah, gripe K, aviária: as doenças no radar dos infectologistas
Kateryna Kon/Science Photo Likbrary/Getty Images
A recente confirmação de dois casos do vírus Nipah na Índia acendeu um alerta em diversos países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todas as 190 pessoas que tiveram contato direto com os infectados foram testadas e liberadas, mas a possibilidade de uma contaminação em massa assustou a comunidade internacional.
Essa não é a primeira vez que o Nipah chama atenção. Desde 2001, Índia e Bangladesh relatam surtos em frequência quase anual. Segundo a infectologista Priscilla Sawada, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, o risco pandêmico desse vírus é baixo.
“Trata-se de uma doença zoonótica, cuja principal fonte de infecção são os morcegos frutíferos do gênero Pteropus, espécies que não existem no Brasil, estando restritas a Ásia, Oceania e parte do leste da África”, explica.
A alta letalidade desse agente infeccioso — entre 40% e 75% — limita sua capacidade de disseminação sustentada. O contágio pode ocorrer com o consumo de frutas que foram contaminadas por animais doentes ou a partir do contato muito próximo com pessoas e animais infectados.
Não há vacina ou tratamento específico para a doença, o que a torna mais preocupante. A enfermidade causa febre, infecções respiratórias agudas e inflamações no cérebro. Além disso, um a cada cinco infectados pode ter sequelas neurológicas de longo prazo, segundo a OMS.
De olho no cenário global
Apesar das preocupações com o Nipah, ele não é a única doença em que os infectologistas estão de olho para evitar surtos ou pandemias. Em 2026, o cenário global promete ser marcado tanto pela circulação antecipada de vírus respiratórios humanos, como a variante do Influenza A conhecida como gripe K, quanto pela presença cada vez mais constante de vírus da gripe aviária, como os subtipos H5N1 e H5N5. No Brasil, a atenção também se volta à expansão de arboviroses e ao avanço da sífilis.
No final de 2025, autoridades de saúde alertaram para o aumento de casos na Europa e nos Estados Unidos da gripe K, cujos primeiros casos foram confirmados no Brasil em meados de dezembro.
Mas não se trata de uma nova doença: o agente causador é o vírus da gripe comum, mais especificamente a variante H3N2 do subclado K, que deu o “apelido” à doença. A mudança de subclado indica uma mutação sutil na estrutura viral, o que pode ter potencializado levemente a capacidade de transmissão da gripe, segundo análises preliminares.
“Os vírus Influenza têm uma capacidade de sofrer mutações naturais regularmente. O que colocou esse subclado em destaque foi sua circulação de forma precoce e muito acelerada no Hemisfério Norte, antes do pico do inverno”, analisa a infectologista Maria Daniela Bergamasco, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein Hospital Israelita.
Apesar de isso reforçar a importância de medidas preventivas, como a vacinação, não é preciso gerar alarde. “Essa não é uma variante especialmente mais agressiva, ela causa apenas sintomas comuns da síndrome gripal de Influenza A H3N2”, esclarece Bergamasco.
Quanto à prevenção, medidas universais de higiene que se tornaram populares durante a pandemia de Covid-19 continuam válidas para evitar infecções respiratórias, incluindo o uso de máscara, especialmente em quem tem sintomas, e a higiene constante das mãos.
“A vacinação segue como ferramenta central de prevenção. Embora o imunizante atual não seja adaptado para este subclado específico, ele oferece uma proteção relevante. Além disso, é uma doença para a qual temos muitos tratamentos disponíveis”, afirma a infectologista. “Pacientes devem buscar atendimento médico diante de sintomas para a realização de testes virais que permitam acompanhar a situação epidemiológica e fazer o tratamento”.
Gripe aviária no radar
Outras infecções virais respiratórias estão em permanente observação. Nos últimos dois anos, as formas de gripe aviária H5N1 e H5N5 causaram surtos em aves selvagens por todo o mundo. Foram registrados casos em diversas espécies de mamíferos, inclusive humanos que tiveram contato direto com animais contaminados.
A boa notícia é que não há registro de contaminação entre pessoas. “O risco de transmissão entre humanos permanece baixo”, assegura Maria Daniela Bergamasco. Ainda assim, o agente infeccioso merece atenção constante. “Como outros vírus influenza, essas variantes acumulam mutações ao longo do tempo. O maior risco atual é de fato associado à gripe K, mas os influenzas aviários demandam vigilância contínua”, frisa a médica do Einstein.
Arboviroses em expansão
Outro grupo de doenças com crescimento recente são as arboviroses, doenças virais transmitidas por mosquitos. Embora velhas conhecidas como a dengue e a febre amarela ainda sejam responsáveis pelos quadros mais graves, há novas enfermidades ganhando protagonismo, como a febre oropouche.
Desde 2023, carregada pelo mosquito maruim, a doença saiu da regão amazônica, onde era endêmica, e se espalhou pelo país. Em 2024, o Ministério da Saúde registrou duas mortes pela condição. “Ela não tem uma vacina, então a prevenção envolve evitar a exposição à picada do maruim, com uso de repelentes e controle de sua reprodução, que ocorre nos mesmos contextos da arbovirose mais conhecida, a dengue”, detalha Bergamasco.
Falando em dengue, o imunizante anunciado no final de 2025 pelo Instituto Butantan, em São Paulo, promete começar a mudar o cenário da doença a partir deste ano, ao lado da vacina Qdenga, aplicada desde 2024. Contudo, até que a vacinação chegue à maioria da população, evitar a reprodução do mosquito Aedes aegypti ainda é a melhor forma de diminuir os casos de dengue, cujo pico ocorre logo no começo do ano.
“O verão é uma época propícia para a reprodução dos mosquitos, por isso é essencial estar de olho neles. Todas as arboviroses podem ser muito preocupantes, mas a dengue é uma das mais frequentes a levar a casos graves. É fundamental não descuidarmos da prevenção neste ano, já que os casos têm quebrado recordes sucessivos nos últimos verões”, alerta a infectologista.
Sífilis volta a ameaçar
Não são apenas enfermidades virais que merecem acompanhamento. Uma doença bacteriana, a sífilis, tem crescido de maneira expressiva no Brasil e no mundo. Ela integra o grupo das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e quebrou recordes de casos nos últimos anos. Em 2024, foram 256 mil registros, segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, e dados preliminares indicam que em 2025 podem ter sido mais.
O avanço da IST ocorre por múltiplos fatores, como não usar preservativo e a falta de testagem. Não há indícios de resistência bacteriana ao tratamento com benzetacil, que segue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). “A chave está mesmo na conscientização”, afirma Bergamasco. Além disso, estratégias adicionais de prevenção combinada estão em avaliação, como a DoxiPEP, uma profilaxia pós-exposição para infecções bacterianas, mas que ainda depende de dados para definição de uso amplo.