Se o Mr. Donald Trump ainda anda olhando o mapa-múndi como quem escolhe terreno em leilão, convém avisar: a Groenlândia pode até ser gelada, estratégica e cheia de minerais mas o verdadeiro cofre forte do planeta fala português, canta frevo, samba, sertanejo, carimbó, toma café em vários tons e, ainda frita, assa e defuma como ninguém. Mr. Trump, a Groenlândia é aqui!
Comecemos pelo óbvio, que a nossa Brasília às vezes esquece, e Wall Street finge não enxergar. A Groenlândia é rica, sim — terras raras, posição geopolítica, gelo a perder de vista. Só tem um pequeno detalhe: gelo não mata sede, não vira suco, não dá safra e não alimenta defumador texano. Já a Amazônia é um cardápio completo. Água doce em escala continental, peixes que sabem dançar em traves, florestas primárias e virgens, biodiversidade que faria qualquer investidor sério engolir a gravata, emendar com o cinturão e comemorar pedindo um repeteco.
Enquanto o continente gelado oferece sal e frio, nós entregamos água doce — o novo petróleo do século XXI. O rio Amazonas despeja mais água no Atlântico do que muitos países despejam discurso em COP. Água para beber, irrigar, gerar energia e produzir comida. Aqui, o líquido não congela: circula fácil, limpo e filtrado.
Falemos das commodities, esse palavrão elegante que todo liberal respeita e adora pronunciar. Soa inteligente! Grãos, carnes, minérios, energia limpa e, sobretudo, comida de verdade, proteína de verdade. Frutas que viram sucos, sobremesas que parecem sobremesas (não experiências laboratoriais), bolos, cafés com notas que vão do chocolate ao caramelo, passando pelo “acorde amazônico” que nenhum barista do Brooklyn sabe pronunciar. E carnes — ah, as carnes — perfeitas para aqueles belíssimos defumadores americanos que transformam qualquer corte honesto em diplomacia gastronômica.
Aqui entra a matemática fria e calculista que o Professor Mário Henrique Simonsen ensinava: produtividade, escala e custo. Produzir alimento em área fértil, com água abundante e sol constante é simplesmente mais racional do que extrair riqueza do gelo com subsídio geopolítico. Não é ideologia, é aritmética.
E como todo bom liberal que estudou Bob Fields, convém lembrar: riqueza não nasce do discurso, nasce da combinação de recursos, instituições, empresariado e mercado. A Amazônia tem recursos. O mercado global tem fome. Falta alinhar as instituições — sem romantismo paralisante e sem predação boba. Explorar não é destruir; destruir é não explorar com inteligência.
Agora, agreguemos a cereja do bolo — ou o petróleo do prato principal. A Venezuela, recém-agregada ao tabuleiro da realidade, é sortuda porque continua sentada sobre uma das maiores reservas energéticas do planeta. Energia + água + alimentos + minerais = felicidade continental. Não é império, é cadeia produtiva. Não é anexação, é integração — palavra que dá menos medo e rende mais PIB. O Mercado não aceita cabresto e chicote.
Imagine esse Combo Brasil: energia venezuelana, logística amazônica, agricultura tropical, mineração responsável e um mercado internacional faminto por segurança alimentar e energética. Isso não é utopia verde nem delírio bolivariano. É pragmatismo liberal com sotaque tropical. O tipo de coisa que faria o investidor americano trocar o casaco térmico por uma camisa de linho.
Enquanto a Groenlândia exige tratados, gelo e paciência polar, a Amazônia pede infraestrutura, regra clara e coragem política. Aqui não se cava no permafrost; planta-se, colhe-se e exporta-se graças a 14 milhões de hectares de várzeas sem aproveitamento. Aqui, o ativo não está enterrado sob quilômetros de gelo, mas correndo em rios, crescendo em árvores, adubando as várzeas como no antigo e estudado Rio Nilo, além de boizinhos mugindo nos pastos.
Mr. Trump, se a ideia é grandeza, pense quente. Se a ideia é riqueza real, pense doce, verde e produtiva. A Groenlândia é fria e distante. A solução está mais perto, fala alto, come bem e tem tudo para ser — se deixarem — o maior supermercado sustentável do planeta.
A Groenlândia é bonita! A nossa Amazônia é absolutamente decisiva! E, convenhamos, quem tiver água doce, comida, drones, estilingues e energia, costuma mandar na conversa. Du-vi-d-ó-dó, que Vossa Excelência, consiga um gelinho sem estar salinizado e ainda ter que mandar o SS Gerald Ford buscar pedrinhas em New York, dando argumentos ruins para o seu Congresso. Aqui, a sua caipirinha será bem servida e até poderá escolher o serviço de maitres e garçons destros ou canhotos. Somos muito versáteis e estaremos sempre à disposição dos carinhos. E nem precisa usar os super-homens da Delta Force, basta sentar com o nosso presidente, que nasceu negociando, e sabe fazer uma caipirinha premium como poucos.
Depois dessa sentada e dos primeiros e intermináveis goles, duvido que a Europa não queira vir pra cá e os “chinas” se insinuando, logo a seguir. A comemoração do acordo será na Praia de Copacabana com Lady Gaga, Zeca Pagodinho, Caetano e Willy Nelson. A CBF fará um jogo contra a Argentina e o adversário dos Hermanos será um combinado Brasil x Estados Unidos. O Senhor ficará muito bem na nossa verde-amarela e o nosso presidente, de azul, vermelho e branco, ficará um show para a Maison Chanel aprender.
Mr. Trump, o senhor sabe que os “carinhos” acabam saindo mais barato que as colonizações. Se essa briga interna, brasileira, continuar, os dois grupos matarão o Jair e o Brasil terá a sua primeira eleição para presidente, em uma feijoada familiar. O Presidente do Brasil será feito em um sábado qualquer de setembro, pela família Bolsonaro, no seu já famoso condomínio e com direito a passeata da Barra ao Corcovado.
Mr. Trump, o “Homem” criou essa nossa Amazônia para o mundo aprender sobre ciência e desenvolvimento. Sobre “Caos”, o laboratório é Gaza. Mr. Trump, venha logo, chegue com ardor, nós queremos paz e amor, nada de guerra. Guerra só move o Mercado das armas.
Roberto Caminha Filho,economista, torce por um entendimento com os peles-vermelhas o mais rápido possível. Brincar de cowboy está fora de moda.