Pai por escolha: enfermeiro do RJ cria sozinho 12 filhos adotivos

Imagem cedida ao Metrópoles
foto colorida de pai com 12 filhos

O que começou como um sonho de infância se transformou em um projeto de vida marcado por amor, rotina intensa e reconstrução emocional. Enfermeiro no interior do Rio de Janeiro, Uanderson Barreto adotou sozinho 12 filhos — muitos deles irmãos biológicos — e passou a viver a experiência em tempo integral. “É uma paternidade de 24 horas”, resume, em entrevista ao Metrópoles.

Entenda

A adoção como herança familiar

Uanderson conta que nunca se imaginou pai biológico. A ideia de adotar sempre esteve presente, inspirada pela própria história da família. A avó criou 10 filhos e adotou uma das filhas; depois, uma tia repetiu o gesto e teve 10 filhos.

Esse histórico familiar fez com que ele crescesse entendendo a adoção como uma forma legítima — e potente — de construir vínculos. “Eu sempre soube que a minha família seria adotiva”, afirma.

A decisão de não separar irmãos

O primeiro passo para transformar o sonho de ser pai em realidade veio quando Uanderson começou a atuar como enfermeiro em instituições de acolhimento. Foi ali que presenciou situações que o marcaram profundamente: irmãos sendo separados durante processos de adoção e crianças mais velhas ficando para trás.

Diante disso, tomou uma decisão que mudaria sua vida. Ao adotar um filho, faria questão de levar também seus irmãos biológicos.

“Eu não conseguiria separar. Eu vi de perto o quanto isso dói”, relata.

Ao longo dos anos, a família cresceu até chegar a 12 filhos, formando uma casa numerosa, diversa e cheia de histórias interrompidas — agora reconstruídas.

foto colorida de pai com 12 filhos
Uanderson e seus filhos

Reconstruir corações feridos

Mais do que o desafio financeiro ou logístico, Uanderson destaca que o maior trabalho é emocional. As crianças chegam carregando perdas, rupturas e traumas causados pela institucionalização.

“O meu maior desafio é reconstruir o coração dos meus filhos”, diz o pai. Para ele, acolher vai além de oferecer comida e moradia: é ensinar a confiar novamente, desenvolver o afeto e acreditar que vínculos podem ser permanentes.

Ele também faz questão de preservar a história de cada um. Os filhos mantêm contato com familiares biológicos, quando possível.

“Ninguém existe sem saber de onde veio”, afirma.

A logística da casa é intensa. São grandes volumes de comida, roupas, tarefas domésticas e horários a cumprir. Tudo funciona com divisão de responsabilidades e regras claras. A rotina envolve trabalho, escola, acompanhamento emocional e organização constante.

Mesmo assim, Uanderson diz que o esforço é recompensado diariamente. “O ambiente fica maravilhoso quando a gente vê o sorriso e o desenvolvimento deles”, conta o pai de 12 filhos.

Luto, dor e recomeço

A história de paternidade de Uanderson também é marcada por uma perda profunda: a morte de um filho, que ele descreve como a maior dor de sua vida. O luto o deixou devastado, com a sensação permanente de que sempre faltaria alguém à mesa.

Foi nesse período que ele voltou a visitar instituições de acolhimento e reencontrou Yohan, uma criança que precisava de uma família. O menino fazia aniversário no mesmo dia do sepultamento do filho que havia perdido.

No lugar de levar flores ao cemitério, Uanderson passou a organizar uma festa de aniversário. “Ali eu reconstruí minha história”, relembra.

Quebrando mitos sobre adoção tardia

Para o enfermeiro, ainda existe muito preconceito em torno da adoção tardia. A ideia de que o caráter de uma criança já estaria “formado” não se sustenta, segundo ele.

“Somos seres em constante evolução”, afirma. Na experiência de Uanderson, o afeto é capaz de transformar trajetórias, independentemente da idade. “O abraço muda a história.”

Exemplo dentro e fora de casa

Aos 45 anos, Uanderson decidiu voltar a estudar e iniciou o curso de medicina. A escolha tem um propósito claro: como pai, ele quer mostrar aos filhos que nunca é tarde para recomeçar.

Ele sabe que o acolhimento institucional também deixa marcas no aprendizado e quer ser exemplo. “Eu estudo para incentivar meus filhos a reconstruírem suas vidas também na escola.”

Entre desafios, perdas e conquistas, Uanderson segue exercendo uma paternidade que não tem horário para terminar — mas que, segundo ele, vale cada minuto.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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