
O capitão da Polícia Militar Alexandre Paulino Vieira, preso na última quarta-feira (4/2) em operação da Corregedoria da corporação, já foi homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo pelos “serviços benéficos” prestados à população. Desde 2014, Paulino integrava a Assessoria Militar do Legislativo municipal, órgão em que era o chefe atualmente.
A operação mirou policiais que teriam atuado na segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da empresa de transportes Transwolff, suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com fontes da Câmara Municipal, Paulino também é ex-ajudante de ordens do ex-presidente da Casa, Milton Leite (União).
Em outubro de 2015, quando já atuava na Assessoria Militar da Câmara, o policial foi um dos agraciados com a medalha Jânio Quadros. Destinada a guardas civis metropolitanos, policiais militares e personalidades civis, a honraria foi criada em 2014 por resolução apresentada pelos então vereadores Coronel Telhada (PSDB) e José Américo (PT).
“O capitão Alexandre Paulino Vieira recebeu a medalha Jânio Quadros em 2015 juntamente com outros quase cem agraciados, entre eles guardas civis metropolitanos, policiais militares e personalidades civis. Na época, o comandante Geral da GCM encaminhava as sugestões de homenageados, que, posteriormente, eram despachadas pela presidência”, informou a Câmara Municipal em nota.
No dia da operação, a Casa informou que atuou na Assessoria Militar “ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes”. “O cargo ocupado é de confiança e, nas atribuições relacionadas à Assessoria Militar na Câmara, não há nenhum registro que o desabone”, afirmou.
No dia seguinte, a Mesa Diretora da Câmara Municipal informou que solicitou à Secretaria da Segurança Pública (SSP) a “total reformulação da Assessoria Militar que presta serviços na Casa”. “A substituição da equipe atual pelos novos comandantes e policiais será realizada por indicação da Secretaria de Segurança Pública, após avaliação da carreira dos indicados e preenchimento dos respectivos critérios técnicos”, afirmou a Câmara.
A defesa do capitão Alexandre não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.
Operação
Além de Paulino, outros dois policiais militares foram presos, suspeitos de participarem efetivamente da gerência e execução de atividade de segurança pessoal e patrimonial de Pacheco. Além disso, os presos cuidavam da escolta de Cícero de Oliveira, o Té, apontado como representante legal da Transwolff.
A Corregedoria informou que o serviço de segurança teria sido prestado entre os anos de 2020 e 2024, período investigado pela Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Militar, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Receita Federal.
A operação desta quarta-feira cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além dos três mandados de prisão temporária contra os militares.
Relembre o caso
O que diz a empresa
Em nota, a empresa Transwolff afirmou não haver “qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados na reportagem”.
Acrescenta que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades”.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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