
Você já imaginou qual é a “voz” de um peixe? Apesar de não ter cordas vocais como nós, eles arrumaram um jeito de fazer sons para se comunicar entre si, seja através de vibrações na bexiga natatória ou pelas bolhas liberadas – o famoso “pum”. Pensando nisso, pesquisadores canadenses resolveram catalogar as vozes pelos mares locais e identificaram os barulhos feitos por oito espécies de peixes diferentes.
Além de reconhecer a “voz” dos peixes, os pesquisadores conseguiram compreender melhor a função dos sons para cada espécie. Enquanto uns faziam barulhos batendo o corpo no chão para encontrar uma “peixa” para chamar de sua, outros soltavam grunhidos ao nadar para escapar de predadores.
A descoberta foi liderada pela Universidade de Vitória, no Canadá, e faz parte de mais um dos achados realizados pela Fish Sounds, uma iniciativa que visa catalogar os sons produzidos por peixes no oceano e é uma parceria entre cientistas canadenses, brasileiros e norte-americanos. Os resultados do novo achado foram publicados na revista Fish Biology em dezembro.
Investigação sobre as vozes dos peixes
Como se trata de um ambiente extremamente amplo e com muitas espécies em volta, determinar os sons que cada peixe faz sempre foi uma tarefa difícil. Isolar os animais em laboratório para estudá-los até já foi usado como alternativa, mas isso limitava o comportamento deles e trazia resultados imprecisos.
Para resolver o problema, os pesquisadores encararam o mar, equipados com instrumentos tecnológicos capazes de detectar sons e imagens dos peixes. Além disso, também foi utilizada a técnica de localização acústica subaquática, responsável por determinar a posição, profundidade e trajetória de animais debaixo d’água através de detectores de som.
Após capturar diversos barulhos, um algoritmo preparado para diferenciar os sons de cada espécie por meio de atributos sonoros foi usado.
Com 88% de precisão, os resultados conseguiram separar a “voz” de oito espécies, sendo que os sons de cinco nunca haviam sido documentados ou descritos, incluindo os do peixe-vermelho (Sebastes miniatus), o peixe-canário (S. pinniger) e o peixe-rocha-preto (S. melanops).
Os achados ajudam a compreender mais detalhes sobre as características dos peixes, o que, consequentemente, também ajuda a criar novas formas de monitoramento dos animais aquáticos pelo mundo.
“Recomenda-se também a realização de mais pesquisas sobre as diferenças regionais nos sons específicos de cada espécie para determinar a transferibilidade das características sonoras”, avaliam os pesquisadores no artigo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário