
Um estudo coordenado por pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que medidas simples, sem custo adicional, podem reduzir significativamente a mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais. A pesquisa apontou uma queda de 18,5% na incidência de sepse tardia, uma das principais causas de morte entre recém-nascidos prematuros de muito baixo peso.
A sepse é uma reação inflamatória intensa do organismo a uma infecção e representa um grande risco para bebês que nascem com menos de 1,5 kg. Nesses casos, a doença pode surgir de forma precoce, até o terceiro dia de vida, geralmente associada a fatores maternos, ou de forma tardia, após esse período, ligada principalmente ao ambiente hospitalar.
Prematuros são especialmente vulneráveis porque ainda têm o sistema imunológico imaturo e, muitas vezes, precisam de suporte intensivo, como ventilação mecânica e uso de cateteres. Embora essenciais para a sobrevivência, esses dispositivos também podem facilitar a entrada de microrganismos.
Desafio nas UTIs neonatais
Medidas simples, grandes impactos
Essas medidas foram definidas a partir de metodologias já utilizadas na gestão de qualidade, como o ciclo PDCA (planejar, fazer, checar e agir) e ferramentas que ajudam a identificar causas de problemas. Cada unidade participante estabeleceu metas de acordo com sua própria realidade, considerando diferenças de estrutura e recursos.
Ao todo, o estudo acompanhou 1.993 recém-nascidos prematuros internados por mais de 72 horas. Os resultados mostraram avanços importantes: houve redução nas complicações relacionadas a cateteres, maior controle no uso de antibióticos e aumento no início precoce da alimentação com leite materno.
Como consequência, dois terços dos centros participantes registraram queda nos casos de sepse tardia, e metade atingiu as metas estabelecidas. No total, a incidência da doença caiu 18,5%.
Com os resultados positivos, a próxima etapa do projeto já está em andamento. A ideia é ampliar a participação para mais centros e envolver ainda mais profissionais das UTIs, como enfermeiros e técnicos de enfermagem. A expectativa é que a iniciativa se expanda e possa ser aplicada em diferentes unidades neonatais pelo país.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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