Piloto preso por pedofilia abriu contas digitais para vítimas de abuso

Arte/Metrópoles
Arte gráfica de homem de cabelos brancos, sem barba, com trajes de piloto de avião sobre um fubdo azul com cédulas de real - Metrópoles

A Polícia Civil de São Paulo identificou que o piloto preso da Latam, Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, abriu contas bancárias digitais em nome de vítimas como parte central da rede de abusos sexuais de crianças e adolescentes. Segundo investigação da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, que as movimentações se prolongaram por anos.

As contas abertas em uma plataforma digital eram usadas para transferências recorrentes de dinheiro e funcionavam, de acordo com a investigação, como instrumento de controle, dependência e silenciamento.

Sérgio foi preso no Aeroporto de Congonhas (assista abaixo), zona sul paulistana, na manhã de segunda-feira (09/02), quando já estava na cabine de um avião da Latam, com destino ao Rio de Janeiro (RJ). Apesar da prisão, a aeronave chegou ao seu destino dentro do horário previsto.

O Metrópoles apurou que o piloto conduzia pessoalmente a abertura das contas, orientando as vítimas sobre o uso do aplicativo e mantendo acesso indireto às movimentações.

A iniciativa, de acordo com as investigações, tinha finalidade de viabilizar pagamentos ligados aos abusos e criar uma relação de subordinação econômica, além de uma forma de aliciamento como mecanismo de manutenção do silêncio.

“Ele usava o laço de confiança com as vitimas, crianças sem discernimento, seduzidas com presentes, passeio, dinheiro. Elas acabavam não vendo maldade e não tinham noção do abuso que vinham sofrendo”, disse a delegada Luciana Peixoto, responsável pelas investigações, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, na manhã desta terça-feira (10/02).

Em todos os casos, como apurou a reportagem, as contas eram utilizadas para o recebimento de valores transferidos pelo piloto em montantes fracionados e periódicos, o que, ainda segundo apurado, buscava evitar alertas automáticos e pulverizar rastros. As transferências ocorriam logo após encontros ou em períodos nos quais o investigado exigia novos contatos.

Recompensa e ameaça

Além dos depósitos, foi levantado que o piloto orientava como o dinheiro deveria ser utilizado e, em alguns momentos, cobrava satisfação sobre gastos.

Para a polícia, o objetivo não era apenas pagar, mas exercer controle contínuo sobre a rotina das vítimas. O acesso ao dinheiro, ainda segundo a investigação, também era usado como recompensa quando as exigências eram cumpridas e como ameaça implícita quando havia resistência.

As movimentações bancárias feitas por Sérgio não eram esporádicas. A polícia identificou um padrão de repasses que, somados, alcançavam quantias relevantes ao longo do tempo, sempre vinculadas a períodos de maior contato entre o piloto e as vítimas.

Veja a prisão do piloto

“Tio Sérgio”

A delegada Luciana Peixoto acrescenta que o piloto explorava a condição financeira precária de algumas vítimas como forma de convencê-las a aceitarem o dinheiro do “tio Sérgio”.

“As vitimas se sentiam até culpadas, porque diziam que precisavam ajudar em casa, comprar comida, porque estavam passando por necessidade. Era isso que ele falava para elas, para introduzir o ‘tio Sérgio‘, o salvador, que ia ajudar na situação financeira da família. É triste ouvir isso de crianças. É uma narrativa montada para exploração sexual e as vítimas nem tinham noção do abuso que estavam sofrendo”, ressaltou a titular da Delegacia de Combate à Pedofilia.

Segundo o Banco Central (BC), menores de 18 anos não emancipados precisam ser representados pelo pai, mãe ou responsável legal para abertura de uma conta bancária para que o adulto — identificado e qualificado pela instituição financeira — assista e represente o jovem.

Contas abertas por menores

O Metrópoles encontrou uma plataforma digital, o NG Cash, que permite a abertura de contas bancárias por menores de 18 anos. Em nota encaminhada à reportagem, a empresa afirmou seguir “rigorosamente” as regras determinadas pelo Banco Central para a abertura desse tipo de conta.

Sobre crianças e adolescentes, com idades entre 10 e 17 anos, a plataforma digital disse que elas podem abrir contas “normalmente e usar o app”.

“A validação do responsável é feita posteriormente para liberar todas as funções e aumentar limites mensais; o responsável também deve enviar dados e selfie quando solicitado”, acrescentou.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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