Pirarucu do Lago Paranoá poderá ser servido em creches e hospitais do DF

Síglia Regina dos Santos Souza/Embrapa
Pirarucu

Os pirarucus pescados no Lago Paranoá e em outros rios do Distrito Federalpoderão ser doados a creches e hospitais da capital. É o que prevê a Instrução Normativa nº 7, publicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Diário Oficial da União (DOU), nesta quinta-feira (19/3).

Os pescadores que capturarem pirarucus no DF poderão, se quiserem, doar os produtos a hospitais públicos, creches públicas programas de merenda escolar e de combate à fome e instituições de interesse público. A permissão abrange pessoas físicas e jurídicas.

Os peixes só poderão ser doados na unidade federativa onde foram capturados — não é permitido, por exemplo, pescar no DF e doar em outra unidade da federação. A Superintendência do Ibama no DF poderá repassar detalhes para formalização das doações.


Entenda a decisão


A medida foi tomada tendo em vista que o pirarucu torna-se um peixe nocivo ao meio ambiente fora da bacia Amazônica, segundo especialistas. A Subsecretaria de Pesca e Aquicultura, da Secretaria do Meio Ambiente do DF, explica os riscos.

“O Lago Paranoá é um lago artificial urbano com dinâmica ecológica distinta da várzea amazônica. A presença do pirarucu ocasiona riscos como a predação sobre espécies nativas; alteração da cadeia alimentar; desequilíbrio ecológico por ausência de predadores naturais; e possível redução de biodiversidade”.

Segundo a Sema-DF, o pirarucu veio parar no Lago Paranoá por meio de introdução irregular e criminosa, seja por soltura intencional indevida, seja por episódios associados ao rompimento e desabamento de estruturas particulares (como aquários e tanques artificiais localizados em áreas à beira do lago)”.

Não se sabe como, de fato, a espécie chegou às águas da capital.

A Subsecretaria já havia entrado em contato com o Governo do Acre e com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), quando avistou pirarucus de mais de 1 metro de comprimento no Lago Paranoá. O Metrópoles publicou matérias com diferentes registros, em 20212024 e em 2025.

Com a determinação do Ibama, a expectativa é evitar que o peixe prejudique a vida natural de outras espécies nos rios brasileiros.

O Metrópoles entrou em contato com as Secretarias de Saúde e de Educação para comentar o recebimento de possíveis doações de pirarucu. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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